{"id":11300,"date":"2011-10-05T09:47:00","date_gmt":"2011-10-05T11:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/10\/cinecasulofilia-sete-westerns-de-budd-boetticher\/"},"modified":"2011-10-05T09:47:00","modified_gmt":"2011-10-05T11:47:00","slug":"cinecasulofilia-sete-westerns-de-budd-boetticher","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/10\/cinecasulofilia-sete-westerns-de-budd-boetticher\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;sete westerns de Budd Boetticher&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-l1KxOGhV5M0\/ToSdYYPayRI\/AAAAAAAAD10\/p0Z5jhLay6o\/s1600\/tallt3.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"494\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/tallt3.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div>Mais uma <b>coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, assinada pelo cineasta, cr\u00edtico de cinema e professor Marcelo Ikeda<\/b>. Como sempre, publicada em parceria com <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">o blog de mesmo nome<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>sete westerns de Budd Boetticher<\/b><\/i><\/p>\n<p>Nesses dias consegui ver quase de uma tacada s\u00f3 os sete westerns que Budd Boetticher dirigiu na segunda metade da d\u00e9cada de cinquenta estrelados por Randolph Scott e produzidos por Harry Brown Jr. (a RANOWN production \u2013 RANdolph-BrOWN). <\/p>\n<p>S\u00e3o todos sete filmes admir\u00e1veis, com uma grande unidade. Filmados em cerca de dez dias por uma equipe t\u00e9cnica muitas vezes comum, a maioria deles pela Columbia, filmados em loca\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Lone Pine, Calif\u00f3rnia. S\u00e3o filmes simples, quase simpl\u00f3rios, mas absolutamente admir\u00e1veis. <\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil explicar exatamente o porqu\u00ea. <\/p>\n<p>Se eu puder resumi-lo, \u00e9 porque eles s\u00e3o feitos de cinema. Neles aparentemente nada h\u00e1 de excepcional, ou melhor, n\u00e3o h\u00e1 nada que pare\u00e7a ultrapassar o mero cinema ordin\u00e1rio, nada, em termos de roteiro, atores, cen\u00e1rios, etc. A n\u00e3o ser uma coisa: s\u00e3o filmes feitos de cinema. Esse \u00e9 o seu milagre, verdadeiro milagre. N\u00e3o querendo fazer nada al\u00e9m de filmes, esses sete filmes de Boetticher com Scott s\u00e3o exemplos maravilhosos da quintess\u00eancia do bom cinema americano. Acima de tudo, s\u00e3o filmes de uma extraordin\u00e1ria precis\u00e3o, em que n\u00e3o h\u00e1 nenhum espa\u00e7o para excessos, para nada que o distraia de sua fun\u00e7\u00e3o: a jornada moral do her\u00f3i solit\u00e1rio. <\/p>\n<p>A encantadora frontalidade desse cinema \u2013 objetivo, pragm\u00e1tico, nada intelectual, mas ainda assim intenso, reflexivo, apaixonado \u2013 aparece como recurso \u00e9tico para lidar com um mundo. O que me interessa nesses filmes de Boetticher \u00e9 como, mesmo com todas as dificuldades, ele encontra uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica firme em estar no mundo. Isso \u00e9 mais que encantador, \u00e9 comovente. Boetticher n\u00e3o \u201cnasceu para ser cineasta\u201d, n\u00e3o era \u201co sonho de sua vida\u201d, n\u00e3o queria \u201cmudar o mundo fazendo filmes\u201d, mas ainda assim o foi e o fez. <\/p>\n<p>Budd foi vaqueiro, pugilista, fez de tudo, at\u00e9 acabar &#8216;fodido&#8217;. Nesse caminho, fez v\u00e1rios filmes, os principais deles esses sete admir\u00e1veis filmes num espa\u00e7o de cinco anos. O western foi naturalmente a express\u00e3o mais aut\u00eantica do cinema de Boetticher: um espa\u00e7o f\u00edsico, um cavalo, uma mocinha, uma amargura, um passado. Sempre um cinema de a\u00e7\u00e3o e uma quest\u00e3o \u00e9tica. A posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica do her\u00f3i \u00e9 exposta mas nunca atrav\u00e9s da psicologia do teatro romanesco, mas atrav\u00e9s de uma encena\u00e7\u00e3o frontal em que um corpo precisa atravessar um espa\u00e7o, olhar e ser olhado, e assim estar no mundo e tomar decis\u00f5es, custem o que custar. <\/p>\n<p>Essa frase tenta mostrar a beleza do projeto de Boetticher, sua precis\u00e3o e seu desafio. O tom aparentemente grosseir\u00e3o dessa encena\u00e7\u00e3o e desse personagem n\u00e3o conseguem apagar seu profundo refinamento. Uma forma \u00e9tica de estar no mundo. Gostaria de escrever mais, dando exemplos, mas quero acabar aqui citando um ponto que me comove muito nesses filmes: o papel do her\u00f3i solit\u00e1rio. <br \/>Cumprindo seu dever \u00e9tico, muitas vezes que lhe cai ao colo por acaso, pelo destino, o her\u00f3i cumpre uma travessia, sempre f\u00edsica (por um espa\u00e7o f\u00edsico) mas tamb\u00e9m essencial, encontra no caminho com alguns amigos, se relaciona com uma ou outra mulher, mas sempre, pelas circunst\u00e2ncias, acaba sozinho. Para cumprir o seu dever, imposto pelo destino (pelas circunst\u00e2ncias), esse heroi torto deve acabar sempre sozinho. <\/p>\n<p>Alguns autores veem isso como uma certa ironia (a vida \u00e9 um jogo que deve apenas ser jogado, nunca vencido), mas eu vejo essencialmente como uma melancolia, uma amargura, essa eterna deambula\u00e7\u00e3o desse forasteiro pelo velho oeste, solit\u00e1ria e sem rumo, mas, ainda assim, sempre \u00e9tica. <\/p>\n<p>Os sete filmes s\u00e3o Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), Entardecer Sangrento (Decision at Sundown), O Resgate do Bandoleiro (The Tall T), Fibra de Her\u00f3i (Buchanan Rides Alone), Um Homem de Coragem (Westbound), O Homem que Luta S\u00f3 (Ride Lonesome) e Cavalgada Tr\u00e1gica (Comanche Station). Todos foram realizados entre 1956 e 1960.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, assinada pelo cineasta, cr\u00edtico de cinema e professor Marcelo Ikeda. 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