{"id":11277,"date":"2011-10-24T11:21:00","date_gmt":"2011-10-24T13:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/10\/bissexta-quando-era-bom-ser-flamengo\/"},"modified":"2011-10-24T11:21:00","modified_gmt":"2011-10-24T13:21:00","slug":"bissexta-quando-era-bom-ser-flamengo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/10\/bissexta-quando-era-bom-ser-flamengo\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; Quando Era Bom Ser Flamengo"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-sqgSGp64iME\/TqVlkK30N2I\/AAAAAAAAD5k\/-gr7gqTdhD0\/s1600\/IMG-20110818-00014.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"472\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/IMG-20110818-00014.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nesta segunda feira, temos excepcionalmente <b>mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do colunista Walter Monteiro<\/b>. No texto de hoje tenta se fazer uma an\u00e1lise da aus\u00eancia da torcida rubro negra nos est\u00e1dios e da intoler\u00e2ncia demonstrada por esta nos espa\u00e7os virtuais.<\/p>\n<p>Tal como o articulista, eu peguei as duas &#8220;eras&#8221;, pois completarei 37 anos no pr\u00f3ximo dia 04. Minha impress\u00e3o \u00e9 de que o t\u00edtulo de 2009 tornou mais exigentes os torcedores mais novos, que n\u00e3o viram Zico jogar e que passaram por um per\u00edodo consider\u00e1vel de &#8220;vacas magras&#8221;. <\/p>\n<p>Por outro lado, especificamente este ano existe a impress\u00e3o geral de que o time vem rendendo bem abaixo do que poderia, ao contr\u00e1rio de 2007 e 2009 onde sempre est\u00e1vamos &#8220;no limite&#8221;. Confesso que a falta de comprometimento de alguns jogadores este ano tem me irritado bastante &#8211; mas este \u00e9 um assunto para outro post.<\/p>\n<p>Curiosamente, neste Brasileir\u00e3o j\u00e1 fui mais vezes ver o Flamengo jogar que pelo menos os \u00faltimos quatro campeonatos: quatro partidas &#8211; incluindo as citadas partidas contra o Atl\u00e9tico de Goi\u00e1s (acima, em foto de minha autoria) e o Am\u00e9rica Mineiro, onde se precisava de est\u00e1dio cheio e ningu\u00e9m foi.<\/p>\n<p><i><b>Quando Era Bom Ser Flamengo<\/b><\/i><\/p>\n<p>\u00c9 certo que existiu um Flamengo antes do Zico, mas eu s\u00f3 conhe\u00e7o de ouvir falar. Eu e o Galinho estreamos juntos em 1972, ele no gramado, eu na arquibancada <i>[N.do.E.: na verdade o colunista se refere \u00e0 presen\u00e7a constante de Zico no time profissional, pois ele estreou em um Flamengo 2 x 1 Vasco em 1971]<\/i>. Logo, o Meng\u00e3o para mim tem duas eras: a Era de Ouro, que simbolicamente se encerra no t\u00edtulo de 1992 com a aposentadoria do Maestro Junior, e a que vem depois.<\/p>\n<p>A primeira, todos sabem, prof\u00edcua em t\u00edtulos e alegrias indescrit\u00edveis. A segunda, nem tanto. <\/p>\n<p>Ainda assim, havia uma conex\u00e3o profunda entre ambas: a inabal\u00e1vel for\u00e7a que vinha da Na\u00e7\u00e3o. O Flamengo \u00e9 o Flamengo n\u00e3o por conta dos que estavam em campo, mas justamente pelos que estavam de fora. Flamenguista que se preza sempre foi marrento, amplificando \u00e0s alturas qualquer magro \u00eaxito. A for\u00e7a do Flamengo, principalmente nos maus momentos, sempre esteve no magnetismo da galera.<\/p>\n<p>Esteve, n\u00e3o est\u00e1 mais. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas hoje em dia d\u00e1 desgosto ser Flamengo. Ningu\u00e9m acredita mais no time. Ningu\u00e9m torce mais. Ningu\u00e9m empresta seu apoio nas horas mais duras. Aquilo que era lindo de ver, a torcida pegando um time med\u00edocre no colo e o fazendo vencer contra todos os progn\u00f3sticos virou apenas uma imagem no videoteipe. <\/p>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, a torcida evaporou. H\u00e1 quem diga que \u00e9 porque NOSSO est\u00e1dio, o Maracan\u00e3, est\u00e1 fechado.\u00a0 N\u00e3o creio&#8230;. afinal, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que isso acontece. Eu me lembro de ir ao min\u00fasculo est\u00e1dio da Portuguesa na Ilha do Governador e encontrar filas de rubro-negros enlouquecidos para exaltar El Tigre Ramirez e ajudar o time a escapar do rebaixamento <i>[N.do.E.: eu era um destes. Reconhe\u00e7o o fato de que o est\u00e1dio ser do lado da minha casa facilitou um bocado naquela tenebrosa temporada]<\/i>. <\/p>\n<p>Dif\u00edcil entender a raz\u00e3o, mas os rubro-negros simplesmente perderam a vontade de ir ao jogo.<\/p>\n<p>A torcida, infelizmente, se modificou. Antigamente tinha uma esp\u00e9cie que arquibaldos de carteirinha abomin\u00e1vamos, o chamado \u201ctorcedor de radinho\u201d: que nunca ia aos jogos, mas achava que entendia de tudo e vivia reclamando da vida. <\/p>\n<p>Que saudades do radinho&#8230;.porque hoje aquele chato de galocha se transformou em um monstro muito mais assustador, o \u201cchato do teclado\u201d. \u00c9 impressionante a quantidade de gente que assiste o jogo comentando em tempo real as vicissitudes da partida. Em uma curiosa invers\u00e3o de pap\u00e9is, \u00e9 no Twitter e no Facebook que ecoam as vaias atuais da torcida. Uma vaia un\u00edssona, longa, raivosa, infinita&#8230;<\/p>\n<p>E a impaci\u00eancia? Ah, a impaci\u00eancia&#8230;o m\u00ednimo erro \u00e9 intoler\u00e1vel.\u00a0 Ganhar n\u00e3o \u00e9 nada mais do que a obriga\u00e7\u00e3o, perder ou mesmo empatar \u00e9 ultrajante. <\/p>\n<p>Como disse antes, at\u00e9 para coroas como eu s\u00f3 existem dois Flamengos, o da Era Zico\/Junior e o que veio depois. Me dei ao trabalho de pesquisar o desempenho deste \u00faltimo em campeonatos brasileiros. Observem:<\/p>\n<p>1<i>993 &#8211; 8\u00ba<br \/>1994 &#8211; 14\u00ba<br \/>1995 &#8211; 21\u00ba<br \/>1996 &#8211; 13\u00ba<br \/>1997 &#8211; 5\u00ba<br \/>1998 &#8211; 11\u00ba<br \/>1999 &#8211; 12\u00ba<br \/>2000 &#8211; 15\u00ba<br \/>2001 &#8211; 24\u00ba<br \/>2002 &#8211; 18\u00ba<br \/>2003 &#8211; 8\u00ba<br \/>2004 &#8211; 17\u00ba<br \/>2005 &#8211; 15\u00ba<br \/>2006 &#8211; 11\u00ba<br \/>2007 &#8211; 3\u00ba<br \/>2008 &#8211; 5\u00ba<br \/>2009 &#8211; Campe\u00e3o<br \/>2010 &#8211; 14\u00ba <\/i><\/p>\n<p>A s\u00e9rie hist\u00f3rica \u00e9 longa o suficiente para revelar tend\u00eancias. Para come\u00e7o de conversa, em dezoito campeonatos o Flamengo s\u00f3 chegou entre os cinco primeiros em quatro deles. E do ano 2000 em diante, olhou muito mais para o fundo do po\u00e7o do que para a ponta da tabela \u2013 em onze campeonatos, correu s\u00e9rio risco de rebaixamento em seis &#8211; inclusive em 2007, de impressionante arrancada.<\/p>\n<p>Apesar disso, meus irm\u00e3os rubro-negros est\u00e3o todos, cegos e surdos, embora n\u00e3o estejam mudos &#8211; muito pelo contr\u00e1rio. Mesmo encarando uma campanha para l\u00e1 de razo\u00e1vel, do meu lado s\u00f3 encontro gente amargurada, revoltada e azeda. Quando eu lembro que nessa \u00e9poca em 2009 o time estava apenas em sexto lugar, com um ponto a menos do que agora, ningu\u00e9m n\u00e3o quer nem saber. <\/p>\n<p>Antigamente era \u00f3timo ser Flamengo e conviver no meio rubro-negro. A gente esbanjava confian\u00e7a, a gente chorava de emo\u00e7\u00e3o, a gente acreditava at\u00e9 o \u00faltimo minuto.\u00a0 Os melhores momentos da minha vida eu passei ali, \u00e0 esquerda das cabines de r\u00e1dio do Maraca. Dane-se se o time ganhava ou perdia. Eu me realizava s\u00f3 por ser Flamengo.<\/p>\n<p>Tenho pena dos rubro-negros da Jihad dos teclados nervosos.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Talvez eles nunca descubram como era bom ser Flamengo.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta segunda feira, temos excepcionalmente mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do colunista Walter Monteiro. 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