{"id":11259,"date":"2011-11-09T07:43:00","date_gmt":"2011-11-09T09:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/11\/historia-outros-assuntos-resenha-critica-rock-in-rio-a-historia-do-maior-festival-de-musica-do-mundo\/"},"modified":"2011-11-09T07:43:00","modified_gmt":"2011-11-09T09:43:00","slug":"historia-outros-assuntos-resenha-critica-rock-in-rio-a-historia-do-maior-festival-de-musica-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/11\/historia-outros-assuntos-resenha-critica-rock-in-rio-a-historia-do-maior-festival-de-musica-do-mundo\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos &#8211; &quot;Resenha Cr\u00edtica: Rock in Rio &#8211; A Hist\u00f3ria do maior festival de m\u00fasica do mundo&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-3_xdIK8goF8\/Trla4vdWEOI\/AAAAAAAAD8Y\/XlDDPDr0Q2Q\/s1600\/livro.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/livro.jpg\" width=\"240\"><\/a><\/div>\n<div>Nesta quarta feira, <b>temos mais uma coluna do Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes<\/b>. O tema de hoje \u00e9 uma resenha de livro lan\u00e7ado recentemente sobre o Rock In Rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o li o exemplar &#8211; estou alternando entre as biografias do ex-Presidente Jo\u00e3o Goulart e do dono da F\u00f3rmula 1 Bernie Ecclestone &#8211; mas parece em sua estrutura com livro sobre Woodstock <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2009\/11\/resenha-literaria-woodstock.html\">que resenhei aqui em tempos idos<\/a>.<\/p>\n<p><i><b>Resenha Cr\u00edtica: &#8220;Rock in Rio &#8211; A Hist\u00f3ria do maior festival de m\u00fasica do mundo&#8221;<\/b><\/i><\/p>\n<p>Confesso que quando estive com o livro pela primeira vez, me decepcionei. Achei que tinha muita imagem e pouco texto.<\/p>\n<p>Como est\u00e1vamos \u00e0s v\u00e9speras da quarta edi\u00e7\u00e3o do Rock in Rio, imaginei que o livro fosse mais uma das in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es, em grande parte oportunistas, que pegam carona em assuntos que dominam o notici\u00e1rio. Passado o Rock in Rio, vi o livro mais uma vez nas vitrines e pensei finalmente em compr\u00e1-lo, mais por curiosidade, para ver se ele trazia alguma informa\u00e7\u00e3o nova, do que qualquer outra coisa. <\/p>\n<p>Afinal, podia um festival de rock (que, diga-se de passagem, n\u00e3o \u00e9 apenas de rock, mas de outros ritmos) gerar hist\u00f3ria capaz de sustentar uma publica\u00e7\u00e3o de quase 400 p\u00e1ginas? Como o autor poderia ter escrito um livro que trouxesse alguma novidade, sobre um festival cantado (e decantado) aos quatro ventos?<\/p>\n<p>&#8220;Rock in Rio &#8211; A Hist\u00f3ria do maior festival de m\u00fasica do mundo&#8221;, do jornalista\u00a0Luiz Felipe Carneiro (Editora Globo, 383 p\u00e1ginas)\u00a0nasceu de seu projeto de conclus\u00e3o do curso de Jornalismo na PUC, no Rio. Luiz Felipe leu mais de 2 mil reportagens feitas sobre o Rock in Rio, entrevistou v\u00e1rios artistas do show business que participaram das edi\u00e7\u00f5es do festival e contou com a preciosa contribui\u00e7\u00e3o de Roberto Medina, publicit\u00e1rio, empres\u00e1rio e mentor e idealizador do Rock in Rio. <\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-N_ZZF2IXrd4\/Trla7uPPboI\/AAAAAAAAD8g\/WhCDGKQCEAI\/s1600\/ivan-lins-rock-rio-1985-size-598.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"360\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/ivan-lins-rock-rio-1985-size-598.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O livro perfaz o caminho trilhado pelos organizadores do festival, desde a primeira id\u00e9ia de se fazer um evento no Brasil que renascia na Nova Rep\u00fablica, ap\u00f3s o longo per\u00edodo em que esteve mergulhado na ditadura militar. Sempre tra\u00e7ando um paralelo entre os ares de renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o surgimento do Brasil como cen\u00e1rio para shows internacionais: o nosso pa\u00eds entrando parao o circuito internacional do show business.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisa ser grande conhecedor de rock para se ter no\u00e7\u00e3o de que em 1985 o Brasil era praticamente um\u00a0territ\u00f3rio\u00a0desconhecido para os artistas internacionais. <\/p>\n<p>Fora um ou outro artista de grande peso que visitou o Brasil (Frank Sinatra veio ao Rio e lotou o Maracan\u00e3, em 1980), n\u00e3o existia por aqui uma tradi\u00e7\u00e3o para: 1) Receber artistas estrangeiros; 2) Infraestrutura para acolher um festival desse porte. Em 1982 o Kiss teve parte de sua parafern\u00e1lia musical extraviada . No mesmo ano o The Police levou calote por um show apresentado no Maracan\u00e3zinho, o que se repetiu no ano seguinte, com Van Halen. <\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Queen, em 1981, j\u00e1 com apresenta\u00e7\u00e3o fechada e contratada para tocar no Maracan\u00e3, fora proibido pelo ent\u00e3o governador Chagas Freitas &#8211; por puro capricho. Com isso, era tarefa \u00e1rdua dar credibilidade a um evento que surgiu do nada na Ilha Pura, em Jacarepagu\u00e1. O Queen e o Iron Maiden, que foram duas das grandes atra\u00e7\u00f5es do Rock in Rio 1, em 1985, inicialmente nem quiseram conversar com Roberto Medina. Com muito custo, e com a luxuosa ajuda de Lee Solters, empres\u00e1rio de Sinatra, os artistas iam aceitando os convites e por fim, as principais bandas acreditaram no projeto de Medina. Um tiro no escuro que acabou dando certo.<\/p>\n<p>As dificuldades para erguer o Rock in Rio n\u00e3o pararam por a\u00ed. Obst\u00e1culos f\u00edsicos tamb\u00e9m impediam a realiza\u00e7\u00e3o do festival. Foram necess\u00e1rios 77 mil caminh\u00f5es de terra para aterrar o terreno da Ilha Pura, cujo solo teria de subir 1,5m para ter condi\u00e7\u00f5es de realizar o evento. Dificuldades pol\u00edticas tamb\u00e9m ocorreram: em 1985, o governador Leonel Brizola queria vetar a realiza\u00e7\u00e3o do evento, s\u00f3 porque a Artplan, ag\u00eancia de Roberto Medina, havia produzido a campanha pol\u00edtica de Moreira Franco para o governo do Estado em 1982. N\u00e3o fosse a interven\u00e7\u00e3o de Tancredo Neves, que ligou pessoalmente para Brizola, praticamente impondo a realiza\u00e7\u00e3o do Rock in Rio, o festival n\u00e3o teria acontecido.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-G1UWCzJ7dWs\/TrlbAKhMaVI\/AAAAAAAAD8o\/2URZTiGIkJA\/s1600\/guns.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/guns.jpg\" width=\"220\"><\/a><\/div>\n<div>Bandas que cancelaram suas apresenta\u00e7\u00f5es na \u00faltima hora, como o The Pretenders, o Def Leppard e o Men at Work, tamb\u00e9m puseram \u00e0 prova o sucesso do primeiro Rock in Rio. Falta de verbas &#8211; Medina teve de alienar o pr\u00e9dio da Artplan, sua ag\u00eancia, para fechar contratos. Pouco interesse inicial pela venda de ingressos para o festival (o ingresso custava oito d\u00f3lares o dia) foi outra barreira a ser vencida. Justamente a pouca tradi\u00e7\u00e3o do Brasil em sediar eventos desse porte foi o motivo para tantas suspeitas de que fosse realmente dar certo. <i>[N.do.E.: mesmo considerando a infla\u00e7\u00e3o, percebe-se como aumentaram os pre\u00e7os dos ingressos&#8230;]<\/i><\/p>\n<p>Talvez a senha para que o livro tenha uma leitura agrad\u00e1vel seja justamente o seu formato textual: escrito em forma de di\u00e1rio, relatando show por show, comentando performances, tecendo cr\u00edticas comportamentais (do artista e do p\u00fablico) e mostrando conhecimento da causa, o autor mostra que entende do que est\u00e1 escrevendo, sem parecer parcial a determinado artista ou g\u00eanero musical.<\/p>\n<p>Na primeira edi\u00e7\u00e3o &#8211; assim como em todas as outras &#8211; os mais privilegiados foram, sem d\u00favida, os artistas estrangeiros. Em 1985 o distanciamento foi ainda maior: a qualidade de som para artistas como Rod Stewart, Queen, Al Jarreau, entre outros, era anos-luz melhor e mais limpa do que para artistas nacionais. O tempo destinado aos shows tamb\u00e9m: enquanto os estrangeiros tinham, em m\u00e9dia, 1h30 de show, artistas como Kid Abelha, Alceu Valen\u00e7a e Elba Ramalho tinham pouco mais de 30 minutos para se apresentarem.<\/p>\n<p>Na segunda edi\u00e7\u00e3o do Rock in Rio, o primeiro obst\u00e1culo foi o sequestro do pr\u00f3prio Roberto Medina, em 1990. Naquele ano, o Rio de Janeiro vivia uma onda de sequestros sem precedentes. Outra barreira foi o Plano Collor, que atrapalhou. O festival, programado para ocorrer em julho de 1990, teve de ser adiado e foi acontecer em janeiro do ano seguinte.<\/p>\n<p>As exig\u00eancias de cada artista podem ser consideradas um cap\u00edtulo \u00e0 parte. A pr\u00f3pria contrata\u00e7\u00e3o de Amin Khader, para ser uma esp\u00e9cie de &#8220;bab\u00e1&#8221; dos m\u00fasicos que se apresentaram nas tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do festival, \u00e9 por si s\u00f3 pitoresca. Khader ao receber a liga\u00e7\u00e3o dos organizadores do festival n\u00e3o acreditou e achou que estava sendo v\u00edtima de uma brincadeira. <\/p>\n<p>Os relatos feitos por ele das exig\u00eancias dos artistas poderiam resultar numa publica\u00e7\u00e3o especificamente voltada para isso. Entre outras exig\u00eancias curiosas, George Michael pediu 20 refei\u00e7\u00f5es kosher, devidamente benzidas por um rabino. Prince exigiu um camarim inteiramente na cor p\u00farpura e uma limousine \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o na cidade. J\u00e1 Rod Stewart pediu 70 toalhas brancas. O Guns n\u00b4Roses solicitou macarronada e que nenhuma r\u00e1dio transmitisse seu show ao vivo &#8211; detalhe: ao final do show, Axl Rose fez quest\u00e3o de dividir o macarr\u00e3o com todo o staff do Rock in Rio 2, chamando-os para sentar \u00e0 sua mesa nos camarins, no Maracan\u00e3.<\/p>\n<p>O livro tamb\u00e9m conta a epop\u00e9ia da segunda e terceira edi\u00e7\u00e3o do festival em detalhes. Mas o trunfo maior \u00e9, sem d\u00favidas, contar os bastidores principalmente do Rock in Rio 1, em 1985. As fofocas, intrigas, exig\u00eancias e performances das bandas, os ataques de estrelismo de alguns artistas (Freddie Mercury, em 1985, e Prince, em 1991, exigiam que ningu\u00e9m os olhassem fixamente), comp\u00f5em os grandes momentos do livro de Luiz Felipe Carneiro.<\/p>\n<p>Uma deliciosa e curiosa viagem no tempo do Rock in Rio, o livro me fez rever meus pr\u00e9-conceitos sobre o tema, j\u00e1 que eu duvidava que o Rock in Rio pudesse sustentar a publica\u00e7\u00e3o de um livro sem que ca\u00edsse na canastrice liter\u00e1ria. Ao fim da leitura, felizmente percebi que \u00e9 poss\u00edvel sim escrever sobre o festival, sem cair em clich\u00eas ou se perder no texto.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Rock In Rio em Tr\u00eas Momentos:<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>1985 &#8211; Queen em &#8220;Love of My Life&#8221;:<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/div>\n<div><i>1991 &#8211; Guns n\u00b4Roses em &#8220;Patience&#8221;:<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/div>\n<div><i>2001 &#8211; R.E.M. em &#8220;Losing My Religion&#8221;:<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quarta feira, temos mais uma coluna do Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes. 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