{"id":11242,"date":"2011-11-24T06:49:00","date_gmt":"2011-11-24T08:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/11\/meu-nome-e-dezembro-mas-pode-me-chamar-de-hipocrisia-2\/"},"modified":"2011-11-24T06:49:00","modified_gmt":"2011-11-24T08:49:00","slug":"meu-nome-e-dezembro-mas-pode-me-chamar-de-hipocrisia-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/11\/meu-nome-e-dezembro-mas-pode-me-chamar-de-hipocrisia-2\/","title":{"rendered":"Meu nome \u00e9 Dezembro, mas pode me chamar de Hipocrisia"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-JYJh5EIcams\/TswK4Jve1QI\/AAAAAAAAEA0\/7RQ6iHVA85Q\/s1600\/dilbert-xmas.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/dilbert-xmas.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nos \u00faltimos anos, tenho desenvolvido certa avers\u00e3o \u00e0s festas de Natal e Ano Novo, em especial depois que meus av\u00f3s faleceram. O mito do Papai Noel renasce nas minhas filhas, mas a motiva\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 a mesma. <\/p>\n<p>Todavia n\u00e3o falarei disso. Mas, sim, de uma verdadeira praga que ocorre todo m\u00eas de dezembro: a temporada anual de hipocrisia.<\/p>\n<p>Como que por encanto, todos aqueles que foram canalhas o ano inteiro recebem um esp\u00edrito bem aventurado e se transformam em verdadeiros santos, s\u00f3 faltando a canoniza\u00e7\u00e3o pelo Vaticano. \u00c9 um tal de &#8220;felicidades&#8221; pra l\u00e1, &#8220;sucesso&#8221; pra c\u00e1, confraterniza\u00e7\u00f5es mil&#8230;<\/p>\n<p>Ambiente de trabalho, ent\u00e3o, \u00e9 bem isso. O sujeito pisa no teu pesco\u00e7o o ano inteiro, quando chega dezembro d\u00e1 uma de bom samaritano e deseja &#8220;feliz natal&#8221; e &#8220;feliz ano novo&#8221;. A\u00ed chega o dia dois de janeiro e volta a pisar no pesco\u00e7o dos outros ou a vender a m\u00e3e (dos outros) para obter dez &#8220;merr\u00e9is&#8221; a mais. Igual a festas corporativas, que ningu\u00e9m quer ir mas acaba sendo voto vencido. Vai para fazer m\u00e9dia ou para ver se fatura algum brinde &#8211; escassos nestes tempos de downsizing e disciplina de capital.<\/p>\n<p>Sem contar que muita gente acaba se excedendo na bebida e na comida, dizendo e fazendo coisas incongruentes e criando a falsa ilus\u00e3o de que &#8220;o mundo os ama&#8221;. No dia seguinte sobram a ressaca e os sorrisinhos marotos dos colegas &#8211; se n\u00e3o ocorrer algo pior.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Normalmente, adoto a t\u00e1tica\u00a0 denominada pela especialista Gl\u00f3ria Khalil como <b>&#8220;4S&#8221;<\/b>: Surgir, Saudar, Sorrir e&#8230; Sumir. Permane\u00e7o o tempo indispens\u00e1vel em que minha presen\u00e7a se faz obrigat\u00f3ria: ou seja, at\u00e9 ter minha estada registrada em uma ou duas fotos. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, publiquei ano passado <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2010\/10\/mr-beer-and-miss-wine-etiqueta-voce_27.html\">coluna com um &#8220;guia&#8221; de comportamento para estas festas<\/a> &#8211; vale a leitura. Isto evita alguns comportamentos que podem, at\u00e9, destruir a sua carreira na empresa. J\u00e1 vi com meus pr\u00f3prios olhos situa\u00e7\u00f5es deste tipo, sem d\u00favida alguma bastante constrangedoras. Evite estas verdadeiras arapucas &#8211; em geral associadas ao excessivo consumo de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Mas este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico aspecto da quest\u00e3o.<\/p>\n<p>As pessoas deveriam mostrar-se como elas s\u00e3o. N\u00e3o adianta nada desejar &#8220;boas festas&#8221;, brindar naquele restaurante car\u00e9simo que o superior escolheu e distribuir sorrisos for\u00e7ados a granel se no restante do ano ele s\u00f3 pensa em como se dar bem e puxar tapetes alheios. Cada vez o mundo \u00e9 mais ego\u00edsta, mais individualista, menos solid\u00e1rio; o que torna ainda mais hip\u00f3crita este tipo de comportamento &#8220;altru\u00edsta&#8221; e &#8220;companheiro&#8221;.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o irritante \u00e9 o tal do amigo oculto. Acaba-se for\u00e7ado a participar, aparentando uma coisa que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9, provavelmente ganhando um presente que voc\u00ea n\u00e3o vai gostar ou, o que \u00e9 ainda pior, aquelas listinhas com uma \u00fanica op\u00e7\u00e3o que o for\u00e7am a atravessar a cidade em um esfor\u00e7o que talvez s\u00f3 se faria para suas filhas. No dia da entrega dos &#8220;presentes&#8221; ainda temos de sorrir aquele amarelo ao lado do infeliz que sorteamos ou o outro que nos escolheu &#8211; e deu uma &#8220;lembran\u00e7a&#8221; absolutamente in\u00fatil na maioria das vezes. Isso quando n\u00e3o acontecem &#8220;papeizinhos frios&#8221;, onde aquele puxa-saco habitual sempre tira o chefe ou \u00e9 &#8220;sorteado&#8221; por este &#8211; a\u00ed ocorre aquele espet\u00e1culo constrangedor que todo leitor com alguma estrada na vida corporativa conhece muito bem&#8230;<\/p>\n<p>Foco no ambiente corporativo mas isto vale para outros ambientes, onde acaba se tendo de ir a confraterniza\u00e7\u00f5es onde n\u00e3o se tem a menor intimidade com as pessoas. Eu mesmo, este ano, terei de enfrentar pelo menos duas deste tipo &#8211; onde o desgaste de n\u00e3o ir acaba sendo maior do que engolir em seco e fazer cara de paisagem. E a cada ano estas festividades est\u00e3o se iniciando mais cedo &#8211; final de novembro.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que \u00e9 pedir demais querer que as pessoas tamb\u00e9m em dezembro sejam como s\u00e3o o ano todo ? Assumem-se uma s\u00e9rie de compromissos n\u00e3o por querer estar no local, mas sim por uma &#8220;moral&#8221; absolutamente hip\u00f3crita e que denota uma conveni\u00eancia absolutamente superficial e rasteira. E se voc\u00ea, em um rasgo de sinceridade, diz que n\u00e3o vai a um destes compromissos, \u00e9 taxado de &#8220;individualista&#8221;, &#8220;anti-social&#8221;, &#8220;arrogante&#8221; e coisas correlatas. Ainda que durante o restante do ano tenha se mostrado sol\u00edcito, companheiro e demonstrado total esp\u00edrito de equipe.<\/p>\n<p>Mais uma tremenda demonstra\u00e7\u00e3o do mais puro esp\u00edrito da cara de pau \u00e9 a tal da &#8220;caixinha&#8221;. O cidad\u00e3o passa onze meses inteiros xingando aqueles que possuem fun\u00e7\u00f5es menos remuneradas, mas d\u00e1 uma gorjeta no final de ano para &#8220;se sentir menos culpado&#8221;. Pragueja, defende o exterm\u00ednio, acha um absurdo que frequente os mesmos lugares, mas no \u00faltimo m\u00eas do ano d\u00e1 aquele &#8220;trocadinho&#8221; e pensa que est\u00e1 redimido de todo o seu comportamento natural nos onze meses anteriores. Acho o c\u00famulo.<\/p>\n<p>Seria muito mais justo e muito mais humano se o comportamento verificado no m\u00eas de dezembro se repetisse &#8216;ad eternum&#8217;. Ceder a vez no tr\u00e2nsito, respeitar as prioridades no trabalho, adotar um comportamento mais adequado, menos c\u00ednico e tendo por base a bondade e a cortesia. N\u00e3o deixar o colega &#8220;vendido&#8221;, assumir as pr\u00f3prias responsabilidades e seus pr\u00f3prios defeitos e erros, n\u00e3o exacerbar seus feitos e esconder os feitos alheios, n\u00e3o procurar vantagem em tudo&#8230; Educar nossas crian\u00e7as com estes valores e n\u00e3o os do consumismo e da competi\u00e7\u00e3o a qualquer pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Vale lembrar tamb\u00e9m o sentido comercial das festas, em especial o Natal. Ano ap\u00f3s ano, dezembro ap\u00f3s dezembro acabamos mais preocupados em encher os shoppings que real\u00e7ar o sentido verdadeiro destas festividades: religiosidade, renascimento, rein\u00edcio, reflex\u00e3o, gratid\u00e3o e balan\u00e7o. Mesmo para mim, que n\u00e3o sou crist\u00e3o, \u00e9 uma festa religiosa, pois a data que na minha tradi\u00e7\u00e3o equivaleria ao Natal &#8211; o nascimento de Meishu Sama, nosso Fundador &#8211; \u00e9 no dia 23 de dezembro.<\/p>\n<p>Entretanto ao passar de cada ano fortalece-se apenas a quest\u00e3o consumista, de comprar, comprar e comprar &#8211; da\u00ed vem a &#8220;verdadeira satisfa\u00e7\u00e3o&#8221; da vida. Real\u00e7a-se a ideia de que o ser humano \u00e9 o que tem, n\u00e3o o que \u00e9. Resultado: centros comerciais absolutamente lotados, irrita\u00e7\u00e3o extrema, tr\u00e1fego insuport\u00e1vel, stress e uma d\u00edvida imensa no cart\u00e3o de cr\u00e9dito para se iniciar o Ano Novo&#8230;<\/p>\n<p>Voltando ao tema original, cada vez mais isto a que assistimos nesta \u00e9poca me irrita sobremaneira. Esta onda de bom mocismo, solidariedade e congra\u00e7amento tem a mesma base que um alicerce de areia para construir um pr\u00e9dio: nenhuma. E ao espocarem os fogos de primeiro de janeiro caem as m\u00e1scaras e retorna-se \u00e0 selva onde &#8220;salve-se quem puder&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>Infelizmente, de alguns compromissos &#8211; em especial os corporativos &#8211; n\u00e3o consigo escapar, mas me espanta a cara de pau demonstrada por alguns. N\u00e3o passa de falsidade hip\u00f3crita.<\/p>\n<p>Sinceramente, prefiro a companhia da fam\u00edlia e dos amigos dos doze meses do ano. Muito melhor se todos assim o fizessem, j\u00e1 que n\u00e3o sabem agir de forma adequada de janeiro a novembro.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, tenho desenvolvido certa avers\u00e3o \u00e0s festas de Natal e Ano Novo, em especial depois que meus av\u00f3s faleceram. 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