{"id":11230,"date":"2011-12-04T08:30:00","date_gmt":"2011-12-04T10:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/orun-aye-um-pouco-de-mim\/"},"modified":"2011-12-04T08:30:00","modified_gmt":"2011-12-04T10:30:00","slug":"orun-aye-um-pouco-de-mim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/orun-aye-um-pouco-de-mim\/","title":{"rendered":"Orun Ay\u00e9 &#8211; &quot;Um Pouco de Mim&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-ubJhwDO7KEw\/TtlDZuD0abI\/AAAAAAAAECc\/bLJc0gWzn8s\/s1600\/DSCN4299.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/DSCN42991.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Neste domingo, <b>mais uma coluna &#8220;Orun Ay\u00e9&#8221;, assinada pelo compositor Alo\u00edsio Villar<\/b> (\u00e0 direita na foto). Hoje Villar nos conta um pouco de sua trajet\u00f3ria at\u00e9 chegar aqui.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>Um Pouco de Mim<\/b><\/i><\/p>\n<p>Escrevendo a coluna de semana passada lembrei que na verdade voc\u00eas me conhecem pouco. Falei muito de minhas experi\u00eancias de samba, voc\u00eas sabem um pouco da minha vida de compositor, sambista, mas sabem pouco de mim.<\/p>\n<p>Nasci em 9 de agosto de 1976 em um hospital na Tijuca e fui criado na Ilha do Governador, em uma casa que tirando o meu tio Junior que mal parava aqui por viver na casa das namoradas s\u00f3 tinha mulheres. Minha av\u00f3 Lieida a matriarca da fam\u00edlia, minha m\u00e3e Regina, minhas tias Raquel e Rosanne e minha bisav\u00f3 com\u00a0 qual convivi pouco, mas foi maravilhoso. Fui o primeiro neto, o primeiro sobrinho, o primeiro bisneto, o primeiro filho e com isso muito mimado e querido.<\/p>\n<p>Fui o primeiro filho e acabei sendo o \u00fanico. Sou filho \u00fanico. Na verdade tive uma irm\u00e3 de um casamento do meu pai com outra mulher que morreu com dois anos de idade por desidrata\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma hist\u00f3ria muito mal contada que nem eu conhe\u00e7o direito e nunca tive liberdade pra falar sobre com ele, tanto que s\u00f3 soube de sua exist\u00eancia depois que morreu.<\/p>\n<p>Enfim, filho \u00fanico e como todo filho \u00fanico sonhava em ter irm\u00e3os. Pedi muito \u00e0 minha m\u00e3e, enchi muito o saco dela, mas esse irm\u00e3o nunca veio. Sempre achei uma pena porque teria amenizado problemas na minha vida ter com quem dividir minhas dores, como no caso da morte de minha m\u00e3e. Mas n\u00e3o tive esse irm\u00e3o e isso me ajudou em outra coisa: desenvolver minha imagina\u00e7\u00e3o. Era um menino t\u00edmido que n\u00e3o gostava de brincar na rua e vivia trancado em casa, ent\u00e3o precisava de minha imagina\u00e7\u00e3o pra brincar.<\/p>\n<p>Tinha um boneco do Falcon e um tempo depois do Super Homem e com eles criava hist\u00f3rias. Acho que isso ajudou muito para o que sou hoje.\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p>Outra coisa que me ajudou muito na minha forma\u00e7\u00e3o foi o lado cultural de minha fam\u00edlia. Minha av\u00f3 Lieida \u00e9 uma pessoa muito culta, que me levava a cinema, teatros, comprava livros para mim e eu adorava. Tenho um gosto musical diferente tamb\u00e9m. Eu acordava todas as manh\u00e3s com minha av\u00f3 ouvindo Julio Iglesias, Cauby Peixoto, \u00c2ngela Maria, Agnaldo Tim\u00f3teo&#8230; Eu odiava e reclamava muito, mas hoje quando ou\u00e7o algo desses artistas me comovo e tenho imenso carinho por eles. Hoje digo que minha av\u00f3 me deu forma\u00e7\u00e3o cultural e minha m\u00e3e me apresentou o amor.<\/p>\n<p>Voltando ao assunto da imagina\u00e7\u00e3o eu era grande f\u00e3 do seriado \u201cArma\u00e7\u00e3o Ilimitada\u201d que passou nos anos 80 na Rede Globo e no come\u00e7o de 1986 resolvi criar hist\u00f3rias em quadrinho da s\u00e9rie. Eram hist\u00f3rias pueris, inocentes, criadas por uma crian\u00e7a de nove anos, mas at\u00e9 que eu gostava e tinham qualidade pra uma crian\u00e7a daquela idade. Escrevi essas revistinhas at\u00e9 1988 e posso dizer que ali tudo come\u00e7ou. Vinte e cinco anos atr\u00e1s.\u00a0 <\/p>\n<p>Em 1989 comecei a escrever pequenos roteiros com cinquenta, sessenta folhas escritas a m\u00e3o. A galera do col\u00e9gio gostava e sempre pediam pra ler, minhas reda\u00e7\u00f5es faziam sucesso tamb\u00e9m, mas eu ainda n\u00e3o tinha visto isso como voca\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m gostava de escrever m\u00fasicas, mas a primeira m\u00fasica que escrevi e lembro at\u00e9 hoje vem de 1991, quando me apaixonei por uma menina do col\u00e9gio que sou amigo at\u00e9 hoje. Mas a m\u00fasica \u00e9 muito ruim e ningu\u00e9m nunca, nem ela, ouvir\u00e1. Apesar dela saber que a primeira m\u00fasica que fiz na vida foi para ela e se honrar disso.<\/p>\n<p>Mudei-me pro Mato Grosso em 1992 e fiquei l\u00e1 at\u00e9 1995. Nesse per\u00edodo escrevi alguns desses roteiros e algumas m\u00fasicas. Infelizmente tanto os roteiros quanto as revistinhas da Arma\u00e7\u00e3o Ilimitada se perderam na viagem de volta ao Rio, assim como fotografias. Tenho poucas fotos de quando era crian\u00e7a. Esse caso as vezes at\u00e9 ajuda, pois me livra dessa vergonha de me verem crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Aos poucos abandonei os roteiros e me dediquei \u00e0 m\u00fasica. Escrevia rock e sonhava em ter uma banda, mas nunca aconteceu nada at\u00e9 que em 1997 houve a hist\u00f3ria que j\u00e1 contei muitas vezes aqui sobre ver na coluna de um jornal di\u00e1rio a entrega do enredo \u201cFatumbi, a Ilha de Todos os Santos\u201d da Uni\u00e3o da Ilha pro carnaval 1998. Vi no samba uma oportunidade de exercer minha escrita, mostrar para os outros o que eu escrevia e isso vai fazer quinze anos ano que vem. Considero marco inicial da minha vida como escritor a data de 19 de julho de 1997 quando pela primeira vez fui a uma quadra de escola de samba apresentar um samba concorrente.<\/p>\n<p>Primeira vez que algo que escrevi foi a p\u00fablico. Apesar que em 1996 escrevi um artigo que o jornal Ilha Not\u00edcias gostou e publicou. Deu orgulho ler o jornal no domingo e ver minha coluna. Nunca abandonei de vez os textos, o meu lado contador de hist\u00f3rias. Escrevi um livro em 1998, outro em 2001, os quais salvei em disquetes que se deterioraram com o tempo. Ent\u00e3o nesse ano de 2011 resolvi refazer esse de 2001 e ficou muito melhor.<\/p>\n<p>Fiz esse, terminei mais um e estou escrevendo um terceiro em um ano altamente produtivo como compositor, onde ganhei tr\u00eas sambas de enredo, inclusive na Uni\u00e3o da Ilha, exerci meu lado escritor com tr\u00eas livros e virei pela primeira vez colunista de um blog.<\/p>\n<p>Esse, o Ouro de Tolo. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o posso negar que o lado escritor que me deu mais dividendos e orgulho at\u00e9 hoje foi o samba. Eu era conhecido pela fam\u00edlia de minha m\u00e3e e amigos da fam\u00edlia por Aloisinho, j\u00e1 que tenho o mesmo nome do meu av\u00f4, o &#8216;coronel&#8217; Villar e meu tio Junior e pela fam\u00edlia de meu pai e amigos dele era chamado de Chininha, devido ao apelido de meu pai: China.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao samba deixei de ser Aloisinho, Chininha e virei Aloisio Villar. Esse \u00e9 o nome com o qual assino meus sambas. O mesmo nome de meu av\u00f4 e meu tio, escolhendo o sobrenome materno para nome art\u00edstico. Sempre gostei do nome Villar.<\/p>\n<p>E foi assim que as pessoas me acompanharam desde 1997. Acompanharam meu crescimento como pessoa e compositor, minhas vit\u00f3rias, derrotas e empates &#8211; j\u00e1 que virou moda no samba.<\/p>\n<p>Costumo dizer que o Aloisio Villar \u00e9 o meu melhor personagem criado at\u00e9 hoje, porque como eu disse aqui antes eu sempre fui p\u00e9ssimo nos esportes, o \u00faltimo sempre a ser escolhido, sempre fui t\u00edmido de sentar na \u00faltima cadeira e n\u00e3o ser muito de papo, n\u00e3o brincava muito na rua e quando ia me zoavam, n\u00e3o tinha jeito nenhum com mulheres.<\/p>\n<p>Todos os meus projetos, todas as id\u00e9ias que tive, como abrir um fliperama, um bar com minha m\u00e3e, mesmo montar um clubinho com as crian\u00e7as da rua ou me filiar no PDT pra ser candidato a vereador deram errado. O meu primeiro e \u00fanico projeto que deu certo foi o de compositor de samba-enredo, o Aloisio Villar.<\/p>\n<p>Porque eu olho pra tr\u00e1s hoje e sinto orgulho de tudo que constru\u00ed no samba, de tudo que ele me deu e me proporcionou. Virei adulto dentro do samba, conheci alguns dos meus melhores amigos dentro do samba. No samba deixei de ser t\u00e3o t\u00edmido e j\u00e1 n\u00e3o fui t\u00e3o rejeitado por mulheres. O samba me mudou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das vit\u00f3rias, que n\u00e3o eram t\u00e3o comuns em minha vida na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Fiz 86 sambas de enredo pra escolas de samba at\u00e9 hoje com 54 finais e 27 vit\u00f3rias e consegui vencer nas escolas que sonhava. Somando sambas para bloco e sambas de terreiro foram mais 25 disputas: 22 finais e 9 vit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ganhei os maiores pr\u00eamios do carnaval: o Estandarte de Ouro e o S@mbaNet. N\u00e3o posso usar agora de falsa humildade e falar que essa carreira n\u00e3o est\u00e1 dando certo. A falsa humildade \u00e9 pior que a arrog\u00e2ncia porque ela \u00e9 usada para enganar os outros e n\u00e3o reconhecer que tenho um rumo vitorioso \u00e9 tratar com desd\u00e9m tudo que consegui at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Que \u00e9 pouco, quero muito mais.<\/p>\n<p>N\u00e3o me considero um cara marrento, mascarado, metido. Acho que trato bem a todos e sei reconhecer quando se saem melhor que eu, o que n\u00e3o \u00e9 raro de ocorrer. Sei de minhas limita\u00e7\u00f5es como ser humano e como escritor e por isso sei das minhas qualidades tamb\u00e9m. Conhecer suas qualidades e defeitos \u00e9 um bom passo pra alcan\u00e7ar um objetivo. E meus objetivos s\u00e3o ambiciosos como escritor e na vida. Quero transformar aquele garoto t\u00edmido e solit\u00e1rio que escrevia revistas em quadrinhos em um cara vitorioso e feliz.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque qual a gra\u00e7a dessa vida se n\u00e3o \u00e9 tentar ser feliz?<\/p>\n<p>Bem, esse sou eu, espero n\u00e3o ter desapontado. Sou passional, sou visceral, quando amo eu amo mesmo, quando estou triste sofro. Choro quando estou feliz, quando estou triste, sou aquele que posso ser seu melhor amigo, seu melhor amor e te surpreender em um gesto de carinho como posso falhar com aqueles que mais amo.<\/p>\n<p>Ir\u00f4nico, sarc\u00e1stico, debochado, explosivo que sabe ofender e ferir como ningu\u00e9m com palavras, amoroso, carinhoso, rom\u00e2ntico. , mal humorado, bem humorado&#8230; mil pessoas em uma s\u00f3, uma metamorfose ambulante.<\/p>\n<p>Prazer, meu nome \u00e9 aloisinho, chininha&#8230; Aloisio Villar.<\/p>\n<p>Orun Ay\u00e9!<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo, mais uma coluna &#8220;Orun Ay\u00e9&#8221;, assinada pelo compositor Alo\u00edsio Villar (\u00e0 direita na foto). 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