{"id":11217,"date":"2011-12-16T04:42:00","date_gmt":"2011-12-16T06:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/sobretudo-fogueiras-e-privatarias\/"},"modified":"2011-12-16T04:42:00","modified_gmt":"2011-12-16T06:42:00","slug":"sobretudo-fogueiras-e-privatarias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/sobretudo-fogueiras-e-privatarias\/","title":{"rendered":"Sobretudo &#8211; &quot;Fogueiras e Privatarias&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-wlhXql6vDD0\/Tupzm08gSCI\/AAAAAAAAEE0\/sqWsxersw7E\/s1600\/5424burro.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/5424burro.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesta sexta, <b>a coluna &#8220;Sobretudo&#8221;, do publicit\u00e1rio Affonso Romero<\/b>, traz um dos melhores textos sobre o livro &#8220;A Privataria Tucana&#8221;, lan\u00e7ado recentemente. Indispens\u00e1vel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O leitor deve estar estranhando a imagem. O que faz o burro do Shrek em um texto sobre um livro e sobre a imprensa? O leitor entender\u00e1.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><i>Fogueiras e Privatarias<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Eu n\u00e3o li o livro do Amaury. Come\u00e7o a coluna fora da ordem natural e do encadeamento l\u00f3gico do texto. Vou logo naquilo que \u00e9 mais importante: n\u00e3o li, n\u00e3o posso ser acusado de nada.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dito isso, voltemos ao come\u00e7o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Li sim, ao longo de tr\u00eas viagens de trem, uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista Superinteressante (Ed. Abril) que foi lan\u00e7ada em outubro sob o t\u00edtulo de <i>\u201cOs Maiores Erros da Humanidade \u2013 39 decis\u00f5es que n\u00e3o dever\u00edamos ter tomado\u201d<\/i>. Recomendo. Leve, divertida, despretensiosa, em linguagem bem coloquial como \u00e9 t\u00edpico na revista.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De quebra, colecionei assunto para um sem-n\u00famero de novas colunas, a maioria das quais lamentarei muito n\u00e3o ter tempo para escrever. Entretanto, uma das mat\u00e9rias me estimulou especialmente esta semana. \u00c0 p\u00e1gina 32, a revista aponta um dos piores erros da Hist\u00f3ria: a censura.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fator de atraso na dissemina\u00e7\u00e3o da cultura e da ci\u00eancia, instrumento da for\u00e7a bruta contra a intelig\u00eancia, abrigo dos covardes, mecanismo de afirma\u00e7\u00e3o dos manipuladores, a proibi\u00e7\u00e3o e o constrangimento da livre manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento alheio jamais trouxe algo de bom para qualquer sociedade. Mas, ao contr\u00e1rio do que poderia nos levar a pensar a onda contempor\u00e2nea do politicamente correto, muita gente boa j\u00e1 embarcou nessa ideia que, afinal, est\u00e1 enraizada no modus operandi humano desde antes de seus primeiros registros \u2013 que devem ter sido varridos das estantes da Hist\u00f3ria pelos censores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00f3crates &#8211; o fil\u00f3sofo &#8211; morreu de cicuta mais de 24 s\u00e9culos antes de S\u00f3crates &#8211; o boleiro &#8211; ter morrido de cirrose. Ambos eram craques da pol\u00eamica e contesta\u00e7\u00e3o, ambos morreram pela boca, mas s\u00f3 ao primeiro coube o castigo de ser obrigado a ingerir o veneno que o matou. Seu crime teria sido ofender a religi\u00e3o e os costumes dos gregos, aqueles mesmos gregos chamados de \u201cpais da democracia\u201d. O curioso \u00e9 que seu mais conhecido seguidor, Plat\u00e3o, codificou e imortalizou as ideias do mestre, mas contraditoriamente tamb\u00e9m se transformou em defensor da censura.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Correu pelo tempo e pelo mundo a mania tir\u00e2nica de contrapor ideias e argumentos com brutalidade. Da China antiga, em que aqueles que possu\u00edssem livros podiam ser castrados ou enviados como escravos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Grande Muralha, at\u00e9 o p\u00f3s-modernismo intern\u00e9tico, onde sua morte numa rede social pode ser decretada por um autointitulado mediador, o homem convive e at\u00e9 apoia a censura em toda parte, de todas as formas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A prensa de Guttemberg, que tornou o livro a primeira potencial <i>&#8216;mass media&#8217;<\/i> do universo, deveria ter trazido a verdadeira luz do conhecimento \u00e0 humanidade. Mas, por muito tempo, mais luz foi produzida nas fogueiras do que nas bibliotecas. Queimaram-se livros como se fossem bruxas, bruxas como se fossem gatos, gatos como se fossem a peste, gente como se fosse&#8230; gente.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o houve transforma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, revolu\u00e7\u00e3o de costumes, afirma\u00e7\u00e3o de direitos, avan\u00e7o social, compreens\u00e3o da exist\u00eancia que n\u00e3o tenha sido produzida \u00e0s custas de gente chamuscada. No m\u00ednimo, em sua credibilidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A fogueira quase sempre piramidal, formada por um pouco de madeira, combust\u00edvel e v\u00edtimas foi bastante comum desde a Idade M\u00e9dia, invadindo o s\u00e9culo XX, alimentada por inimigos e livros. E livros inimigos, principalmente. Esta \u00e9 a fogueira tradicional, aquela tantas vezes utilizada pela Inquisi\u00e7\u00e3o e pelo genoc\u00eddio nazista \u2013 um genoc\u00eddio que, antes de assassinar gente, tratou de eliminar ideias. J\u00e1 no s\u00e9culo XIX o poeta alem\u00e3o Heinrich Heine escreveu que \u201conde se queimam livros, acabam queimando seres humanos\u201d, mas seus compatriotas n\u00e3o entenderam a mensagem &#8211; e deu no que deu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A fogueira agora \u00e9 diferente. J\u00e1 n\u00e3o pega bem o cheiro de carne humana e o desperd\u00edcio de papel, deve ter rela\u00e7\u00e3o com o efeito estufa, sei l\u00e1 eu. Ao contr\u00e1rio, o manual do censor &#8216;modernete&#8217; ensina que \u00e9 prefer\u00edvel tacar a pecha de antidemocr\u00e1tico e brutal no opositor. A censura come\u00e7a pela desarticula\u00e7\u00e3o e descr\u00e9dito daquele que apresenta conceitos dissidentes da ordem geral, ou do previamente esperado dentro de um determinado grupo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Imagine o amigo leitor um sujeito hipot\u00e9tico nascido e criado nos Estados Unidos que se declare socialista e fundamentalista isl\u00e2mico? \u00c9 preciso queimar este sujeito, ou algo que ele tenha escrito? N\u00e3o, basta trata-lo publicamente como maluco, desqualifica-lo, desarticular seu discurso pela simples exposi\u00e7\u00e3o caricata. Todos n\u00f3s fazemos isso, por pilh\u00e9ria ou maldade pontual, desde os tempos do jardim de inf\u00e2ncia. O que mudou?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A sistematiza\u00e7\u00e3o, a transforma\u00e7\u00e3o em m\u00e9todo, em avalanche do poder combinado de m\u00eddia de massa (sempre relacionado a dinheiro alto) e interesses de manuten\u00e7\u00e3o do status quo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por isso eu me apressei em declarar que n\u00e3o li o livro do Amaury. O sujeito \u00e9 um maluco, um criminoso, um outsider, certo? Bem, at\u00e9 a \u00e9poca da campanha eleitoral, ele era um jornalista com passagem por grandes reda\u00e7\u00f5es e v\u00e1rios pr\u00eamios conquistados com reportagens investigativas. Mas ele passou a investigar os caciques tucanos? Ah, ent\u00e3o certamente \u00e9 um louco de carteirinha. Afinal, qualquer foca sabe que, na grande imprensa, apenas petistas e seus aliados merecem investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>[N.do.E.: a entrevista abaixo com o autor do livro \u00e9 bastante did\u00e1tica]<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div> <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Amaury Ribeiro Jr responde a processo por suposta montagem de dossi\u00ea pol\u00edtico contra Jos\u00e9 Serra. Em sua defesa preliminar, Amaury sustentou que a investiga\u00e7\u00e3o que fazia em 2010 n\u00e3o tinha liga\u00e7\u00e3o com a campanha, mas com um livro que viria a publicar. Riram da cara dele, disseram que era desculpa esfarrapada.<\/p>\n<p>O livro est\u00e1 a\u00ed, publicado e com a primeira edi\u00e7\u00e3o esgotada em apenas um dia, apesar de eu n\u00e3o ter lido, e fazer quest\u00e3o de explicitar isso. Mas o livro n\u00e3o era desculpa, ele existe. E parece que a defesa feita pelo autor, \u00e0 \u00e9poca das acusa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais responde, era verdadeira.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para Jos\u00e9 Serra, Amaury \u00e9 um desqualificado, um criminoso. Apesar de estar respondendo por um crime de opini\u00e3o, ao que tudo indica. Ele responde por investigar suspeitos, que \u00e9 a sua profiss\u00e3o. Mas para Serra isso torna Amaury um criminoso.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o faz de Ver\u00f4nica Serra, sua filha, que \u00e9 acusada das mesmas coisas, uma criminosa igual. Pois \u00e9, Ver\u00f4nica Serra tamb\u00e9m responde a processo pela mesma acusa\u00e7\u00e3o. Mas Ver\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 jornalista nem escreveu livros. E mesmo que tivesse escrito, eu n\u00e3o teria lido.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Muitos n\u00e3o leram o <i>\u201cA Privataria Tucana\u201d<\/i>, o livro do Amaury, simplesmente porque n\u00e3o souberam dele. A chamada grande imprensa se calou. Apenas ontem, seis dias depois do lan\u00e7amento, a Folha de S\u00e3o Paulo noticiou sua exist\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Durante a campanha presidencial, as suspeitas sobre o autor, e que poderiam respingar sobre o comit\u00ea de Dilma, foram manchete em todos os grandes \u00f3rg\u00e3os impressos e todos os telejornais. Mas o livro com o conte\u00fado daquilo que o jornalista investigava n\u00e3o teria, na opini\u00e3o desta mesma midia, import\u00e2ncia igual. N\u00e3o deram nada. Nem cr\u00edtica, nem cita\u00e7\u00e3o. Nada. Sil\u00eancio sepulcral, c\u00famplice, constrangedor, intimidador, revelador e, por fim, confessional.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As grandes empresas de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparecem no livro como personagens beneficiadas pelo esquema privatista. \u00c9 o que dizem as resenhas independentes na internet, as esparsas manifesta\u00e7\u00f5es dos grupos minorit\u00e1rios Record\/Universal e Gazeta. Isso explicaria muita coisa, desde este sil\u00eancio sobre o livro at\u00e9 a postura editorial seletiva nos \u00faltimos anos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A mat\u00e9ria da Folha revela um pouco um dos motivos do sil\u00eancio: \u00e9 calar-se ou fazer o leitor de tonto. A Folha, depois de claudicar quase uma semana, marcou x na segunda op\u00e7\u00e3o. Se bem que, na maioria dos casos dos leitores da Folha, a avalia\u00e7\u00e3o do jornal sobre eles nem \u00e9 injusta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dois trechos da mat\u00e9ria no site do jornal:\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>\u201cO livro mostra que uma empresa controlada pelo empres\u00e1rio Carlos Jereissati nas Ilhas Cayman repassou US$ 410 mil para Ricardo S\u00e9rgio de Oliveira, ex-diretor da \u00e1rea internacional do Banco do Brasil e amigo de Serra. Segundo os documentos apresentados pelo livro, a transfer\u00eancia foi feita dois anos depois do leil\u00e3o em que um grupo controlado por Jereissati arrematou o controle da antiga Telemar. <b>Mas o livro n\u00e3o exibe prova de que a transa\u00e7\u00e3o tenha algo a ver com Serra e a privatiza\u00e7\u00e3o<\/b>.\u201d\u00a0<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>\u201cO livro sustenta que amigos e parentes de Serra mantiveram empresas em para\u00edsos fiscais e as usaram para movimentar milh\u00f5es de d\u00f3lares entre 1993 e 2003, <b>mas n\u00e3o oferece nenhuma prova de que esse dinheiro tenha rela\u00e7\u00e3o com as privatiza\u00e7\u00f5es<\/b>.\u201d\u00a0<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O que a Folha pretende? Passar recibo de idiota?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Seja o que for, apenas a Folha e o pr\u00f3prio Serra, at\u00e9 agora, assumiram estar num mundo em que provas contundentes s\u00e3o cal\u00fanias inconclusivas. Os outros preferiram se calar.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Jornal da Gazeta do dia 12 de dezembro, o comentarista pol\u00edtico Bob Fernandes falou mais sobre a postura inaceit\u00e1vel da imprensa.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<p><\/p>\n<div>O texto pode ser lido em:\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/filosomidia.blogspot.com\/2011\/12\/jornal-da-gazeta-e-record-news-falam.html\">http:\/\/filosomidia.blogspot.com\/2011\/12\/jornal-da-gazeta-e-record-news-falam.html<\/a> <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Repito: eu n\u00e3o li o livro do Amaury. Temo ser tratado como um lun\u00e1tico, um dissidente merecedor de gullag. Investiga\u00e7\u00f5es? Ora, apenas contra o PT. Contra o Serra, contra o cacicado tucano? Ora, eles nem merecem os holofotes, certo? Por que investigar quem j\u00e1 nem est\u00e1 no poder? Por que tentar mostrar que aqueles que apontam dedos acusadores contra a corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais corruptos, em muitos casos teriam montado os esquemas que agora denunciam? Tolice, perda de tempo.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 porque, quem tentou comprar o livro n\u00e3o conseguiu. Segundo a vers\u00e3o oficial, mesmo sem nenhuma divulga\u00e7\u00e3o, vendeu toda a tiragem em um \u00fanico dia. Eu presenciei gerentes de livraria afirmando de p\u00e9s juntos, no domingo, dois dias depois do lan\u00e7amento, que nem sabiam do que se tratava.<\/p>\n<p>Grandes redes de livrarias, coisas gigantes, propriedades de mega-empres\u00e1rios da cultura paulista. N\u00e3o viram, nem passou pela prateleira. Olhos esbugalhados, alguns iam conferir nos terminais de computadores. Estava l\u00e1, estoques existentes, prateleiras vazias. Um mist\u00e9rio total. H\u00e1 vers\u00f5es de compras a atacado feitas por pessoas apressadas. H\u00e1 relatos de press\u00f5es feitas por telefone a livreiros e editores. Deve ser tudo mentira, assim como as acusa\u00e7\u00f5es e provas contidas no livro.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o li <i>\u201cA Privataria Tucana\u201d<\/i>. H\u00e1 uma segunda edi\u00e7\u00e3o agora, mais 80 mil exemplares. Talvez n\u00e3o d\u00ea para esconder na prateleira, talvez n\u00e3o d\u00ea para deixar de entregar para quem j\u00e1 comprou pela internet, talvez n\u00e3o d\u00ea para a grande imprensa ignorar um livro que o boca-a-boca da internet fez chegar ao topo das listas dos mais vendidos.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Houve um tempo em que o Estad\u00e3o publicava receitas culin\u00e1rias no espa\u00e7o reservado para as mat\u00e9rias censuradas pela ditadura militar. Talvez eu n\u00e3o tenha mesmo tempo para ler \u201cA Privataria Tucana\u201d, de Amaury Ribeiro Jr, Gera\u00e7\u00e3o Editorial, 2011. \u00c9 que eu acabei de adquirir uma edi\u00e7\u00e3o de Receitas da Dona Benta, e isso deve me consumir todo tempo vago daqui at\u00e9 o final do ano.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Talvez eu fa\u00e7a como muitos jovens emplumados, compre v\u00e1rios exemplares, e jogue-os numa fogueira. Porque a chama da censura arde, mas a luz brilha no final do t\u00fanel. <i>[N.do.E.: a luz da lanterna do carcereiro?]<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta, a coluna &#8220;Sobretudo&#8221;, do publicit\u00e1rio Affonso Romero, traz um dos melhores textos sobre o livro &#8220;A Privataria Tucana&#8221;, lan\u00e7ado recentemente. Indispens\u00e1vel. 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