{"id":11212,"date":"2011-12-20T11:16:00","date_gmt":"2011-12-20T13:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/bissexta-trinta-anos-esta-noite\/"},"modified":"2011-12-20T11:16:00","modified_gmt":"2011-12-20T13:16:00","slug":"bissexta-trinta-anos-esta-noite","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/bissexta-trinta-anos-esta-noite\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; &quot;Trinta Anos Esta Noite&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-AJNxEQIDDuU\/Tueu1kxHCBI\/AAAAAAAAEEs\/uL3CoGCPdgo\/s1600\/flamengo+campeao+mundial+1981+%252856%2529.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/flamengo+campeao+mundial+1981+%252856%2529.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Fechando a nossa trilogia de posts sobre o &#8220;13 de dezembro&#8221;, <b>a coluna Bissexta, do advogado Walter Monteiro<\/b>, traz mais uma vis\u00e3o de 13 de dezembro de 1981, o dia em que o Flamengo colocou o mundo aos seus habilidosos p\u00e9s.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ainda farei aqui a resenha dos tr\u00eas livros que foram lan\u00e7ados em comemora\u00e7\u00e3o a esta data rubro negra, proximamente. <\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>Trinta Anos Esta Noite<\/b><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quem j\u00e1 estava aqui n\u00e3o esquece. Quem ainda n\u00e3o estava certamente n\u00e3o compreende. Mas em 1981 vencer o Mundial n\u00e3o era como hoje. Ali\u00e1s, foi a partir dali que vencer o Mundial se tornou poss\u00edvel. Mais do que isso, para os recalcados, invejosos e menos afortunados, vencer o Mundial se tornou uma obsess\u00e3o.<\/div>\n<div>Ok, o Santos havia triunfado duplamente, em 1962 e 1963. Mas, convenhamos, era algo inteiramente at\u00edpico. Primeiro, porque havia Pel\u00e9 &#8211; e Pel\u00e9, convenhamos, n\u00e3o \u00e9 humano. Segundo, porque o t\u00edtulo era disputado em jogos de ida e volta e assim o Santos teve a chance de disputar o t\u00edtulo no Maracan\u00e3 com o apoio de toda a torcida brasileira, f\u00e3 incondicional de um Rei que havia aniquilado o nosso complexo de vira-latas. <\/div>\n<div>Era voz corrente no Brasil que a Libertadores era um torneio para eles: os hisp\u00e2nicos. A TV mal transmitia as partidas, os \u00e1rbitros roubavam descaradamente, as equipes eram agredidas, os est\u00e1dios inseguros, os campos sofr\u00edveis. Tudo desculpa de perdedor, como o Flamengo provou na sua primeira participa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A supremacia rubro-negra sobre seus rivais pode parecer algo natural para as gera\u00e7\u00f5es atuais, mas nem sempre foi assim. Embora senhor absoluto das arquibancadas e dos cora\u00e7\u00f5es brasileiros, em campo o Flamengo ainda n\u00e3o era t\u00e3o hegem\u00f4nico. O Botafogo tinha mais vit\u00f3rias sobre o Flamengo (quem diria, o Flamengo um dia j\u00e1 foi \u201cfregu\u00eas\u201d do Botafogo). O Fluminense tinha mais t\u00edtulos estaduais (ainda que a diferen\u00e7a fosse fruto de torneios disputados antes de 1912, data em que o Flamengo montou seu primeiro time de futebol).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A mar\u00e9 come\u00e7ou a virar em 1978, quando o Flamengo se sagrou campe\u00e3o estadual, com o famoso gol de Rondinelli nos instantes finais. A partir da\u00ed, foram anos de ouro, alegrias ininterruptas at\u00e9 a sa\u00edda de Zico.<\/div>\n<div>Mas 1981 foi m\u00e1gico. Deliciosamente m\u00e1gico. Todo aquele bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1 de que para vencer a Libertadores \u00e9 preciso ter experi\u00eancia, catimba, for\u00e7a e golpes baixos, foi desmentido em 14 jogos. At\u00e9 porque uma Libertadores, vez por outra, pode ser vencida por um Once Caldas, Ol\u00edmpia ou Vasco da Gama.<\/p>\n<p>Acontece&#8230;Mas vencer uma Libertadores na base do talento e entrar para a hist\u00f3ria \u00e9 para poucos. Algu\u00e9m se lembra do time do Cruzeiro campe\u00e3o? Pois \u00e9&#8230;<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Flamengo de 1981 foi um divisor de \u00e1guas do futebol brasileiro. Um time inesquec\u00edvel, onde jogador botinudo n\u00e3o se atrevia a cruzar os port\u00f5es da G\u00e1vea. Ali s\u00f3 tinha vaga para quem entendia do riscado, para quem sabia estar reescrevendo a hist\u00f3ria provando que \u00e9 poss\u00edvel vencer, convencer e encantar.<\/div>\n<div>E depois o Jap\u00e3o. O Liverpool, a quem o Flamengo iria enfrentar, havia vencido tr\u00eas das cinco \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es da Champions League (e depois ainda venceria mais uma). Esse feito nunca mais foi repetido, nem mesmo os Barcelonas, Real Madrids, Manchesters e Internazionales entupidos de astros conseguiram chegar perto da fa\u00e7anha dos homens da terra dos Beatles. Logo, n\u00e3o era qualquer um que nos esperava.<\/div>\n<div>E o Flamengo? Quem olha para o passado pode ter a impress\u00e3o de que estavam em campo monstros sagrados, nomes incontest\u00e1veis, a nata do futebol brasileiro. Mas at\u00e9 1981 as coisas n\u00e3o eram bem assim&#8230;veterano de verdade s\u00f3 o goleiro Raul.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O ponta esquerda Lico tinha completado 30 anos e era a refer\u00eancia de experi\u00eancia. Mozer tinha 21 anos, Leandro 22, Tita 23, Andrade 24, Junior e Ad\u00edlio 25. Marinho, Nunes e Zico, um pouco mais velhos, tinham 26, 27 e 28 anos. S\u00f3 Zico havia disputado uma Copa do Mundo. O t\u00e9cnico, Carpegiani, que fora inscrito na Libertadores como jogador e terminou como treinador, tinha apenas 32 anos e dirigia seu primeiro time. <\/div>\n<div>Apesar disso, ningu\u00e9m tinha complac\u00eancia com a equipe ou tratava aqueles jovens como um time de garotos. Eram homens feitos, sem chances de refastelarem-se nas esb\u00f3rnias que a boleirada de hoje em dia se esbalda.<\/div>\n<div>E fizeram hist\u00f3ria. Uma hist\u00f3ria de amor, \u00e9pica, her\u00f3ica. O Flamengo sempre foi grande, mas foi ali que se tornou majestoso, inating\u00edvel. A Na\u00e7\u00e3o Rubro-Negra, que j\u00e1 era enorme, se multiplicou. Quem n\u00e3o era Flamengo amaldi\u00e7oava o destino por ter feito escolhas erradas. Quem era Flamengo se tornava cada vez mais orgulhoso de si mesmo. O clube seguiu vencendo, conquistou mais e mais campeonatos, viveu tempos sombrios, voltou a triunfar, mas o que realmente importa \u00e9 que a paix\u00e3o se manteve intacta e a Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o parou mais de crescer. <\/div>\n<div>1981 partiu em dois a hist\u00f3ria dos clubes brasileiros. Antes eram as trevas, s\u00f3 as disputas regionais contavam. Depois de 1981 o Flamengo trouxe a luz. Conquistar a Am\u00e9rica e depois o Mundo passou a ser a prioridade dos rivais, em busca de igualar nosso feito. Alguns conseguiram, \u00e9 fato. E n\u00f3s ainda devemos o nosso bis. Mas ningu\u00e9m nos tira a honra de sermos os pioneiros a mostrar ao Brasil o valor da estrela dourada em cima do escudo. Todo flamenguista, tenha 8 ou 80 anos, sente a emo\u00e7\u00e3o como se estivesse em T\u00f3quio naquele dia m\u00e1gico. <\/div>\n<div>Um dia voltaremos a ganhar o Mundial. M\u00faltiplos Mundiais, talvez. Mas nenhum ser\u00e1 igual ao de 1981, o ano em que cantamos ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro. <\/div>\n<div>Ricos, pobres, negros, brancos, cariocas, nordestinos, paulistanos, sulistas, nortistas, brasileiros, doutores, analfabetos, gordos, magros, b\u00eabados, abst\u00eamios, crist\u00e3os, judeus, mu\u00e7ulmanos, budistas, ateus, direitistas, esquerdistas, monoglotas, poliglotas, belos, feios, todos unidos pela \u00fanica causa que lhes \u00e9 universal: acima de tudo, Rubro-Negros. Conte conosco, Meng\u00e3o. N\u00f3s sempre te amaremos!<\/div>\n<div>30 anos \u00e9 muito tempo? Talvez para os outros. Para n\u00f3s n\u00e3o. Celebremos trinta anos essa noite, trinta anos todas as noites. Os sonhos n\u00e3o envelhecem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Jamais.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fechando a nossa trilogia de posts sobre o &#8220;13 de dezembro&#8221;, a coluna Bissexta, do advogado Walter Monteiro, traz mais uma vis\u00e3o de 13 deTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[42,37],"class_list":["post-11212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bissexta","tag-flamengo","tag-futebol"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11212\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}