{"id":11166,"date":"2012-01-30T07:17:00","date_gmt":"2012-01-30T09:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/01\/bissexta-o-momento-e-da-cerveja\/"},"modified":"2012-01-30T07:17:00","modified_gmt":"2012-01-30T09:17:00","slug":"bissexta-o-momento-e-da-cerveja","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/01\/bissexta-o-momento-e-da-cerveja\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; &quot;O Momento \u00e9 da Cerveja&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-X9hT4oiweCI\/Tw5Aj0IHPcI\/AAAAAAAAEQE\/edahslO_6QU\/s1600\/CERVEJAS.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"546\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/CERVEJAS.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nesta segunda feira, <b>temos mais uma coluna &#8220;Bissexta&#8221;, de autoria do advogado Walter Monteiro<\/b>. O tema de hoje \u00e9 a cerveja, em artigo onde, confesso, discordo da primeira \u00e0 \u00faltima linha &#8211; e que ser\u00e1 tema de post quando retornar ao Rio de Janeiro, ainda esta semana.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Somente lembro aos leitores que o mercado de cerveja de massa e o de cervas especiais \u00e9 complementar, n\u00e3o excludente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><i>O Momento \u00e9 da Cerveja<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O especialista em cerveja, claro, \u00e9 o Editor Chefe, que regularmente nos brinda com artigos sobre o tema. Embora eu tenha trabalhado para a ind\u00fastria cervejeira por quase 10 anos, o meu conhecimento t\u00e9cnico \u00e9 bem rasteiro. Minhas observa\u00e7\u00f5es se restringem ao que percebo ao meu redor.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tenho uma casa em Canela, na Serra Ga\u00facha, onde costumo passar os finais de semana. Como muita gente anda escolhendo o local para f\u00e9rias (inclusive o pr\u00f3prio Editor me visitou ontem l\u00e1 no meu ref\u00fagio, pelo menos era o previsto), o artigo serve como mini dicas, embora a ideia, insisto, seja falar de cervejas.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Voltei a um local que gosto muito, EMPORIO CANELA, pertinho da famosa Catedral de Pedra. Sempre que vou l\u00e1 me contento com capuccinos e chocolates quentes, mas o calor incomum que assolava a cidade me animou a pedir cerveja. J\u00e1 me assustei com o card\u00e1pio: dezenas de op\u00e7\u00f5es, cada uma mais estranha que a outra.  Escolhi uma qualquer, fiquei esperando.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao inv\u00e9s da cerveja veio um rapaz, com uniforme diferente dos demais gar\u00e7ons, vestindo uma camisa de uma importadora de cervejas. Achei que fosse uma esp\u00e9cie de sommelier de cervejas. Pediu desculpas, disse que n\u00e3o tinha a minha escolha, me sugeriu uma cerveja mineira, custava R$ 30,00. Aceitei. <i>[N.do.E.: era a Wals Trippel. Pagou caro]<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Trouxe um copo diferente: parecia aquelas antigas ta\u00e7as de champanhe antes de populariza\u00e7\u00e3o das flutes. Encheu o copo em um ritual estranho, girando a garrafa. Bebi tudo, mas achei forte, n\u00e3o quis repetir. Pedi uma mais leve. Ele me deu v\u00e1rias sugest\u00f5es. Fiquei com uma espanhola, de trigo, R$ 13,00. Veio outro copo estiloso, comprid\u00e3o, fino. Outro ritual na hora de servir, gra\u00e7as ao trigo, me explicou.  Com os 10%, eram quase R$ 50,00 e apenas duas cervejas long neck.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De noite fui em um bar estiloso que abriu perto da minha casa, BOTECO DO BILL. A Serra Ga\u00facha, como o Brasil inteiro sabe, \u00e9 um local conhecido como regi\u00e3o produtora de vinhos e o maior consumo per capita da bebida do pa\u00eds. No card\u00e1pio do bar novinho em folha, seis variedades de vinho importado, as mais \u00f3bvias poss\u00edveis, outras cinco de vinho nacional e olhe l\u00e1.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00e1 de cerveja&#8230;\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Bom, o card\u00e1pio come\u00e7a com uma pequena li\u00e7\u00e3o sobre a cerveja. Que continua no jogo americano das mesas. P\u00e1ginas e p\u00e1ginas de cerveja, para todos os gostos e bolsos, a maioria custando mais de R$ 50,00. At\u00e9 por R$ 130,00 tinha cerveja ali.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00f3 de chope eram 3 op\u00e7\u00f5es e nenhuma era Brahma ou Heineken. Um chope artesanal, feito exclusivamente para o bar, a irlandesa Guiness ou a brasileira Eisenbahn. Mesmo escolher entre os chopes n\u00e3o era t\u00e3o f\u00e1cil, porque eram diferentes tamanhos \u2013 e copos, claro, porque cada marca tinha o seu copo espec\u00edfico.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando eu era adolescente, nos long\u00ednquos anos 80, chique era beber u\u00edsque. O m\u00e1ximo da sofistica\u00e7\u00e3o era a pessoa chegar em um bar e comprar uma garrafa de scotch. Quanto mais antigo e caro, mais prest\u00edgio. Melhor que isso s\u00f3 a pessoa ter a sua pr\u00f3pria garrafa guardada no bar, com uma r\u00e9gua ao lado mostrando as doses que tinham sido consumidas e uma etiqueta assinada personalizando a garrafa. Me lembro que investi uma parte do meu sal\u00e1rio de advogado iniciante na compra de uma dessas garrafas, na esperan\u00e7a de impressionar algumas incautas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esses clubes de u\u00edsque nem existem mais <i>[N.do.E.: aqui no Rio ainda existem sim]<\/i>. E beber u\u00edsque em p\u00fablico e em grandes quantidades virou coisa de coroa ou de b\u00eabado. Se voc\u00ea \u00e9 jovem, ou ao menos pretende aparentar s\u00ea-lo, s\u00f3 deve beber u\u00edsque misturado com Red Bull.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depois foi a era do vinho. Aqueles vinhos alem\u00e3es doces, todos aqueles Beaujolais Noveau que a gente corria para comprar, todos aqueles vinhos de garraf\u00e3o que a gente comprava com os trocadinhos que sobravam e dividia alegremente para espantar o frio em S\u00e3o Louren\u00e7o, Minas Gerais, de uma hora para outra viraram sin\u00f4nimo da nossa ignor\u00e2ncia, caipirice e cafonice.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>H\u00e1 uns dez anos eu me meti em um curso de vinhos. J\u00e1 estava incomodado com o meu completo desconhecimento sobre o tema, n\u00e3o pegava bem deixar de reconhecer as diferen\u00e7as entre um cabernet franc e um shiraz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O curso n\u00e3o elevou tanto assim minha auto estima, porque enquanto meus colegas percebiam cheiros ex\u00f3ticos como pedra de isqueiro, capim molhado e xixi de gato, eu, pobrezinho, s\u00f3 conseguia diferenciar se o vinho tinha cheiro de madeira ou n\u00e3o, nada al\u00e9m disso. Ali\u00e1s, cheiro n\u00e3o, aroma.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esse curso, devo confessar, fez um mal danado ao meu bolso. Porque eu comecei  a gastar dinheiro pesadamente com vinhos caros. Pagava R$ 150,00 em uma garrafa como se fosse algo natural. Sempre que eu viajava tinha que comprar algumas garrafas de vinhos caros. Comprei uma adega, sob protestos da esposa, coloquei no meio da sala. E nada de sentir os tais aromas que me prometiam. Os vinhos, v\u00e1 l\u00e1, eram gostosos. Mas custavam o mesmo que uma gravata Herm\u00e9s, que eu acho car\u00edssima, mas pelo menos dura anos no meu arm\u00e1rio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Me libertei da adega, me libertei dos vinhos caros. Hoje, quando eu quero beber vinho, vou ao supermercado (sim, ao supermercado, porque nas lojas especializadas logo vem um chato me impregnar com a sua sabedoria) e procuro uma garrafa que custe no m\u00e1ximo R$ 40,00 e que tenha indica\u00e7\u00e3o clara de que foi envelhecida em barril. Afinal, se eu s\u00f3 sinto cheiro de madeira, faz sentido que eu escolha vinhos que tenham esse \u201caroma\u201d.  Se eu gosto do vinho, guardo o nome para pedi-lo em um restaurante.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 aqui a cerveja vinha resistindo com bravura ao esnobismo. Cerveja boa \u00e9 aquela \u201cmofada\u201d, em garrafa de 600 ml gelad\u00edssima, que a gente coloca naquele recipiente pl\u00e1stico para conservar a temperatura, tomada na cal\u00e7ada, de bermuda, chinelo e camisa do Meng\u00e3o, dividindo com os amigos, observando as mo\u00e7as que passam, discutindo pol\u00edtica e futebol.  Cerveja t\u00e3o gelada que nem d\u00e1 para sentir o gosto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ou ent\u00e3o aquela que a gente toma no bar de noite, long neck, que fica no baldinho, a banda tocando, a gente cantando junto. Ou ainda no churrasco, metendo a m\u00e3o no isopor, tomando direto da lata, uma atr\u00e1s da outra, escutando a roda de samba. Ou no Carnaval, comprada do ambulante, com restos de papel jornal usados para tampar o gelo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sempre adorei beber cerveja assim. Ser\u00e1 que agora, em plena meia idade, eu vou descobrir que estou bebendo errado? Que aquela latinha que custa R$ 3,00 \u00e9 o equivalente cervejeiro do Sangue de Boi?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao menos para mim, tarde demais. Vou logo avisando que se for para pagar uma fortuna em cerveja eu t\u00f4 fora, porque vinho eu  tomo \u00bd garrafa, u\u00edsque 2 doses, mas cerveja, quando eu bebo, \u00e9 para valer.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vou migrar para a cacha\u00e7a enquanto \u00e9 tempo, j\u00e1 que, suspeito, a pr\u00f3xima onda elitizadora vai mirar justamente a branquinha nossa de cada dia.\u00a0<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta segunda feira, temos mais uma coluna &#8220;Bissexta&#8221;, de autoria do advogado Walter Monteiro. 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