{"id":11165,"date":"2012-01-31T07:10:00","date_gmt":"2012-01-31T09:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/01\/historia-outros-assuntos-a-memoria-o-sagrado-e-o-encantamento-a-construcao-social-dos-regimes-autoritarios\/"},"modified":"2012-01-31T07:10:00","modified_gmt":"2012-01-31T09:10:00","slug":"historia-outros-assuntos-a-memoria-o-sagrado-e-o-encantamento-a-construcao-social-dos-regimes-autoritarios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/01\/historia-outros-assuntos-a-memoria-o-sagrado-e-o-encantamento-a-construcao-social-dos-regimes-autoritarios\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos: &quot;A Mem\u00f3ria, o Sagrado e o Encantamento: a constru\u00e7\u00e3o social dos regimes\u00a0autorit\u00e1rios&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-JaKYh95QOUk\/Txc0EvvSKwI\/AAAAAAAAERU\/a0gip-3QKQA\/s1600\/colaboracionismo+frances.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"448\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/colaboracionismo+frances.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nesta\u00a0ter\u00e7a feira, <b>mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, escrita pelo Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes.<\/b> No texto de hoje ele analisa a forma\u00e7\u00e3o de regimes autorit\u00e1rios, tendo especialmente o Estado Novo, o governo de Garrastazu M\u00e9dici e a ditadura de Pinochet como exemplos. Ressalvo que discordo das observa\u00e7\u00f5es sobre a pol\u00edtica econ\u00f4mica de Pinochet e sua estrutura de apoio &#8211; que desenvolverei em outro post.<\/p>\n<p><i><b>A Mem\u00f3ria, o Sagrado e o Encantamento: a constru\u00e7\u00e3o social dos regimes\u00a0autorit\u00e1rios<\/b><\/i><\/p>\n<p><i>&#8220;Mas somos, n\u00e3o sei como, duplos em n\u00f3s mesmos, o que faz com que n\u00e3o acreditemos no que acreditamos e n\u00e3o possamos nos desfazer do que condenamos&#8221; (Montagne)<\/i><\/p>\n<p>O t\u00edtulo desse post remete a uma variada mistura de assuntos sobre os quais venho lendo bastante nos \u00faltimos dias: a legitima\u00e7\u00e3o dos regimes autorit\u00e1rios, exemplificada na excelente cole\u00e7\u00e3o &#8220;A constru\u00e7\u00e3o social dos regimes autorit\u00e1rios: legitimidade, consenso e consentimento no s\u00e9culo XX&#8221;, organizada por Denise Rollemberg e Samantha Viz Quadrat &#8211; professoras da Universidade Federal Fluminense (UFF). <\/p>\n<p>A cole\u00e7\u00e3o, que abrange a Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia\/\u00c1frica e Europa, tem o prop\u00f3sito de analisar casos espec\u00edficos de ditaduras militares em diversos pa\u00edses &#8211; muitos os quais n\u00e3o temos muitas informa\u00e7\u00f5es justamente porque passam ao largo da grande m\u00eddia. Ou ent\u00e3o regimes autorit\u00e1rios que foram obliterados ao longo da hist\u00f3ria &#8211; seja porque a mem\u00f3ria dos vencedores prevaleceu, seja porque foram desqualificados como &#8220;vencidos&#8221; ou at\u00e9 mesmo politicamente n\u00e3o interessavam serem lembrados. <\/p>\n<p>O\u00a0double pense\u00e9, que Pierre Laborie j\u00e1 falara em seu c\u00e9lebre livro\u00a0&#8220;L\u00b4opinion fran\u00e7aise sous Vichy. Les Fran\u00e7ais et la crise d\u00b4identit\u00e9 nationale. 1936-1944&#8221;, acerca da invas\u00e3o alem\u00e3 na Fran\u00e7a, que acabou por originar a cria\u00e7\u00e3o do regime de Vichy &#8211; de influ\u00eancia nazista e comandado pelo general franc\u00eas Philippe\u00a0P\u00e9tain\u00a0&#8211; que se auto intitulava um\u00a0\u00c9tat Fran\u00e7ais, \u00e9 capaz de nos direcionar para a ambival\u00eancia dos muitos que se negaram a admitir os crimes de guerra cometidos por Hitler, com participa\u00e7\u00e3o deles mesmos, atores sociais envolvidos no colaboracionismo franc\u00eas durante a Segunda Grande Guerra. Fasc\u00ednio? Coer\u00e7\u00e3o? Manipula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O mesmo questionamento pode ser estendido \u00e0s demais ditaduras que o s\u00e9culo XX vivenciou e o alvorecer deste s\u00e9culo XXI ainda insiste em experimentar. Ditaduras de esquerda e de direita &#8211; se bem que particularmente estes conceitos (direita, esquerda) estejam, no meu entender, ultrapassados. <\/p>\n<p>Ainda persiste a id\u00e9ia de que ditaduras s\u00e3o implementadas \u00e0 for\u00e7a e a plebe manipulada. N\u00e3o precisamos ir t\u00e3o longe para exemplificar isso: no Brasil do Estado Novo (1937-1945), Get\u00falio Vargas foi o ditador (dubl\u00ea de presidente) que massacrou opositores com sua pol\u00edcia pol\u00edtica, comandada por Filinto Muller, e os desfiles de 1 de maio nos est\u00e1dios do Pacaembu (SP) e S\u00e3o Janu\u00e1rio (RJ) nada mais eram do que imposi\u00e7\u00f5es do regime, com o povo guiado (e enganado) \u00e0 for\u00e7a para comparecer.<\/p>\n<p>Afinal, um est\u00e1dio lotado, saudando o ditador nada mais era do que a chancela popular se contrapondo \u00e0 pol\u00edtica repressora do &#8220;Pai dos Pobres&#8221;. Entretanto, a elei\u00e7\u00e3o de Vargas em 1950 (aten\u00e7\u00e3o: apenas cinco anos ap\u00f3s a deposi\u00e7\u00e3o do presidente, impulsionada pelo fim da 2a Guerra Mundial), novamente al\u00e7ado \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica suscitou novas d\u00favidas: como p\u00f4de esse povo, t\u00e3o controlado e reprimido, colocar o &#8220;retrato do velho&#8221; novamente no lugar mais alto?<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-V08Z4BwNYd8\/Txcz9yAvwOI\/AAAAAAAAEQ8\/HGvHycgh_Wo\/s1600\/vargas+sao+januario.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"436\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/vargas+sao+januario.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Certamente que alguns setores mais conservadores possam ter aderido, mais uma vez, \u00e0 id\u00e9ia de manipula\u00e7\u00e3o. Dif\u00edcil, no entanto, acreditar nessa possibilidade, quando do outro lado estava a Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN), com o seu brigadeiro Eduardo Gomes e o olhar atento do Corvo (Carlos) Lacerda. A chancela popular que conduziu Vargas novamente ao poder &#8211; e que posteriormente representou a &#8220;Vit\u00f3ria de Pirro&#8221; para o pr\u00f3prio presidente &#8211; foi a senha para que historiadores e pesquisadores interessados pelo tema pudessem descortinar novas possibilidades de estudos acerca do tema.<\/p>\n<p>O historiador e professor da UFF, Jorge Ferreira, em seu\u00a0&#8220;Trabalhadores do Brasil \u2013 o imagin\u00e1rio popular&#8221;, prestou importante e decisiva contribui\u00e7\u00e3o &#8211; um estudo que impulsionou diversos outros trabalhos &#8211; para que leigos e interessados no tema pudessem entender que a rela\u00e7\u00e3o entre a classe trabalhadora no Brasil e o presidente da Rep\u00fablica, no per\u00edodo entre 1930 e 1945, ia muito al\u00e9m a de admira\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>As fontes utilizadas foram v\u00e1rias correspond\u00eancias enviadas pelo povo para Vargas, que iam parar na Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia. Eram cartas que pediam empregos, moradia, comida, mas tamb\u00e9m cobravam posicionamentos do pr\u00f3prio presidente &#8211; o que exp\u00f5e o car\u00e1ter participativo do povo perante seu l\u00edder. Por outro lado, seria tamb\u00e9m fantasioso negar a influ\u00eancia da propaganda ideol\u00f3gica e o car\u00e1ter da viol\u00eancia policial utilizadas no per\u00edodo, s\u00f3 que apenas utilizar tais manejos para falar do Estado Novo corresponde a um recurso insuficiente de aferi\u00e7\u00e3o &#8211; o que na Hist\u00f3ria \u00e9 extremamente conden\u00e1vel.<\/p>\n<p>Afinal: como um homem sozinho, de baixa estatura e j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o novo, poderia enganar tanta gente &#8211; os milh\u00f5es de brasileiros? Como poderia manipular tantos? Se n\u00e3o houvesse um fundo de verdade em suas palavras e, principalmente, na sua rela\u00e7\u00e3o de intenso carisma com a popula\u00e7\u00e3o, Vargas seria facilmente abatido.<\/p>\n<p>Uma andorinha s\u00f3 n\u00e3o faz ver\u00e3o&#8230;<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-2JLN6uxaZ0I\/Txc0G37inOI\/AAAAAAAAERc\/XuYtPHJEWkg\/s1600\/CLT+CT.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"464\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/CLT+CT.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A mem\u00f3ria popular, primeiramente do ga\u00facho que derrotou uma elite olig\u00e1rquica que permanecia no poder desde a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica (1889), concebendo a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, lhe era grata. O sagrado, por sua vez, correspondeu \u00e0s distintas atribui\u00e7\u00f5es sobrenaturais que lhe foram impostas &#8211; &#8220;Pai dos Pobres&#8221;. A sacraliza\u00e7\u00e3o em torno do mito transformou Get\u00falio quase numa figura santificada perante os miser\u00e1veis &#8211; e principalmente ap\u00f3s sua morte, quando, num golpe de mestre, saiu da vida para entrar na Hist\u00f3ria, jogando seu cad\u00e1ver aos seus encarni\u00e7ados inimigos pol\u00edticos e pessoais.<\/p>\n<p>Sua carta-testamento virou o manifesto do PTB, quase uma B\u00edblia para todo o trabalhador. Isso acirraria ainda mais os anos posteriores que culminariam, mais tarde, com o golpe civil-militar. Por fim, o encantamento popular com o mito, com a inaugura\u00e7\u00e3o de um novo tempo para os trabalhadores, trazendo cidadania \u00e0 realidade desesperan\u00e7osa de outrora.\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) &#8211; inspirada (mas n\u00e3o copiada) da Carta del lavoro italiana, a racionaliza\u00e7\u00e3o das horas de trabalho (antes, adultos, mulheres, idosos e crian\u00e7as trabalhavam mais de catorze horas por dia, sete dias por semana, em condi\u00e7\u00f5es in\u00f3spitas de trabalho), a cria\u00e7\u00e3o da Carteira de Trabalho e a implementa\u00e7\u00e3o de diversos outros benef\u00edcios n\u00e3o podem ser subjugados ou esvaziados na hora de mostrar a import\u00e2ncia que Vargas teve para o povo brasileiro.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;No ano de mil oitocentos e oitenta e tr\u00eas<br \/>No dia dezenove de Abril<br \/>Nascia Get\u00falio Dorneles Vargas<br \/>Que mais tarde seria o governo do nosso Brasil<br \/>Ele foi eleito deputado<br \/>Para defender as causas do nosso pa\u00eds<br \/>E na revolu\u00e7\u00e3o de trinta ele aqui chegava<br \/>Como substituto de Washington Luis<br \/>E do ano de mil novecentos e trinta pra c\u00e1<br \/>Foi ele o presidente mais popular<br \/>Sempre em contacto com o povo<br \/>Construiu um Brasil novo<br \/>Trabalhando sem cessar<br \/>Como prova em Volta Redonda, cidade do a\u00e7o<br \/>Existe a grande sider\u00fargica nacional<br \/>Tendo o seu nome elevado<br \/>Em grande espa\u00e7o<br \/>Na sua evolu\u00e7\u00e3o industrial<br \/>Candeias, a cidade petroleira<br \/>Trabalha para o progresso fabril<br \/>Orgulho da ind\u00fastria brasileira<br \/>Na hist\u00f3ria do petr\u00f3leo no Brasil<\/p>\n<p>Salve o estadista<br \/>Idealista<br \/>E realizador<br \/>Get\u00falio Vargas<br \/>O grande presidente de valor&#8221;<\/p>\n<p>(&#8220;O Grande Presidente&#8221;, samba-enredo de autoria de Padeirinho &#8211; Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, 1956 &#8211; \u00e1udio acima)<\/i><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-lk6xRtaXqz4\/Txc0CFFN2lI\/AAAAAAAAERM\/uIo75eFVOC0\/s1600\/medici.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"478\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-lk6xRtaXqz4\/Txc0CFFN2lI\/AAAAAAAAERM\/uIo75eFVOC0\/s640\/medici.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p>Viajando na Hist\u00f3ria, \u00e9 comum tamb\u00e9m atribuir \u00e0s ditaduras &#8220;de direita&#8221; o poder coercitivo e manipulador, t\u00e3o\u00a0\u00a0presentes no s\u00e9culo XX. <\/p>\n<p>Os presidentes militares que o Brasil conheceu, entre 1964 e 1985 est\u00e3o a\u00ed inclu\u00eddos. Afinal: os 21 anos em que o Brasil foi comandado por fardas verde-oliva corresponderam a um per\u00edodo de terror imposto aos brasileiros. Certo? Em parte. Terror pol\u00edtico, sim. Mas no que tange \u00e0 economia&#8230;\u00a0 <\/p>\n<p>&#8220;A economia vai bem mas o povo vai mal&#8221;\u00a0foi uma frase dita pelo presidente Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, que foi, ao mesmo tempo, considerado o presidente mais repressor e mais popular do Brasil durante aqueles 21 anos. Como explicar esse fen\u00f4meno? Como explicar que, durante as comemora\u00e7\u00f5es do sesquicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil, M\u00e9dici fosse aplaudido de p\u00e9 por mais de 100 mil pessoas no est\u00e1dio do Maracan\u00e3, aplaudido por pessoas humildes? O presidente era um aficcionado por futebol e ia sempre que podia ao est\u00e1dio acompanhar jogos do Flamengo. <\/p>\n<p>Tal fato, por si s\u00f3, j\u00e1 criava uma aura de identifica\u00e7\u00e3o do &#8220;ditador&#8221; com as massas &#8211; que se viam ali personificadas.\u00a0\u00a0Em julho de 1971, M\u00e9dici tinha 82% de aprova\u00e7ao, segundo o IBOPE, e em 1972 a economia atingiu um crescimento de 11,9%. Em 1972, o Congresso Nacional chegara a cogitar a hip\u00f3tese da reelei\u00e7\u00e3o de M\u00e9dici e em junho daquele mesmo ano, o jornal Correio da Manh\u00e3 iniciara campanha defendendo a perman\u00eancia do presidente no poder.<\/p>\n<p>Manipula\u00e7\u00e3o de um povo alienado? For\u00e7a e arbitrariedade do regime em prol da aprova\u00e7\u00e3o popular do presidente? Dif\u00edcil de acreditar nesses elementos que a historiografia marxista dos anos 1970 e 1980, apoiada no determinismo, procurou insinuar, nesse sentido, sobre os Anos de Chumbo.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-HzqhIY0SYsM\/Txc0ANeD8SI\/AAAAAAAAERE\/Nkdzv0sTkj8\/s1600\/pinochet.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"524\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/pinochet.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p>Em outros pa\u00edses verificamos o mesmo paradoxo: a aprova\u00e7\u00e3o, at\u00e9 os dias atuais, de diversos presidentes-ditadores &#8211; alguns j\u00e1 n\u00e3o mais vivos. Foi o caso do presidente Augusto Pinochet, no Chile. A mem\u00f3ria popular por l\u00e1 \u00e9 amb\u00edgua e bastante dividida, quase meio a meio, entre aqueles que recha\u00e7am qualquer benef\u00edcio do regime militar chileno, e aqueles que s\u00e3o saudosos do per\u00edodo de bonan\u00e7a chileno &#8211; e que atribuem o desenvolvimento do pa\u00eds \u00e0s medidas econ\u00f4micas adotadas durante o regime militar.<\/p>\n<p>Par\u00eantese: deve-se lembrar que ao assumir o poder, Pinochet soube separar a pol\u00edtica da economia, entregando as decis\u00f5es monet\u00e1rias a um jovem grupo de 25 economistas chilenos formados na Universidade de Chicago &#8211; os Chicago Boys, pioneiros\u00a0pioneiros do pensamento neoliberal. O Chile antecipou em quase uma d\u00e9cada medidas que s\u00f3 mais tarde seriam adotadas por Margaret Thatcher na Gr\u00e3-Bretanha, e respons\u00e1veis pelo\u00a0&#8220;The Miracle of Chile&#8221;, denomina\u00e7\u00e3o dada por Milton Friedman, economista estadunidense.<\/p>\n<p>Poderia me alongar aqui em analisar diversos outros regimes autorit\u00e1rios, constru\u00eddos e referendados socialmente durante a hist\u00f3ria. Sobre o nazismo, apoiado pela popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3, escrevi em fevereiro de 2011 um post sobre o tema. Em Cuba, o regime castrista at\u00e9 hoje perdura &#8211; embora sem a figura onipresente do j\u00e1 enfermo Fidel Castro. <\/p>\n<p>\u00c9 natural que regimes autorit\u00e1rios despertem simpatia e oposi\u00e7\u00e3o. Mas se permanecem no poder, \u00e9 porque existe uma contrapartida social &#8211; sen\u00e3o, cairiam como castelos de cartas. A Primavera \u00c1rabe &#8211; mais precisamente a Tun\u00edsia do ditador Ben Ali, e o Egito do presidente Hosni Mubarak, depostos em deflagra\u00e7\u00f5es populares, impulsionadas pelas redes sociais &#8211; \u00e9 um exemplo de que:<\/p>\n<p>&#8220;quando o povo quer, o povo pode&#8221;.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta\u00a0ter\u00e7a feira, mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, escrita pelo Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes. 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