{"id":11159,"date":"2012-02-05T08:46:00","date_gmt":"2012-02-05T10:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/02\/orun-aye-e-a-vida\/"},"modified":"2012-02-05T08:46:00","modified_gmt":"2012-02-05T10:46:00","slug":"orun-aye-e-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/02\/orun-aye-e-a-vida\/","title":{"rendered":"Orun Ay\u00e9 &#8211; &quot;\u00c9 a Vida&quot;"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>Neste domingo, <b><i>a coluna &#8220;Orun Ay\u00e9&#8221;, do compositor Aloisio Villar<\/i><\/b>, faz uma reflex\u00e3o sobre a vida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>\u00c9 a Vida<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>E a vida o que \u00e9 diga l\u00e1 meu irm\u00e3o? Lembrei-me logo da m\u00fasica do Gonzaguinha quando pensei nessa coluna.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 um tema abstrato, talvez o mais abstrato das quarenta e duas colunas que escrevi pro blog, mas deu vontade de falar dela&#8230; Da vida.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa coluna, apesar de ser publicada apenas em fevereiro, foi escrita alguns dias depois da virada de ano. Assim como o dono do blog tamb\u00e9m me dei f\u00e9rias e ainda sob impacto da virada e dos fogos de Copacabana.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enquanto assistia aos fogos e ouvia pessoas chorando emocionadas e abra\u00e7ando desconhecidos dizendo que os amavam &#8211; sob efeito do \u00e1lcool &#8211; e da emo\u00e7\u00e3o que a data reserva eu olhava pro c\u00e9u e pensava nela&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8230; na vida.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00f3 existem duas ocasi\u00f5es na verdade que pensamos na vida: quando ela est\u00e1 amea\u00e7ada e em viradas de ano.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O que \u00e9 a vida?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Alguns dizem que a vida \u00e9 apenas uma passagem, desde que nascemos come\u00e7amos a morrer. Os mais espiritualizados que vivemos v\u00e1rias vidas, essa \u00e9 apenas uma delas e a morte na verdade \u00e9 continua\u00e7\u00e3o da vida em outra dimens\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O que eu penso disso?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sei l\u00e1, desde que o mundo \u00e9 mundo, desde que Ad\u00e3o surgiu por essas bandas, do big bang, da cria\u00e7\u00e3o de Deus, enfim, desde que surgiu essa baga\u00e7a chamada Terra o ser humano tenta decifrar o engima da vida. Se nenhum g\u00eanio conseguiu at\u00e9 hoje n\u00e3o serei eu que vou tentar.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ali\u00e1s, o ser humano recebeu o dom da intelig\u00eancia de Deus para assim ter o direito de ser burro quando quer, mas isso \u00e9 um caso a parte.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tem gente que acredita que quando morremos acaba tudo, sinceramente n\u00e3o sei como seria esse \u201cacabar tudo\u201d.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 uma televis\u00e3o desligada? \u00c9 torcer para o Botafogo? Essas coisas que para mim representam o nada. A mim \u00e9 t\u00e3o complicada essa id\u00e9ia de tudo acabar e existir mais nada que nem consigo colocar em palavras.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tem gente que diz que tudo que fazemos aqui \u00e9 levado \u201cao outro lado\u201d. Para alguns existir\u00e1 julgamento no \u201cju\u00edzo final\u201d. N\u00e3o sei como seria esse julgamento, quem seria o advogado de acusa\u00e7\u00e3o? Existe advogado no c\u00e9u?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outros acreditam no \u201cumbral\u201d. Local que seria reservado aos suicidas. Essa tese diz que a vida na verdade n\u00e3o \u00e9 nossa, \u00e9 um aluguel feito a n\u00f3s por Deus e quando h\u00e1 o suic\u00eddio, a morte fora de hora \u00e9 um grave crime contra as leis de Deus.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o sei se \u00e9 verdade, mas lembrar do personagem Alexandre na novela \u201cA viagem\u201d e do personagem Andr\u00e9 em \u201cNosso Lar\u201d sofrendo no umbral me tirou totalmente da cabe\u00e7a a ideia de me matar um dia.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Existe tamb\u00e9m a teoria da reencarna\u00e7\u00e3o. Ser\u00edamos seres evolutivos e tudo que fazemos de bom e ruim levar\u00edamos pra outras vidas. Isso explicaria a fome da \u00c1frica e a sensa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 conhecemos lugares e pessoas que nunca fomos ou vimos.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Se essa tese \u00e9 real fico imaginando o que seria a vida seguinte de Adolf Hitler.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quero s\u00f3 dizer que sou totalmente leigo nesse assunto e estou escrevendo sobre coisas que eu ouvi falar e dividindo com voc\u00eas. Sou especialista em nada na vida, s\u00f3 um curioso.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Alguns dizem e acreditam no destino. Como diria Cazuza, nossos destinos foram tra\u00e7ados na maternidade. Maktub: est\u00e1 escrito.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outros que temos livre arb\u00edtrio. Tudo que ocorre em nossas vidas somos n\u00f3s que escolhemos. Tem gente que tamb\u00e9m consegue misturar as duas teses: destino e livre arb\u00edtrio.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A vida \u00e9 um roteiro previs\u00edvel. A gente nasce, cresce, envelhece e morre. Se tudo ocorrer bem, em nossa passagem pela Terra ser\u00e1 assim.\u00a0Existem poemas e pessoas que defendem que devia ser o contr\u00e1rio. Come\u00e7ava pela morte, depois fic\u00e1vamos velhos e \u00edamos regredindo, remo\u00e7ando.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Do trabalho para a escola, da vida adulta \u00e0 adolesc\u00eancia e inf\u00e2ncia, at\u00e9 voltarmos a ser beb\u00eas e o fim &#8211; na barriga da m\u00e3e.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O personagem Benjamin Button do filme estrelado pro Brad Pitt mostra isso.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A gra\u00e7a e as novidades ocorrem entre o nascimento e a morte. Cabe a n\u00f3s tra\u00e7ar esse caminho ou ir ao embalo do destino.\u00a0Eu tenho esse lado comigo. Vejo um beb\u00ea e gosto de ficar olhando e imaginando o que ele ser\u00e1, tantas possibilidades e pode vir a ser tantas coisas.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fa\u00e7o isso com minha filha. Penso nela na escola, fazendo amigos, conhecendo amores, sofrendo por esses amores e eu dando meu ombro pra ela chorar, conhecendo o homem ou a mulher de sua vida, o importante \u00e9 sua felicidade, construindo fam\u00edlia&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8230;e enquanto ela cresce o meu fim se aproximando.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Porque como eu disse antes. Desde que nascemos come\u00e7amos a morrer, ent\u00e3o a cada dia que passa, cada vez que deitamos pra dormir \u00e9 um dia a menos de vida que temos, nos aproximando da morte cada vez mais.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 imposs\u00edvel separar a vida da morte, uma completa a outra, uma automaticamente lembra a outra. Quando nossa vida est\u00e1 ruim algumas vezes, mesmo da boca pra fora, desejamos a morte e quando temos uma doen\u00e7a ou nos encontramos em situa\u00e7\u00e3o de perigo nos agarramos a vida e pedimos a Deus por ela.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A morte assusta porque \u00e9 desconhecida e o desconhecido assusta sempre. Quem do seu grupo de amigos morrer\u00e1 primeiro? Da sua fam\u00edlia? Do seu time de pelada? Do seu emprego e me colocando na roda, da minha parceria de samba-enredo? <i>[N.do.E.: bom, desta \u00faltima pergunta tivemos infelizmente a resposta semana passada, com o passamento de Alberto Varj\u00e3o]<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esse tipo de pergunta assusta.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Assim como as vezes, era mais frequente anos atr\u00e1s, eu parava pra pensar que ia morrer um dia e me dava um certo p\u00e2nico. P\u00e2nico da sensa\u00e7\u00e3o, o que sentimos? Como ser\u00e1? Com que idade? Quem me garante que esse ano que eu olhei maravilhado os fogos de Copacabana n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo da minha vida?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ou de todos, pelo que falam desse ano&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8230; e a\u00ed? Fazer o qu\u00ea?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tem nada pra fazer, vamos todos morrer um dia e n\u00e3o tem como fugir disso. Ent\u00e3o por que sofrer por anteced\u00eancia? Vamos viver.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Deus, o big bang ou seja l\u00e1 o que for nos deu um mundo maravilhoso. Deu a possibilidade de realizarmos nossos sonhos, de ver o mar, florestas, nascer e p\u00f4r do Sol, o banho de chuva em um dia quente, a neve, o sorriso de um filho e o beijo da pessoa amada.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Deu-nos Chaplin e seus filmes j\u00e1 desbotados, mas que fazem rir. Deu a poesia de Drummond, a m\u00fasica de Chico Buarque, a voz de Frank Sinatra, o Maracan\u00e3 lotado e as escolas de samba na avenida, o corpo nu de uma mulher e o suor honesto de um trabalho bem feito. Colocar molho ingl\u00eas na feijoada e misturar ch\u00e1 com cacha\u00e7a, por que n\u00e3o?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O colo de uma m\u00e3e, os conselhos de um pai, o jogar bot\u00e3o com o av\u00f4, o doce da av\u00f3, as brigas com os irm\u00e3os e o nascer dos filhos, o que garante a nossa imortalidade.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nos filhos n\u00f3s vivemos, em seus filhos eles vivem e assim a vida se perpetua.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A vida tem seus mist\u00e9rios, seus segredos que os fogos de Copacabana esconderam bem de mim. Esse espa\u00e7o entre o nascimento e a morte \u00e9 t\u00e3o pequeno que tem que ser bem aproveitado at\u00e9 o dia que fecharmos os olhos pela \u00faltima vez, e no \u00faltimo suspiro dizer que valeu a pena.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E a vida? \u00c9 bonita, \u00e9 bonita e \u00e9 bonita.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Orun Ay\u00e9!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo, a coluna &#8220;Orun Ay\u00e9&#8221;, do compositor Aloisio Villar, faz uma reflex\u00e3o sobre a vida. \u00c9 a Vida E a vida o que \u00e9Tour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[7],"class_list":["post-11159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-orun-aye","tag-reflexoes"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11159"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11159\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}