{"id":11116,"date":"2012-03-16T07:21:00","date_gmt":"2012-03-16T09:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/03\/cinecasulofilia-inquietos\/"},"modified":"2012-03-16T07:21:00","modified_gmt":"2012-03-16T09:21:00","slug":"cinecasulofilia-inquietos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/03\/cinecasulofilia-inquietos\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;Inquietos&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-3cRnnVE8hXg\/T1-c3NsYfeI\/AAAAAAAAEjU\/VO7hwQc9Y0Q\/s1600\/inquietos+2.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"358\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/inquietos+2.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Mais uma sexta feira e mais uma edi\u00e7\u00e3o de nossa <b>coluna sobre cinema, assinada pelo cr\u00edtico, cineasta e professor Marcelo Ikeda<\/b>. Uma vez mais, publicada em conjunto com o <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">blog &#8220;Cinecasulofilia&#8221;<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>Inquietos<\/b><\/i><\/div>\n<div>Neste ano h\u00e1 um filme que vi que me deixou num sentimento estranho.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Ele certamente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom ou t\u00e3o consistente quanto os filmes anteriores deste diretor, de que gosto muito. Talvez o filme nem seja t\u00e3o bom assim, mas acontece que, quase um m\u00eas depois de t\u00ea-lo visto, eu ainda n\u00e3o consegui digerir esse filme por inteiro.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>H\u00e1 algo desse filme entalado em mim, que n\u00e3o \u201cdesceu redondo\u201d, que me deixou um sentimento de inc\u00f4modo, de estar perdido. H\u00e1 algo que me atrai no tom em que o diretor desenvolveu esse filme mediano, mas que eu n\u00e3o sei explicar bem. H\u00e1 algo que mexeu comigo s\u00f3 dias ap\u00f3s sua proje\u00e7\u00e3o mas que eu ainda n\u00e3o sei muito bem o que \u00e9. N\u00e3o sei se \u00e9 um tumor, ou apenas um pequeno inc\u00f4modo meio passageiro.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Como uma lombriguinha que vai roendo o seu est\u00f4mago mas que n\u00e3o \u00e9 nada demais.Espero n\u00e9, porque na verdade n\u00e3o sei bem o que \u00e9. Vi diversos outros filmes melhores e mais interessantes, mas este, logo este, fermentou algo dentro de mim. Me deixou inquieto, de modo que voltei a pensar nele logo agora e n\u00e3o consigo mais dormir.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00c9 o Restless (Inquietos), do Gus Van Sant. Eu at\u00e9 entendo que possa ach\u00e1-lo um filme covarde, um certo passo atr\u00e1s na filmografia de um diretor que j\u00e1 fez G\u00eanio Indom\u00e1vel mas depois resolveu seguir um caminho muito pessoal dentro de um certo cinema contempor\u00e2neo americano. Eu at\u00e9 entendo mas n\u00e3o penso assim.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Penso curiosamente que Restless \u00e9 um filme corajoso, porque ele n\u00e3o se coloca num lugar confort\u00e1vel, mas o filme se situa num entremeio muito amb\u00edguo entre o \u201ccinema de fluxo\u201d de Elefante, Gerry, Paranoid Park e o \u201ccinema indie\u201d de G\u00eamio Indom\u00e1vel, etc.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Ou seja, pelas recep\u00e7\u00f5es ao filme, vejo que ele agradou a poucos: decepcionou a quem esperava uma coisa e a quem esperava outra. N\u00e3o importa: curiosamente vejo que esse filme \u00e9 coerente com a filmografia do Gus Van Sant de buscar fazer um filme jovem. O que me interessa especialmente neste filme \u00e9 a sutileza do tom que o diretor encontrou para encenar uma historiazinha meio banal. \u00c9 como o diretor utiliza recursos que ecoam uma fragilidade dos personagens (essa fragilidade ecoa da alma dos personagens para um modo muito particular de apresent\u00e1-los e de fazer com que convivamos um pouco com eles&#8230;) mas que ao mesmo tempo \u00e9 uma forma honesta de encenar o eterno desafio de tentar viver.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Ou melhor, essa fragilidade n\u00e3o \u00e9 derrotista, niilista ou anacr\u00f4nica mas \u00e9 simplesmente uma forma honesta de tentar mostrar os desafios desses personagens que procuram tentar viver o que lhes resta, mesmo que n\u00e3o seja o ideal.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Existe uma beleza nessa falta. Mas falta.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Minha rela\u00e7\u00e3o com esse filme come\u00e7a desde o tipo e o tamanho da fonte que ele usa nos cr\u00e9ditos iniciais, e cresce com a luz maravilhosa que invade o espa\u00e7o do edif\u00edcio da primeira sequ\u00eancia do filme em que os personagens se olham (ali\u00e1s, eu gosto muito de toda a luz do filme). A forma como ela gira o pesco\u00e7o. N\u00e3o sei bem.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>H\u00e1 algo no filme que me seduz e que me apavora. \u00c9 um filme sobre a morte. Inquietos \u00e9 um filme zen. Talvez digo isso pelo fantasma japon\u00eas que est\u00e1 l\u00e1 no filme. Os personagens s\u00e3o meio que crian\u00e7as que n\u00e3o querem crescer, meio que presen\u00e7as fantasm\u00e1ticas, propensas ao desaparecimento. S\u00e3o leves, n\u00e3o temem a morte. Mal querem ser percebidos.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>E o filme encena esse c\u00e2ntico de despedida n\u00e3o como um c\u00e2ntico f\u00fanebre mas como um ritual de aceita\u00e7\u00e3o da perenidade das coisas, com uma leveza zen. A forma simples como o renomado Gus Van Sant abra\u00e7a de forma carinhosa esse filme de pequenas ambi\u00e7\u00f5es \u00e9 algumas vezes comovente. Um filme que flutua e desaparece, assim como os personagens. Um filme feito de cinema, de impress\u00f5es passageiras. <\/p>\n<p> Ao mesmo tempo h\u00e1 algo ali que fica mas que n\u00e3o sei bem o que \u00e9.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma sexta feira e mais uma edi\u00e7\u00e3o de nossa coluna sobre cinema, assinada pelo cr\u00edtico, cineasta e professor Marcelo Ikeda. 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