{"id":11109,"date":"2012-03-23T07:14:00","date_gmt":"2012-03-23T09:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/03\/cinecasulofilia-novissimo-cinema-brasileiro\/"},"modified":"2012-03-23T07:14:00","modified_gmt":"2012-03-23T09:14:00","slug":"cinecasulofilia-novissimo-cinema-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/03\/cinecasulofilia-novissimo-cinema-brasileiro\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;Nov\u00edssimo Cinema Brasileiro&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-PNTBED1c3dI\/T2jzEcwhnSI\/AAAAAAAAEks\/Ut7WXzJ8CDY\/s1600\/Mazzaropi+e+Grande+Otelo.JPG\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"640\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Mazzaropi+e+Grande+Otelo.jpg\" width=\"616\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesta sexta feira, <b>a coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, do professor, cineasta e cr\u00edtico Marcelo Ikeda<\/b>, faz uma s\u00e9rie de digress\u00f5es sobre as novas tend\u00eancias do cinema nacional. Vale a pena a leitura.<\/p>\n<p>Como sempre, coluna publicada <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com.br\/\">em parceria com o blog de mesmo nome<\/a>.<\/p>\n<p><i><b>Nov\u00edssimo Cinema Brasileiro<\/b><\/i><\/p>\n<p>Acho engra\u00e7ado quando as pessoas dizem que \u201cnov\u00edssimo cinema brasileiro\u201d n\u00e3o quer dizer nada, e que \u00e9 preciso achar um conceito mais preciso para delimitar (demarcar) o que vem acontecendo num certo cinema brasileiro. Dizem que os filmes s\u00e3o diferentes, que n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de idade (pois h\u00e1 cineastas velhos que fazem filmes antenados, e jovens que fazem filmes caducos) nem mesmo de fontes de financiamento (h\u00e1 filmes sem grana \u201cnovelinha\u201d e h\u00e1 filmes com editais que s\u00e3o antenados), etc, etc. <\/p>\n<p>Acontece que sempre foi assim. Os nomes s\u00e3o apenas \u201cr\u00f3tulos\u201d, e nada dizem. <\/p>\n<p>Mas por outro lado dizem algo sim: reconhecem que algo est\u00e1 acontecendo, e que isso n\u00e3o \u00e9 isolado de um ou outro filme, mas que \u201ch\u00e1 algo no ar que os une\u201d. Fica-se discutindo que n\u00e3o h\u00e1 nada de novo no \u201cnov\u00edssimo cinema brasileiro\u201d, e o termo \u201cnov\u00edssimo\u201d \u00e9 equivocado. Claro que \u00e9. Mas se de um lado n\u00e3o h\u00e1 nada de novo, por outro \u00e9 claro que h\u00e1 algo de novo. Ficam cobrando \u201cdefini\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201ccaracter\u00edsticas\u201d do chamado nov\u00edssimo, e \u00e9 claro que isso \u00e9 uma casca de banana. <\/p>\n<p>Por exemplo, \u00e9 s\u00f3 pensarmos no \u201cneorrealismo italiano\u201d ou na \u201cnouvelle vague francesa\u201d ou mesmo no \u201ccinema novo brasileiro\u201d. O que \u00e9 o neorrealismo italiano? O que liga esses filmes? Se formos entrar nessas defini\u00e7\u00f5es pra valer, vamos come\u00e7ar a ver as contradi\u00e7\u00f5es desse r\u00f3tulo. Ladr\u00f5es de Bicicleta foi filmado a partir de uma produ\u00e7\u00e3o de est\u00fadio com grande or\u00e7amento, com todos os raccords e cheio de carrinhos e refletores. Ou ainda, um filme como Arroz Amargo, do de Santis, apesar de ter todo um cacoete de neorrealismo, na verdade n\u00e3o carrega consigo a ess\u00eancia do neorrealismo, porque n\u00e3o est\u00e1 preocupado com a condi\u00e7\u00e3o de trabalho das mulheres nas planta\u00e7\u00f5es de arroz, e sim nas pernas da Silvana Mangano, e foi isso com que fez com que o filme fosse de boa bilheteria. <\/p>\n<p>E, ali\u00e1s, \u201cneorrealismo\u201d \u00e9 \u201cneo\u201d em rela\u00e7\u00e3o a qu\u00ea? Esse termo \u00e9 bom? <\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o \u00e9, claro que n\u00e3o d\u00e1 conta dos filmes, mas ao mesmo tempo esse termo \u00e9 \u00f3timo porque \u00e9 um registro de que num determinado momento e lugar \u201chavia algo de novo no ar\u201d, um \u201cesp\u00edrito cinematogr\u00e1fico renovado\u201d. A mesma coisa \u00e9 a nouvelle vague francesa. Resnais \u00e9 nouvelle vague? N\u00e3o, mas ao mesmo tempo \u00e9. Ou, \u201co velho Bresson\u201d, quando fez Mouchette, foi chamado de nouvelle vague? N\u00e3o, porque \u00e9 de outra gera\u00e7\u00e3o. Mas ao mesmo tempo Rohmer quando fez O Joelho de Claire sim, apesar de ser bem mais velho que Godard ou Truffaut. Mas e O Signo do Le\u00e3o, \u00e9 nouvelle vague? E La Pointe Courte, \u00e9 nouvelle vague? N\u00e3o \u00e9, mas \u00e9 mais nouvelle vague do que muito filme da nouvelle vague. <\/p>\n<p>\u00c9 por a\u00ed. \u00c9 quest\u00e3o de grana? Mas e Godard, quando fez O Desprezo, quase um projeto de encomenda do produtor Carlo Ponti, se vendeu ao sistema, ou deixou de ser nouvelle vague por isso? E outros e outros e outros exemplos podem ser listados. <\/p>\n<p>H\u00e1 sim um \u201cnov\u00edssimo cinema brasileiro\u201d. Se o nome \u00e9 bom ou n\u00e3o, n\u00e3o importa. \u00c9 ruim mesmo, porque os r\u00f3tulos n\u00e3o conseguem dar conta dos filmes, da singularidade dos filmes e dos realizadores. E esses filmes mudam, porque os realizadores mudam, porque o mundo muda, ele nunca \u00e9 o mesmo. <\/p>\n<p>Vejam Rossellini, que pouco depois dos \u201cmarcos neorrealistas\u201d fez Stromboli ou Viagem \u00e0 It\u00e1lia, que foge da \u201ccartilha\u201d do neorrealismo, ou Visconti quando fez o grandioso Sedu\u00e7\u00e3o da Carne, etc. Esse termo \u00e9 impreciso, incorreto, contradit\u00f3rio, n\u00e3o h\u00e1 nada de novo, \u00e9 dif\u00edcil dizer o que une um certo conjunto de filmes em um termo s\u00f3, e h\u00e1 coisas que n\u00e3o se encaixam muito bem (Cavi \u00e9 \u201cnov\u00edssimo\u201d? Filmes como Riscado ou Bollywood Dream s\u00e3o \u201cnov\u00edssimos\u201d? Adirley \u00e9 \u201cnov\u00edssimo\u201d?). <\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o \u201cdo que \u00e9\u201d e \u201cdo que n\u00e3o \u00e9\u201d \u00e9 muito chata, e \u00e9 uma casca de banana. O que importa \u2013 e esse \u00e9 o foco da discuss\u00e3o \u2013 \u00e9 que sim, h\u00e1 algo de novo no ar no cinema brasileiro de hoje, que foge dos circuitos oficiais de fontes de financiamento, modo de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o, ou como esses filmes trabalham com o tempo, com o espa\u00e7o, com a narrativa, com os personagens, com a cidade, embora, possam esbarrar, em maior ou menor grau, nos modelos mais tradicionais. <\/p>\n<p>Todas essas cascas de banana que algumas pessoas podem jogar (ou ainda, melhor dizendo, todas as ressalvas justas que possam ser feitas \u00e0 insufici\u00eancia desse r\u00f3tulo) n\u00e3o podem nos fazer desistir da aposta de que h\u00e1 algo raro, singular, acontecendo no cinema brasileiro de hoje. Podem at\u00e9 fazer cr\u00edticas a como certos grupos se apropriam politicamente do uso desses termos para reivindicarem espa\u00e7os de legitimidade e poder \u2013 uma quest\u00e3o pantanosa que pelo menos aqui n\u00e3o vou adentrar \u2013 mas n\u00e3o d\u00e1 pra agir como se \u201cpara jogar a \u00e1gua fora da bacia tiv\u00e9ssemos que jogar a crian\u00e7a dentro\u201d.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta feira, a coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, do professor, cineasta e cr\u00edtico Marcelo Ikeda, faz uma s\u00e9rie de digress\u00f5es sobre as novas tend\u00eancias do cinema nacional.Tour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[13,12,11],"class_list":["post-11109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cinecasulofilia","tag-cinema","tag-cultura","tag-marcelo-ikeda"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11109\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}