{"id":11015,"date":"2012-06-14T16:38:00","date_gmt":"2012-06-14T18:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/06\/cinecasulofilia-a-etica-suicida-de-pialat\/"},"modified":"2012-06-14T16:38:00","modified_gmt":"2012-06-14T18:38:00","slug":"cinecasulofilia-a-etica-suicida-de-pialat","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/06\/cinecasulofilia-a-etica-suicida-de-pialat\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;A \u00e9tica (suicida) de Pialat &quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-6WvEvo0Pra0\/T9i_64X780I\/AAAAAAAAFFE\/jwvgW6tPNIw\/s1600\/PialatPh.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" pca=\"true\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/PialatPh.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>A coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, do cineasta, cr\u00edtico e professor de cinema Marcelo Ikeda<\/strong> retoma hoje o tema da coluna anterior: a obra do cineasta franc\u00eas Maurice Pialat (1925-2003), foto acima. Como sempre, <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com.br\/\">coluna publicada em parceria com o blog de mesmo nome<\/a>.<\/p>\n<p><strong><em>A \u00e9tica (suicida) de Pialat<\/em><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Parece que estou come\u00e7ando a entender a obra de Pialat. Minha primeira experi\u00eancia com ele \u2013 com &#8216;\u00c0 nos amours&#8217; \u2013 n\u00e3o tinha sido muito positiva.<\/p>\n<p>Mas alguns anos mais tarde, com os dois filmes do in\u00edcio dos anos setenta, a coisa mudou de figura. Seu primeiro filme \u2013 A inf\u00e2ncia nua \u2013 joga ainda mais luz na \u00e9tica do cinema de Pialat. Uma \u00e9tica da solid\u00e3o. Ou da independ\u00eancia, como queiram.<\/p>\n<p>\u00c9tica suicida, de n\u00e3o conseguir estar junto, mas precisar desesperadamente do outro. De matar a si mesmo, por n\u00e3o suportar estar consigo mesmo. \u00c9tica, como diz Guiguet em seu extraordin\u00e1rio texto sobre A garganta aberta, que n\u00e3o procura se fazer bela mas ao mesmo tempo n\u00e3o busca a fei\u00fara ou o grotesco. N\u00e3o procura caminhos f\u00e1ceis. A reden\u00e7\u00e3o ou a comisera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 epifania nem cortejo f\u00fanebre. A vida, os gestos. S\u00f3.<\/p>\n<p>Basta. N\u00e3o basta? <\/p>\n<p>\u00c9 o que se tem. <\/p>\n<p>Pequenos instantes de beleza simples para serem destru\u00eddas por uma raiva que n\u00e3o se sabe de onde vem. A inf\u00e2ncia nua foi patrocinado por Truffaut, provavelmente pelos motivos errados. Pialat \u00e9 belo artes\u00e3o: talvez seja seu filme mais belo entre seus tr\u00eas primeiros. No entanto, \u00e9 uma beleza dura, crua, nua. N\u00e3o cabe aqui o retrato da inf\u00e2ncia de Os incompreendidos nem mesmo o de Rosetta. <\/p>\n<p>At\u00e9 Rosetta parece meio ing\u00eanuo em compara\u00e7\u00e3o a esse filme do Pialat. N\u00e3o se trata somente de uma \u201ccr\u00f4nica da inf\u00e2ncia\u201d (comparo com os belos filmes do Bill Douglas) mas de um filme pol\u00edtico sobre o fim de maio de 68 e sobre o fim de um certo cinema franc\u00eas. \u00c9 s\u00f3 lembrar do in\u00edcio: uma passeata, em tom documental, clamando um \u201cplano de carreira\u201d e \u201ctrabalho para os jovens\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 Kes (o \u00fanico filme de Ken Loach), em que o individual \u00e9 espelho de um contexto pol\u00edtico. A pol\u00edtica de Pialat \u00e9 a forma \u00e9tica como a encena\u00e7\u00e3o lida com a dramaturgia, sempre de forma frontal, \u00e0s vezes assustadora, cruzando planos longos e elipses temporais, com cortes bruscos. \u00c9 essa \u00e9tica frontal \u2013 contra a psicologia, contra o \u201cestilo do cinema de autor\u201d, contra os preciosismos das firulas da \u201carte\u201d \u2013 que faz esse cinema de Pialat ser t\u00e3o contempor\u00e2neo. Sua recusa formal \u00e9 a pr\u00f3pria recusa desse menino em ser servil.<\/p>\n<p>Recusa suicida, dif\u00edcil, improv\u00e1vel, amarga, mas \u00e9 o que se tem.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coluna &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, do cineasta, cr\u00edtico e professor de cinema Marcelo Ikeda retoma hoje o tema da coluna anterior: a obra do cineasta franc\u00eas MauriceTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[13,12,11],"class_list":["post-11015","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-cinema","tag-cultura","tag-marcelo-ikeda"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11015\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}