{"id":10903,"date":"2012-09-24T08:22:00","date_gmt":"2012-09-24T10:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/09\/bissexta-cinema-e-a-maior-diversao\/"},"modified":"2012-09-24T08:22:00","modified_gmt":"2012-09-24T10:22:00","slug":"bissexta-cinema-e-a-maior-diversao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/09\/bissexta-cinema-e-a-maior-diversao\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; &quot;Cinema \u00e9 a maior divers\u00e3o&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-GC0heUT8WrQ\/UFyv36_GzWI\/AAAAAAAAGNU\/ENT_sJLuq8Q\/s1600\/Cine+Rian+Copacabana+81.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" hea=\"true\" height=\"404\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Cine+Rian+Copacabana+81.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Nesta segunda, de volta ap\u00f3s um per\u00edodo de recesso, <strong>a coluna \u201cBissexta\u201d, assinada pelo advogado Walter Monteiro<\/strong>, fala sobre a resist\u00eancia dos cinemas \u00e0s novas formas de entretenimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Confesso que pessoalmente estas novas formas de divers\u00e3o me afastaram dos cinemas. Nos \u00faltimos seis ou sete anos, excluindo-se filmes infantis fui uma \u00fanica vez ao cinema. Mas sou exce\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong><em>Cinema \u00e9 a maior divers\u00e3o<\/em><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Eu estava ali, na transi\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia para a adolesc\u00eancia, quando o videocassete surgiu no Brasil. A loja mais perto da minha casa exigia uns 15 minutos de caminhada e era muito caro pegar um filme l\u00e1. N\u00e3o era uma locadora, era o que se chamava na \u00e9poca de \u201cv\u00eddeo-clube\u201d, porque para pegar filmes era preciso ser s\u00f3cio. E o requisito b\u00e1sico da admiss\u00e3o era doar dois filmes para o empreendimento (ou, claro, pagar o seu equivalente em dinheiro). <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Era muito dinheiro, ao menos parecia ser para um moleque de 13 anos. O que, ali\u00e1s, n\u00e3o fazia muita diferen\u00e7a mesmo, porque l\u00e1 em casa n\u00e3o tinha videocassete. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>A gente morava na maior casa da rua, havia tr\u00eas carros na garagem, meus amigos juravam que minha fam\u00edlia era rica, mas o fato \u00e9 que n\u00e3o tinha videocassete. S\u00f3 quem tinha era o vizinho de porta, que al\u00e9m de videocassete, tinha motorista particular. Quando a filha dele nos convidava para ver um filme l\u00e1, a molecada se sentia nas nuvens vivendo uma experi\u00eancia in\u00e9dita.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi ali que todo mundo passou a vaticinar o fim do cinema. Cinema seria coisa do passado, da gera\u00e7\u00e3o dos nossos pais. A gente ia ao Cinema Am\u00e9rica, na Pra\u00e7a Saens Pe\u00f1a, comprava um saquinho de pipoca na carrocinha, um Mentex no baleiro e passava as tardes das nossas f\u00e9rias de ver\u00e3o assistindo ET, Indiana Jones, Blade Runner, com direito ao Canal 100 e os gols de Zico antes do filme come\u00e7ar. <\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>[N.do.E.: saudades do Canal 100. E de Zico tamb\u00e9m.]<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas a gente sabia que era uma quest\u00e3o de tempo, que em breve a gente n\u00e3o ia mais precisar passar as tardes no cinema, logo cada um ia ter um videocassete na sua casa e pronto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E por um tempo eu achei que as previs\u00f5es iriam mesmo se confirmar. O assunto predileto da imprensa cultural nos anos 80 era noticiar o fechamento das salas de cinema. O Rian virou a Help, o Carioca virou Igreja Universal, o Imperator virou uma casa de shows, o Rio virou uma ag\u00eancia banc\u00e1ria. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sei l\u00e1 como, mas os cinemas resistiram. Os shoppings centers come\u00e7aram a se espalhar e cada um deles tinha suas salas de cinema. Veio o Esta\u00e7\u00e3o Botafogo, para emprestar um selo de qualidade aos seus freq\u00fcentadores, como membros de uma ra\u00e7a privilegiada diante dos infelizes que insistiam em se divertir com filmes hollywoodianos. Veio o Festival de Cinema do Rio. Virei adulto, me formei e nunca deixei de ir ao cinema. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nessa \u00e9poca, na minha casa j\u00e1 tinham tr\u00eas videocassetes: um na sala, um no meu quarto, outro no quarto da minha irm\u00e3.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Logo depois veio a TV a Cabo. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os profetas do apocalipse ent\u00e3o passaram a preconizar dois falecimentos de uma s\u00f3 vez: do cinema e das locadoras de v\u00eddeo. No pr\u00f3ximo movimento, home-theaters e os DVDs. Parecia um golpe definitivo: ora, se a qualidade de som \u00e9 espetacular, a qualidade de imagem idem, por que raios algu\u00e9m sair\u00e1 de casa para ir a uma sala escura assistir filmes com estranhos?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Talvez pelo tamanho da tela. Ent\u00e3o, que tal fazer televis\u00f5es imensas? Aquela tvzona de <metricconverter productid=\"29 polegadas\" w:st=\"on\">29 polegadas<\/metricconverter> e que pesava uma barbaridade precisava ser aposentada. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vamos fazer TVs de 40, 42, <metricconverter productid=\"50 polegadas\" w:st=\"on\">50 polegadas<\/metricconverter>, fininhas, que combinem com a decora\u00e7\u00e3o da casa. E vamos, melhor ainda, tornar a experi\u00eancia de imagem algo muito impactante, com transmiss\u00e3o em HD, discos Blu-Ray e at\u00e9 mesmo TVs com recursos 3D. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ah, e de quebra, vamos tornar o acesso aos filmes algo banal, \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique, atrav\u00e9s de downloads legais ou ilegais, torrents e tudo o mais. Diante desse arsenal de divers\u00e3o ao redor do sof\u00e1, somada \u00e0 onda de inseguran\u00e7a das metr\u00f3poles, \u00e9 l\u00edquido e certo que as pessoas ficar\u00e3o muito mais em casa e n\u00e3o perder\u00e3o tempo de ir ao cinema. Chegamos, enfim, na segunda d\u00e9cada do terceiro mil\u00eanio inteiramente saciados de home enterteinament. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00e3o mais de 30 anos de previs\u00e3o do fim do cinema e suas salas escuras. A cada nova tecnologia, a desesperan\u00e7a se renova. E ningu\u00e9m d\u00e1 o bra\u00e7o a torcer. Admitam, ranzinzas, voc\u00eas perderam: O CINEMA N\u00c3O VAI ACABAR NUNCA! <\/div>\n<div><\/div>\n<div>De forma paradoxal, mesmo diante de tanta tecnologia de exibi\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, o p\u00fablico do cinema cresce de forma constante. Ali\u00e1s, o maior crescimento ocorreu justamente nos \u00faltimos anos, quando se previa exatamente o contr\u00e1rio. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vejam o gr\u00e1fico:<\/div>\n<p><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-9lQCYBUYcP8\/UFyv5tUoxfI\/AAAAAAAAGNc\/PhrV72g9RHM\/s1600\/filmes.JPG\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" hea=\"true\" height=\"268\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/filmes.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>E cinema, que era algo barato, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o mais. Os pre\u00e7os cresceram muito. Mesmo assim, 140 milh\u00f5es de brasileiros sa\u00edram de suas casas em 2011 para assistir um filme.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quem entende do riscado explica o fen\u00f4meno a partir da melhoria das condi\u00e7\u00f5es oferecidas aos usu\u00e1rios. As salas de cinema s\u00e3o confort\u00e1veis, as op\u00e7\u00f5es de lanche s\u00e3o bem mais diversificadas, os espectadores s\u00e3o bem tratados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O que n\u00e3o deixa de ser uma bela li\u00e7\u00e3o para os cartolas do futebol: quem sabe seja poss\u00edvel cobrar mais e duplicar a frequ\u00eancia aos est\u00e1dios quando o torcedor passar a ser tratado com a dignidade que merece? <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enquanto esse dia n\u00e3o chega, todos ao Cinemark!<\/div>\n<div>\ufeff<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta segunda, de volta ap\u00f3s um per\u00edodo de recesso, a coluna \u201cBissexta\u201d, assinada pelo advogado Walter Monteiro, fala sobre a resist\u00eancia dos cinemas \u00e0s novasTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[13,58,6],"class_list":["post-10903","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bissexta","tag-cinema","tag-economia","tag-vida-cotidiana"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10903\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}