{"id":10858,"date":"2012-11-03T09:48:00","date_gmt":"2012-11-03T11:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/buraco-da-fechadura-a-rodoviaria\/"},"modified":"2012-11-03T09:48:00","modified_gmt":"2012-11-03T11:48:00","slug":"buraco-da-fechadura-a-rodoviaria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/buraco-da-fechadura-a-rodoviaria\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura &#8211; &quot;A Rodovi\u00e1ria&quot;"},"content":{"rendered":"<div><span><\/span><span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-EsnNWLW9omc\/UJFH4v2ZzaI\/AAAAAAAAGog\/JwjBYqb6rzA\/s1600\/19744129.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/19744129.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Neste s\u00e1bado, o <b>colunista Aloisio Villar<\/b> traz mais um conto de sua coluna dedicada ao tema, <b>a &#8220;Buraco da Fechadura&#8221;.<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]--> <\/div>\n<div><u><i><b>A Rodovi\u00e1ria<\/b><\/i><\/u><\/div>\n<div><span><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso acabara de pegar um t\u00e1xi no Br\u00e1s, bairro da capital de S\u00e3o Paulo. Era uma e meia da manh\u00e3 de sexta para s\u00e1bado e ele tinha que correr a fim de tentar comprar passagem para o \u00faltimo \u00f4nibus com destino ao Rio de Janeiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tinha trinta e cinco anos de idade, um cara que muito viveu e ao mesmo tempo viveu nada.<span>\u00a0 <\/span>Experiente e inteligente para algumas coisas, burro e imaturo para outras, era uma metamorfose ambulante: um carrossel de emo\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso estava triste no t\u00e1xi e com enorme vontade de chorar, mas nunca foi de chorar na frente dos outros; j\u00e1 chega ter chorado na frente de Bianca, sua ex namorada, naquela noite.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela que o colocou naquele t\u00e1xi e foi embora sem olhar para tr\u00e1s, enquanto Afonso acompanhou a mo\u00e7a com o olhar at\u00e9 que n\u00e3o conseguisse mais v\u00ea-la. Limpou as l\u00e1grimas disfar\u00e7adamente, para o taxista n\u00e3o reparar que estava triste.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O taxista come\u00e7ou a falar do engarrafamento que pegaram. Reclamou dizendo que era a feira dos chineses sendo montada e afirmou que um dia dominar\u00e3o S\u00e3o Paulo. Afonso sorriu e tentou engatar um papo com ele sobre os chineses, tentando assim n\u00e3o pensar em Bianca e na hora.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O taxista, \u00e1gil, se livrou do engarrafamento e conseguiu em poucos minutos chegar \u00e0 rodovi\u00e1ria. Afonso agradeceu, pagou e entrou correndo para tentar pegar o \u00faltimo \u00f4nibus.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A rodovi\u00e1ria estava vazia como poucas vezes Afonso vira: parecia uma rodovi\u00e1ria fantasma. Correu nas companhias e a maioria j\u00e1 parara de funcionar. Apenas uma via\u00e7\u00e3o ainda tinha \u00f4nibus para sair, mas n\u00e3o tinha mais vagas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso parou ali no meio daquela rodovi\u00e1ria vazia, sem ter o que fazer.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pensou em ir at\u00e9 algum hotel pr\u00f3ximo, mas al\u00e9m de n\u00e3o estar com tanto dinheiro tinha certeza que n\u00e3o conseguiria dormir e caso conseguisse estenderia seu tempo em S\u00e3o Paulo e o que ele mais queria naquele momento era se livrar da cidade o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso tinha nada contra S\u00e3o Paulo. Ele viveu alguns dos momentos mais felizes de sua vida l\u00e1, mas especialmente naquela noite o que ele mais queria era chegar ao Rio de Janeiro, deitar na sua cama e chorar muito. <\/div>\n<div><span>\u00a0\u00a0 <\/span><\/div>\n<div>Pensou no que fazer e decidiu ir embora no primeiro \u00f4nibus da manh\u00e3. Voltou na via\u00e7\u00e3o e comprou para as seis da manh\u00e3. Comprou um lanche e sentou em uma cadeira. Olhou a hora: duas e meia, ainda faltavam tr\u00eas horas e meia para a partida. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Agora era oficial: era uma das piores noites da vida de Afonso, compar\u00e1vel \u00e0 noite da morte de sua m\u00e3e, em que passou a noite acordado como um zumbi esperando o enterro.<\/div>\n<div>Sentou, lembrou-se de toda a hist\u00f3ria e aproveitando que n\u00e3o tinha ningu\u00e9m perto deixou rolar umas l\u00e1grimas. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o conseguia acreditar naquele fim de noite. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Olhou as poucas pessoas daquela rodovi\u00e1ria: a grande maioria dormindo, outras lendo, algumas at\u00e9 namorando e lembrou que n\u00e3o era para ele estar ali. Naquele instante era para ele estar em um quarto de motel com Bianca, os dois se amando e reatando o namoro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas deu tudo errado&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso e Bianca namoraram um ano e meio. Conheceram-se pela Internet, ela em S\u00e3o Paulo, ele no Rio de Janeiro. Tiveram um namoro gostoso, recheado de carinho, companheirismo e a todos parecia perfeito, mas Afonso n\u00e3o era perfeito &#8211; longe de ser.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o era fiel e Bianca come\u00e7ou a desconfiar do namorado. Um dia, bisbilhotando seu computador, descobriu toda a verdade e terminou com ele.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apesar dos pesares Afonso gostava de Bianca, mas era fraco, imaturo e achava que um homem de verdade tinha que ter v\u00e1rias mulheres. Com isso perdeu a mulher certa, da sua vida. S\u00f3 depois que perdeu Afonso se deu conta das bobagens que fazia e passou um ano correndo atr\u00e1s da menina tentando reatar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Comeu o p\u00e3o que o diabo amassou. Viu Bianca deixar de gostar dele, conhecer novos homens, se apaixonar e come\u00e7ar a namorar um dos melhores amigos do ex. Afonso assistiu a tudo, sofreu todas essas humilha\u00e7\u00f5es calado. Vias as fotos e declara\u00e7\u00f5es apaixonadas do casal nas redes sociais e nada podia fazer: apenas sofrer.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sem poder ser seu amor virou amigo de Bianca e muitas vezes confidente. Ouvia sobre seu namoro, as dificuldades, respirava fundo no outro lado da tela e dava conselhos. Aos poucos conseguiu colocar aquele amor que sentia em uma gaveta e tranc\u00e1-lo, conseguia sobreviver sem Bianca.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 que ela terminou o namoro e eles se reaproximaram. Afonso declarou que ainda amava a ex e Bianca respondeu que queria a verdade, queria que ele contasse tudo que fizera no namoro, pois, s\u00f3 assim conseguiria perdo\u00e1-lo e reatar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso ent\u00e3o decidiu ir a S\u00e3o Paulo abrir o cora\u00e7\u00e3o, contar tudo. Um ano e meio depois do fim o rapaz de novo iria a S\u00e3o Paulo ver a amada. Era tudo apenas para seguir protocolo. Ele contaria tudo, ela se sentiria aliviada, reatariam e passariam a noite juntos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chegou e deram um beijo apaixonado. Afonso tenso porque falaria <span>\u00a0<\/span>de coisas que nunca imaginou. Sentaram em uma lanchonete e ele come\u00e7ou a contar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Contou todos os casos que teve, as trai\u00e7\u00f5es e pediu perd\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o que Bianca teve n\u00e3o foi a que ele nem ela esperavam. Bianca sentiu-se muito mal com todas aquelas hist\u00f3rias e pediu para ir embora. Ainda pararam em uma pracinha, Afonso chorando em desespero tentava provar que lhe amava, n\u00e3o podia viver sem ela, mas tudo em v\u00e3o. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Bianca respondeu que n\u00e3o dava mais, n\u00e3o confiava mais nele e pediu que ele fosse embora para o Rio de Janeiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi assim que ele chegou naquela situa\u00e7\u00e3o da rodovi\u00e1ria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso tentava ler, mas n\u00e3o conseguia se concentrar. Foi \u00e0 lan house da rodovi\u00e1ria, ficou uma hora, mas n\u00e3o tinha nenhum conhecido logado. Tentou ver se Bianca escrevera alguma coisa em suas redes socais, mas nada. Inquieto, triste Afonso andava como um zumbi pela rodovi\u00e1ria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Encostou-se em uma pilastra. Fechou os olhos como se n\u00e3o quisesse estar ali e perguntando porque Deus n\u00e3o gostava dele, quando foi interrompido por uma voz feminina perguntando se ele sabia que horas eram.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Abriu os olhos e encontrou uma menina branca, com cabelos tran\u00e7ados como se fosse hippie e largo sorriso. Afonso pediu desculpas e respondeu que estava com o celular descarregado e n\u00e3o tinha como lhe responder. A menina contra argumentou que n\u00e3o queria saber as horas e perguntou apenas se ele sabia as horas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso sem entender aquele papo respondeu que n\u00e3o. Ela sorriu, fez um carinho em seus cabelos e respondeu \u201chora de se feliz\u201d se afastando.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso n\u00e3o entendera nada daquela hist\u00f3ria. Tentou pensar e decifrar, n\u00e3o conseguiu e virou-se para a menina que continuava andando perguntando como ela sabia. Ela virou e respondeu \u201cporque n\u00f3s \u00e9 que fazemos essa hora e a sua chegou!!\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ok, agora Afonso estava perturbado e curioso correndo atr\u00e1s da menina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele perguntou quem ela era e a mo\u00e7a sorrindo respondeu que achara que ele n\u00e3o perguntaria. Disse que se chamava J\u00e9ssica e pediu que Afonso pagasse um milk shake para ela.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foram at\u00e9 um fast food e Afonso pagou. J\u00e9ssica bebendo um de morango virou para Afonso e disse que tinha gente que achava que os chineses dominariam S\u00e3o Paulo, mas para ela seriam os italianos, com uma pizzaria a cada esquina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso cada vez se intrigara mais com aquela bela menina. Come\u00e7aram a passear pela rodovi\u00e1ria e ele, ainda perturbado com aquela hist\u00f3ria de hora da felicidade, perguntou como fazer para ser feliz quando o mundo conspira contra.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00e9ssica, terminando de beber seu milkshake e jogando fora o copo respondeu que o mundo nunca conspira contra: o que conspira \u00e9 nossa cabe\u00e7a, ela que nos trava e, muitas vezes, impede que sejamos felizes. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso riu e falou que aquilo era uma bobagem perguntando porque algu\u00e9m se boicotaria pra ser feliz. J\u00e9ssica respondeu \u201cpor medo\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso parou de andar e perguntou \u201cMedo de ser feliz? Como assim?\u201d. J\u00e9ssica ainda andando respondeu que as pessoas t\u00eam mais medo de serem felizes que da morte, porque a morte \u00e9 inevit\u00e1vel e a felicidade um passarinho que se n\u00e3o for bem cuidado escapa de suas m\u00e3os.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso continuou parado ouvindo a menina que disparou: \u201cvai ficar a\u00ed parado\u201d. Ele ent\u00e3o se apressa e lhe acompanha na caminhada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sentam e Afonso, que sempre foi um cara reservado e nunca gostou de se abrir com os outros, resolveu contar para aquela desconhecida toda sua hist\u00f3ria e como parara na rodovi\u00e1ria \u00e0quela noite. J\u00e9ssica ouviu a tudo atentamente e no fim Afonso perguntou se era um monstro por ter feito tudo que fez com Bianca.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela para uns segundos e responde que n\u00e3o. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele n\u00e3o era santo, nem monstro: apenas um ser humano comum com suas qualidades, defeitos e que teria que aceitar que tudo que fazemos na vida tem um retorno e ele teria que conviver com a conseq\u00fc\u00eancia de seus atos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso, resignado, olha para o ch\u00e3o e diz \u201cperdi Bianca para sempre\u201d J\u00e9ssica responde que o para sempre \u00e9 muito tempo e ningu\u00e9m sabe nem o dia de amanh\u00e3, se amanhecer\u00e1 vivo, n\u00e3o tem nem como prever o que acontecer\u00e1, mas que uma certeza ele poderia ter: ela estaria sempre na sua vida porque s\u00f3 gostando muito de algu\u00e9m uma mulher passa por tudo aquilo e ainda aceita o homem em sua vida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso que at\u00e9 ent\u00e3o estava triste e com raiva de Bianca por t\u00ea-lo feito ir a S\u00e3o Paulo a toa caiu na real e disse \u201c\u00e9, ela vem sendo muito bacana comigo\u201d. J\u00e9ssica ent\u00e3o aconselhou que ele segunda-feira entrasse na Internet e falasse com ela como se nada tivesse acontecido, como se ele nem tivesse ido a S\u00e3o Paulo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Curioso com aquela menina que salvara sua noite foi a vez de Afonso querer saber mais sobre J\u00e9ssica. Ela respondeu que sua vida era nada demais. Estudava veterin\u00e1ria, tinha um irm\u00e3o e estava voltando pra casa cheia de saudades da fam\u00edlia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso perguntou o que ela fora fazer em S\u00e3o Paulo e brincando J\u00e9ssica respondeu que fora numa miss\u00e3o secreta, recebendo ordens e que se lhe contasse teria que mat\u00e1-lo. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso riu e falou que J\u00e9ssica era muito gente boa e que o amor que ela tinha pela vida contagiava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00e9ssica ent\u00e3o suspirou fundo e respondeu que nem sempre fora assim. Sofreu um grave acidente de carro com o noivo seis meses antes e ele morrera no acidente. Foi dif\u00edcil para ela aceitar o ocorrido. Chorou muito, sofreu, mas que cuidaram muito bem dela no per\u00edodo e lhe mostraram a import\u00e2ncia da vida e que ela nunca acaba.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso estava fascinado pela mo\u00e7a e nem viu a hora passar. Quando percebeu faltavam apenas dez minutos para o \u00f4nibus partir e triste disse que teria que se despedir de J\u00e9ssica e ir embora. Ela riu e disse que ele n\u00e3o se livraria t\u00e3o f\u00e1cil assim dela, estava no mesmo \u00f4nibus dele para o Rio e no banco ao lado do dele. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso perguntou como ela sabia que era o do lado e J\u00e9ssica respondeu que vira pelo bilhete em sua m\u00e3o. O rapaz gargalhou e os dois partiram.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Encararam numa boa as seis horas de viagem e ao chegar no Rio J\u00e9ssica passou o telefone de sua casa e que quando ele quisesse poderia ligar. Deu um selinho em sua boca e andando gritou \u201c\u00e9 hora de ser feliz!!\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os dias passaram e Afonso tratou Bianca na Internet como se nada tivesse acontecido, com excelente humor e tentando fazer com que uma assustada Bianca se sentisse a vontade. Com o tempo venceu sua resist\u00eancia e conseguiu fazer com que ela relaxasse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando Bianca foi almo\u00e7ar Afonso decidiu ligar para a casa de J\u00e9ssica e agradecer seu conselho, segue a liga\u00e7\u00e3o:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8211; Afonso: Al\u00f4, \u00e9 da casa da J\u00e9ssica?<\/i><\/div>\n<div><i>&#8211; M\u00e3e: Sim, \u00e9 a m\u00e3e dela, quem fala?<\/i><\/div>\n<div><i>&#8211; Afonso: Aqui \u00e9 o Afonso, um amigo dela, poderia falar com ela?<\/i><\/div>\n<div><i>&#8211; M\u00e3e: Sinto muito, mas n\u00e3o d\u00e1, infelizmente a J\u00e9ssica morreu faz seis meses.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso gelou e gaguejando perguntou:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8211; Afonso: Como assim senhora? Estive com ela nesse fim de semana.<\/i><\/div>\n<div><i>&#8211; M\u00e3e: Ela morreu h\u00e1 seis meses num acidente de carro com o noivo, os dois morreram, que brincadeira sem gra\u00e7a \u00e9 essa?<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso conseguiu contornar a situa\u00e7\u00e3o e pegou o endere\u00e7o do cemit\u00e9rio onde ela estava enterrada. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chegou ao local, andou por ele e conseguiu achar a l\u00e1pide. Uma foto de J\u00e9ssica estava l\u00e1, linda como ele conheceu, com o sorriso largo que o encantara e os dizeres \u201cNada temo se acredito na vida eterna\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Afonso ajoelhou-se, fez uma ora\u00e7\u00e3o e agradeceu a menina por tudo. Levantou-se, olhou para o c\u00e9u e pediu desculpas a Deus por achar que n\u00e3o gostava dele. Deu uma \u00faltima olhada para a foto de J\u00e9ssica na l\u00e1pide, mandou um beijo e foi&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8230; Foi ser feliz.<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, o colunista Aloisio Villar traz mais um conto de sua coluna dedicada ao tema, a &#8220;Buraco da Fechadura&#8221;. A Rodovi\u00e1ria Afonso acabara deTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[29,12],"class_list":["post-10858","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-buraco-da-fechadura","tag-contos","tag-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10858","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10858"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10858\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}