{"id":10852,"date":"2012-11-08T06:38:00","date_gmt":"2012-11-08T08:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/historia-e-outros-assuntos-memorias-de-um-guerrilheiro-carlos-eugenio-paz-o-clemente-e-a-luta-armada-1966-1973\/"},"modified":"2012-11-08T06:38:00","modified_gmt":"2012-11-08T08:38:00","slug":"historia-e-outros-assuntos-memorias-de-um-guerrilheiro-carlos-eugenio-paz-o-clemente-e-a-luta-armada-1966-1973","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/historia-e-outros-assuntos-memorias-de-um-guerrilheiro-carlos-eugenio-paz-o-clemente-e-a-luta-armada-1966-1973\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria e Outros Assuntos &#8211; &quot;Mem\u00f3rias de um guerrilheiro: Carlos Eugenio Paz, o Clemente, e a luta armada (1966-1973)&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-xfOFmkjM7zE\/UJqnkx4emuI\/AAAAAAAAGug\/TDpnylh1fSo\/s1600\/1.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"360\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/1.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div>Excepcionalmente nesta quinta, <b>a edi\u00e7\u00e3o extra da coluna \u201cHist\u00f3ria e Outros Assuntos\u201d, assinada pelo Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes<\/b>, traz revela\u00e7\u00f5es surpreendentes e exclusivas sobre a resist\u00eancia armada \u00e0 ditadura militar, contadas por um de seus sobreviventes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><u><i><b>Mem\u00f3rias de um guerrilheiro: Carlos Eugenio Paz, o Clemente, e a luta armada (1966-1973)  <\/b><\/i><\/u><\/p>\n<p>\u201cSobrevivi para contar a hist\u00f3ria\u201d.<\/p><\/div>\n<div>Assim Carlos Eug\u00eanio Paz \u2013 codinome \u201cClemente\u201d -, resume sua trajet\u00f3ria de vida, desde quando entrou nas fileiras da resist\u00eancia \u00e0 repress\u00e3o, aos 15 anos, ap\u00f3s ser aceito por Carlos Marighella na A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) para lutar contra o regime de exce\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>Seu pai era admirador do integralismo de Pl\u00ednio Salgado \u2013 \u201cEle sonhava que eu fosse estudar Engenharia Eletr\u00f4nica na Alemanha e voltasse ao Brasil com um Mercedes Benz pra ele\u201d. Sua m\u00e3e era comunista e admiradora de Lu\u00eds Carlos Prestes, e dois anos antes ele j\u00e1 ajudava os amigos de sua m\u00e3e, que fugiram da sede da UNE, ap\u00f3s esta ser incendiada. <\/p>\n<p>Na \u00e9poca, morava em Laranjeiras e muitos que eram considerados \u201csubversivos\u201d dormiram escondidos em sua casa. Pertencia a uma classe m\u00e9dia que almejava ser elite. \u201cElite \u00e9 uma palavra que \u00e9 interpretada de forma errada. Meu pai queria que eu estudasse e pertencesse \u00e0 elite. Mas tive uma professora que foi muito feliz em definir o que de fato significa elite. Elite \u00e9 o que h\u00e1 de melhor, n\u00e3o aquilo que tem mais dinheiro, n\u00e3o o que \u00e9 dominante. Elite \u00e9 Cartola, \u00e9 Garrincha, \u00e9 ter educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 gostar de ler, por exemplo\u201d.<\/p><\/div>\n<p><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-D7vehMbVtoY\/UJqnlhI9VMI\/AAAAAAAAGuo\/A1uZHHyUdA0\/s1600\/2.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"432\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/2.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if !mso]><img decoding=\"async\" src=\"\/\/img2.blogblog.com\/img\/video_object.png\" style=\"background-color: #b2b2b2; \" class=\"BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder\" id=\"ieooui\" data-original-id=\"ieooui\" \/>\n\n<style>st1\\:*{behavior:url(#ieooui) } <\/style>\n\n<![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]--> <\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O relato de Carlos Eug\u00eanio Paz aconteceu nesta ter\u00e7a (06\/11\/2012), como parte integrante da Oitava Quinzena de Literatura Latino-Americana, que acontece na Travessa do Leblon e tem a ditadura como tema principal este ano.<\/div>\n<div>O codinome Clemente surgiu de uma provoca\u00e7\u00e3o de um amigo, em 1966, quando o rubro-negro Carlos Eug\u00eanio Paz sofria com a derrota do seu time para o Bangu (o Flamengo perdeu por 3 a 0 para o Bangu, num jogo em que Almir Pernambuquinho, do time da G\u00e1vea, arrumou briga generalizada em campo). Um zagueiro do Bangu, que havia jogado muito bem naquele dia, se chamava \u201cAri Clemente\u201d. Vem da\u00ed o codinome.<\/div>\n<div>Hoje, aos 61 anos, Clemente \u2013 vamos continuar a cham\u00e1-lo assim &#8211; \u00e9 professor de m\u00fasica \u2013 chegou a dar aulas numa creche, no Rio de Janeiro \u2013 e tem uma defini\u00e7\u00e3o bem clara dos dias conturbados que antecederam e precederam o golpe: <i>\u201cFoi uma partida de futebol onde a direita da sociedade compareceu e a esquerda perdeu de W.O.\u201d<\/i><\/div>\n<div>E arremata: <i>\u201cA esquerda n\u00e3o preparou a resist\u00eancia, faltou ao encontro\u201d<\/i>. Decerto, foi uma luta desigual, j\u00e1 que as principais organiza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia ao novo regime \u2013 A\u00e7\u00e3o Popular, Organiza\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Marxista Pol\u00edtica Oper\u00e1ria (POLOP) e PCB\/PCdoB \u2013 n\u00e3o estiveram coesas e preparadas para resistir e lutar em conjunto.<\/div>\n<div>Preju\u00edzos decorrentes do golpe de estado de 1964? Para Clemente, muitos.<\/div>\n<div>N\u00e3o foram apenas a locupleta\u00e7\u00e3o dos militares, as mortes, as torturas e os desaparecimentos, mas principalmente as reformas de base que deixaram de acontecer e que alavancariam o pa\u00eds ao progresso, e por isso, o pa\u00eds paga at\u00e9 hoje esse insucesso. Jango tinha 58% de popularidade \u2013 e isso n\u00e3o era, na \u00e9poca, pouca coisa. <i>\u201cHavia um mito de que todo o pa\u00eds estava contra Jango e isso n\u00e3o era verdade. Imagine o que seria o Brasil se o governo de Jango tivesse continuado?\u201d<\/i><\/div>\n<p>\u00a0 <\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-h78W-F2NVMw\/UJqnmzciEnI\/AAAAAAAAGuw\/QMeyd19E-uA\/s1600\/3.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"456\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/31.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Entre o integralismo do pai e o comunismo da m\u00e3e, Clemente deixou-se fascinar pela liberdade. O contato com Marighella, em 1966, deu-se atrav\u00e9s de Alex de Paula Xavier, seu melhor amigo. Alex era filho de Jo\u00e3o Batista e Zilda de Paula Xavier Pereira \u2013 comandantes regionais da ALN e comunistas militantes do PCB.<\/div>\n<div>Chama a aten\u00e7\u00e3o um fato citado por Clemente: <i>\u201cOs comunistas estavam divididos. Muitos criticavam a postura do PCB, como um partido que estava eternamente querendo fazer uma revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fazia. Os anos passavam e nada acontecia. A\u00ed se organizaram grupos simpatizantes e um deles cham\u00e1vamos de \u2018Grupo Marighella do PCB\u2019\u201d. \u201cImagine um dirigente como Marighella, j\u00e1 com quase 60 anos e respeitado por toda a luta armada, conversando com um fedelho como eu? Isso demonstra a magnitude dele, e seu diferencial era justamente esse: saber ouvir a todos\u201d.<\/i><\/div>\n<div>Marighella ouviu tudo que Clemente tinha a dizer. E sugeriu algo inimagin\u00e1vel ao jovem rapaz de 15 anos: <i>\u201cEle prop\u00f4s que eu me alistasse e servisse no Forte de Copacabana. Ele queria que eu me formasse militar, justamente para pensar como um militar, dentro da ALN, de forma que em todas as nossas a\u00e7\u00f5es, ponderasse com a cabe\u00e7a de um militar\u201d.<\/i><\/div>\n<div>O ex-guerrilheiro cumpriu a ordem \u00e0 risca e por ironia do destino chegou a ser condecorado com uma medalha pelos servi\u00e7os prestados na guarni\u00e7\u00e3o. <i>\u201cMinha rotina era simples: servia no quartel, nas folgas sa\u00eda pra rua e praticava as a\u00e7\u00f5es de guerrilha. Depois voltava pro quartel e tudo seguia normal.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/>Numa das vezes, ap\u00f3s ganhar a medalha resolvi provocar os companheiros de luta, mostrando a medalha. Mas imediatamente joguei ela num bueiro, na Av. Princesa Isabel, e disse a eles: \u2018Essa medalha pra mim n\u00e3o vale nada, porque meu verdadeiro ex\u00e9rcito \u00e9 o de Carlos Marighella\u2019.<\/i><\/div>\n<div>Com a separa\u00e7\u00e3o de seus pais, Clemente recrutou a pr\u00f3pria m\u00e3e para a luta armada: Maria da Concei\u00e7\u00e3o Sarmento da Paz, codinome \u201cJoana\u201d, foi fazer treinamento de guerrilha em Cuba e depois cursou enfermagem nas melhores escolas de Havana <\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-I3VcqXTAf3s\/UJqnn6kW5gI\/AAAAAAAAGu4\/fk5uohmmO3s\/s1600\/4.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"624\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-I3VcqXTAf3s\/UJqnn6kW5gI\/AAAAAAAAGu4\/fk5uohmmO3s\/s640\/4.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if !mso]><img decoding=\"async\" src=\"\/\/img2.blogblog.com\/img\/video_object.png\" style=\"background-color: #b2b2b2; \" class=\"BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder\" id=\"ieooui\" data-original-id=\"ieooui\" \/>\n\n<style>st1\\:*{behavior:url(#ieooui) } <\/style>\n\n<![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]--><i>\u201cMam\u00e3e nos foi muito \u00fatil, pois depois trabalhou em duas \u201ccl\u00ednicas\u201d que t\u00ednhamos em S\u00e3o Paulo para atender companheiros nossos, feridos em combates\u201d. O ex-guerrilheiro acrescenta um dado impressionante: \u201cEm junho de 1974 ela infelizmente \u2018caiu\u2019 <\/i>(Nota: \u2018cair\u2019 era um termo utilizado pela guerrilha, na \u00e9poca, que significava que o companheiro tinha sido preso pela repress\u00e3o)<i> e foi barbaramente torturada durante um m\u00eas, pessoalmente pelo delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury \u2013 policial que comandava a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes (OBAN) e temido por todos.\u201d<\/i> <\/div>\n<div><i>\u201cMesmo torturada e sabendo que eu j\u00e1 me encontrava fora do Brasil (Clemente se exilou na Fran\u00e7a de 1973 a 1981), podendo dizer isso, ela negou informa\u00e7\u00f5es aos torturadores\u201d. Anos depois, j\u00e1 de volta ao Brasil, Clemente questionou esse fato a ela e a resposta foi direta: \u201cUma m\u00e3e jamais entrega o filho\u201d<\/i>. <\/p>\n<p>Mas quem apoiava o golpe de estado? Quais as for\u00e7as da sociedade que comungavam com o regime?<\/p><\/div>\n<div>Clemente n\u00e3o pensa duas vezes e diz: <i>\u201cA Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI), a Igreja Cat\u00f3lica e o empresariado nacional, compactuados com os EUA \u2018pediram\u2019 o golpe aos militares. Agora que temos uma Comiss\u00e3o da Verdade, \u00e9 chegada a hora de assumirmos as nossas verdades\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Complementa: <i>\u201cEssas mesmas institui\u00e7\u00f5es que citei, hoje posam como democr\u00e1ticas, defensoras dos direitos humanos, mas 30, 40 anos atr\u00e1s, n\u00e3o faziam isso\u201d.<\/i><\/p>\n<p>A ALN existiu organicamente de 1966 at\u00e9 dezembro de 1973. Chegou a ter cerca de 15 mil combatentes, espalhados por todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Clemente faz um testemunho importante:<i> \u201cAo verificarem que existia, sim, uma resist\u00eancia, os militares centralizaram a repress\u00e3o na OBAN, que era mantida atrav\u00e9s de uma \u2018caixinha\u2019 que circulava entre os maiores nomes do empresariado nacional. Nomes como Amador Aguiar, do Bradesco, e Oct\u00e1vio Frias de Oliveira, do Grupo Folha, eram vistos nessas reuni\u00f5es. E voc\u00ea sabe onde essas reuni\u00f5es aconteciam? Na sede da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (FIESP)! E o ministro Delfim Neto comparecia a quase todas essas reuni\u00f5es!\u201d. <\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/--fakE9y4vxo\/UJqnoz95DLI\/AAAAAAAAGvA\/Zy6qwzYfllA\/s1600\/5.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"298\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/5.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Ministro da Fazenda entre 1967 e 1974, Antonio Delfim Neto se orgulhava de ter promovido o \u201cMilagre Econ\u00f4mico\u201d, que nada mais era, na verdade, do que o arrocho aos sal\u00e1rios dos trabalhadores e o lucro dos empres\u00e1rios. Mas porque ent\u00e3o a OBAN era subsidiada pelos empres\u00e1rios e n\u00e3o pelo governo, que detinha a \u201cm\u00e1quina\u201d e poderia jorrar recursos para aquela organiza\u00e7\u00e3o quando bem entendesse?<\/div>\n<div>Clemente \u00e9 direto na resposta: <i>\u201cA OBAN foi uma tentativa de comprometer o empresariado, no estilo: \u2018OK, demos o golpe, agora \u00e9 com voc\u00eas\u2019.<\/i>\u201d<\/div>\n<div>Um renomado empres\u00e1rio era destaque nessas reuni\u00f5es, justamente a pessoa respons\u00e1vel em passar a \u2018caixinha\u2019 entre seus colegas: Henning Albert Boilesen, um empres\u00e1rio dinamarqu\u00eas, presidente do Grupo Ultragaz, que vendia botij\u00f5es de g\u00e1s nas resid\u00eancias paulistanas.<\/div>\n<div>No document\u00e1rio \u201cCidad\u00e3o Boilesen\u201d, de Chaim Litewski, o empres\u00e1rio \u00e9 apresentado como uma pessoa com personalidade doentia, desde a inf\u00e2ncia. Tanto que uma das diretoras da escola onde estudou apresenta as anota\u00e7\u00f5es feitas em seu boletim, que informavam que ele tinha prazer em ver o sofrimento dos amigos.<\/div>\n<div>Clemente conta que a ALN tinha informantes \u201cdo lado de l\u00e1\u201d (na repress\u00e3o) tamb\u00e9m e que todas as fontes informavam que <i>\u201cum cidad\u00e3o bonito e elegante, que n\u00e3o era militar, se juntava \u00e0s vezes a sess\u00e3o de tortura, fosse para assistir ou ent\u00e3o participar \u2013 geralmente queimando partes dos corpos dos presos com uma barra de ferro usada para marcar gado\u201d.<\/i><\/div>\n<div>As pr\u00e1ticas de tortura, por sinal, variavam bastante: <i>\u201cAlguns de nossos companheiros sofreram com a chamada \u2018Coroa de Cristo\u2019, uma estrutura circular, cravejada de lan\u00e7as de ferro pontiagudas, colocadas na cabe\u00e7a dos presos e apertadas manualmente pelos torturadores, que chegavam a explodir o cr\u00e2nio dos companheiros\u201d. Clemente faz hoje uma distin\u00e7\u00e3o bem clara sobre o que pensava da tortura: \u201cUma coisa que eu respeitava era o combatente \u2013 podia ser o repressor ou n\u00f3s. Mas a tortura eu n\u00e3o respeitava, porque n\u00e3o era uma pr\u00e1tica decente, era injusto e desigual\u201d.<\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-oCWCVRvSB8Q\/UJqnp3yKvSI\/AAAAAAAAGvI\/UZ1Bp12sDgg\/s1600\/6.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"514\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/6.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Como ent\u00e3o se deu o envolvimento da ALN com o \u201cjusti\u00e7amento\u201d de Henning Boilesen?<\/div>\n<div><i>\u201cSabendo da liga\u00e7\u00e3o de Boilesen com o financiamento da OBAN \u2013 reparamos que a Ultragaz inclusive cedia seus ve\u00edculos para as a\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o &#8211; e sua participa\u00e7\u00e3o nas sess\u00f5es de tortura, t\u00ednhamos a inten\u00e7\u00e3o de sequestr\u00e1-lo, negociando sua liberdade em troca de presos pol\u00edticos que estavam confinados.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/>No entanto, faltando cinco dias para nossa a\u00e7\u00e3o, em 5 de abril de 1971, Devanir Jos\u00e9 de Carvalho, codinome \u201cHenrique\u201d &#8211; um de nossos companheiros &#8211; caiu, e sob tortura, informou \u00e0 repress\u00e3o nossa inten\u00e7\u00e3o de seq\u00fcestro\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Eram tempos dif\u00edceis e a repress\u00e3o j\u00e1 mandara um recado \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da ALN: \u201cQualquer dirigente ou membro da ALN que fosse preso, mesmo colaborando conosco, n\u00e3o sair\u00e1 vivo\u201d. Sem d\u00favidas, uma pol\u00edtica de exterm\u00ednio. <i>\u201cDevanir foi torturado at\u00e9 a morte e depois de morto, seu corpo foi pendurado pela nuca num garrote de a\u00e7ougue, na sede do DOPS, como trof\u00e9u\u201d<\/i>, confidencia, emocionado, Clemente.<\/div>\n<div>Nesse momento, ent\u00e3o, a ALN resolveu \u201cjusti\u00e7ar\u201d a morte de seu companheiro de luta, assassinando Henning Boilesen. A programa\u00e7\u00e3o era acompanhar e estudar seus passos por alguns dias e mat\u00e1-lo na primeira oportunidade.<\/div>\n<div>\u00c9 comum, atualmente, na tentativa de se romantizar o passado, imaginar que tanto as a\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o e principalmente as a\u00e7\u00f5es de guerrilha aconteciam perfeitamente, sem contratempos. N\u00e3o foi o caso da programa\u00e7\u00e3o do assassinato de Boilesen.<\/div>\n<div><i>\u201cSab\u00edamos que ele ia visitar o filho e seu trajeto para chegar at\u00e9 a casa da ex-esposa. S\u00f3 n\u00e3o cont\u00e1vamos que justamente naquele dia ele iria se atrasar. Um companheiro nosso, Antonio Sergio de Matos, codinome \u201cUns e outros\u201d, chegou at\u00e9 a brincar naquele momento, quando est\u00e1vamos no carro nos preparando para a a\u00e7\u00e3o, dizendo \u2018P\u00f4, o cara \u00e9 muito irrespons\u00e1vel mesmo, se atrasa at\u00e9 no encontro com a morte!\u201d (\u201cUns e Outros\u201d morreu alguns meses depois, numa emboscada feita pela repress\u00e3o)\u201d. \u201cNaquele momento, nossos companheiros que estavam na a\u00e7\u00e3o, me perguntaram: \u2018E agora? Continuamos?\u2019 <\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-2vRcexBg2FA\/UJqnrPR9gtI\/AAAAAAAAGvQ\/sEeB-nkcD04\/s1600\/7.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"360\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/7.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]--><\/p>\n<div>\n<div>A palavra final foi minha: <i>\u2018Vamos em frente\u2019.<\/i><\/div>\n<div>Boilesen saiu da casa, dirigiu seu carro por algumas ruas e, na Alameda Casa Branca, em S\u00e3o Paulo, foi morto pela ALN, com um tiro de fuzil na cabe\u00e7a e oito tiros de metralhadora. A mesma Alameda Casa Branca onde, dois anos antes, Carlos Marighella foi morto pelo delegado Sergio Paranhos Fleury. Clemente jura de p\u00e9s juntos que o fato do endere\u00e7o da morte de Boilesen ser o mesmo da morte de Marighella, foi mera coincid\u00eancia: <i>\u201cFoi acaso do destino\u201d<\/i>.<\/div>\n<div>E porque a a\u00e7\u00e3o da guerrilha na luta armada gerou tantas antipatias, ao longo dos anos? Porque ser\u00e1 que um guerrilheiro brasileiro, que pegou em armas, \u00e9 visto at\u00e9 hoje com retic\u00eancias se em compara\u00e7\u00e3o Che Guevara se transformou num mito romantizado de Nuestra America e mundialmente reverenciado pelos jovens?<\/div>\n<div><i>\u201c\u00c9 porque \u00e9 belo analisar os fatos \u00e0 dist\u00e2ncia, \u00e9 menos critic\u00e1vel, do que o que acontece em nosso pa\u00eds. A viol\u00eancia de \u201cChe\u201d era a mesma, voc\u00ea j\u00e1 leu o \u201cDi\u00e1rio de Sierra Maestra\u201d? Est\u00e1 tudo ali. Che amarrou uma pessoa numa \u00e1rvore e deu um tiro na cabe\u00e7a. E a\u00ed? N\u00e3o foi igual?\u201d<\/i>.<\/div>\n<div>At\u00e9 hoje permanece obscuro um epis\u00f3dio ocorrido dentro da pr\u00f3pria ALN: o justi\u00e7amento de M\u00e1rcio Leite de Toledo, codinome \u201cM\u00e1rcio\u201d, que era um dos comandantes da organiza\u00e7\u00e3o (Clemente era o Coordenador Militar). Clemente ent\u00e3o esclarece o que de fato aconteceu:<\/p>\n<p><i>\u201cMarquei com o M\u00e1rcio e o Joaquim C\u00e2mara Ferreira (codinome \u201cToledo\u201d e uma das figuras mais proeminentes da luta armada, sucessor de Marighella na ALN e l\u00edder do seq\u00fcestro do embaixador estadunidense Charles Elbrick) de encontr\u00e1-los num aparelho (Nota: \u201caparelho\u201d era o nome dado pelos guerrilheiros a uma casa\/instala\u00e7\u00e3o usada nas a\u00e7\u00f5es).<\/i><\/div>\n<div><i><br \/>Na hora marcada, nenhum dos dois apareceu. Estranhei o fato. Passados 45 minutos me dirigi a um segundo aparelho (era de praxe ter endere\u00e7os alternativos, de modo a confundir perseguidores). Nada. Pensei ent\u00e3o que os companheiros haviam ca\u00eddo na m\u00e3o dos repressores.\u201d<\/i><\/div>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-Bj83cacRuc0\/UJqnr_mWYgI\/AAAAAAAAGvY\/iUwqJP0OhLM\/s1600\/8.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/8.jpg\" width=\"310\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Para Clemente, o mais dif\u00edcil, naquele momento, foi a decis\u00e3o de convencer os demais militantes da ALN, de continuar a luta, sem a lideran\u00e7a dos dois companheiros que tinham sumido. Com os olhos marejados, afirma: <i>\u201cImagina voc\u00ea chegar pra uma pessoa e \u2018pedir\u2019 pra que ela siga com voc\u00ea na luta, estando sujeita a morrer a qualquer momento?\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Dias depois, o sumi\u00e7o de \u201cToledo\u201d foi esclarecido: Jos\u00e9 da Silva Tavares, codinome \u201cV\u00edtor\u201d (que anteriormente militara na Corrente &#8211; uma dissid\u00eancia do PCB &#8211; e freq\u00fcentara um Curso de guerrilha em Cuba) fora capturado e levado para Bel\u00e9m, onde sob tortura entregou a localiza\u00e7\u00e3o do l\u00edder da ALN.<\/p><\/div>\n<div>N\u00e3o s\u00f3 entregou \u201cToledo\u201d, como tamb\u00e9m mudou de lado e passou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de repressor \u2013 hoje, \u00e9 um alto executivo da FIAT. \u201cToledo\u201d foi preso, torturado e morto em um s\u00edtio clandestino pertencente ao delegado Sergio Paranhos Fleury.<\/div>\n<div><i>[N.do.E.: de acordo com o site da Fiat do Brasil, Jos\u00e9 da Silva Tavares n\u00e3o ocupa mais o cargo de Diretor Financeiro da subsidi\u00e1ria brasileira da empresa.] <\/i><\/p>\n<p>Passaram-se 42 dias at\u00e9 que \u201cM\u00e1rcio\u201d aparecesse novamente para Clemente. <i>\u201cFiquei surpreso em v\u00ea-lo vivo, como se nada tivesse ocorrido. Perguntei a ele o que tinha acontecido e me surpreendi mais ainda com a resposta\u201d: <\/i><\/p>\n<p>\u201cPensei que era hora de me preservar\u201d, disse o militante sumido.<\/p><\/div>\n<div>Segundo Clemente, <i>\u201cN\u00e3o tinha outra coisa a fazer sen\u00e3o deslig\u00e1-lo do comando da ALN. Mas aceitei reintegr\u00e1-lo como membro de luta, desta vez no grupo de fogo, respons\u00e1vel por portar a metralhadora e dar cobertura a outros companheiros nas a\u00e7\u00f5es que ir\u00edamos realizar\u201d.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span><\/span><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/9.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/9.jpg\"><\/a><\/div>\n<div>O ex-guerrilheiro novamente mostrou-se arrependido.  <\/p>\n<p>\u201c<i>Na primeira a\u00e7\u00e3o que fizemos, ao ver a aproxima\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, o que fez \u201cM\u00e1rcio\u201d? Jogou a metralhadora no carro e saiu correndo, deixando dois de nossos companheiros descobertos \u2013 mesmo ap\u00f3s tiroteio, eles conseguiram sair vivos\u201d.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/>\u201cEssas atitudes dele foram consideradas suspeitas por todos n\u00f3s. O companheiro estava vacilando conosco. Pens\u00e1vamos que podia ter passado para o outro lado, da repress\u00e3o. Ent\u00e3o chamamos ele para uma conversa e propomos que ele sa\u00edsse do Brasil, por seis meses, para qualquer destino \u2013 Europa, Cuba, Chile (na \u00e9poca Allende ainda era o presidente), que n\u00f3s bancar\u00edamos e depois de seis meses, ele poderia fazer o que quisesse da vida, poderia sair da organiza\u00e7\u00e3o. Consider\u00e1vamos seis meses o tempo certo para que mud\u00e1ssemos as rotinas da ALN, de modo que ele n\u00e3o soubesse mais nossos segredos\u201d.<\/i><\/p>\n<p>M\u00e1rcio n\u00e3o quis sair do Brasil. Mesmo com a proposta, bateu o p\u00e9 e quis continuar na organiza\u00e7\u00e3o.<i> \u201cA\u00ed realmente n\u00e3o t\u00ednhamos outra sa\u00edda, sen\u00e3o decidir por seu justi\u00e7amento. Mas \u00e9 importante esclarecer que n\u00e3o foi uma decis\u00e3o apenas minha ou de tr\u00eas ou quatro pessoas. Consultamos as v\u00e1rias coordena\u00e7\u00f5es regionais da ALN at\u00e9 decidir a senten\u00e7a. E coube a mim fazer o justi\u00e7amento\u201d.<\/i><\/p>\n<p>As mem\u00f3rias do per\u00edodo s\u00e3o muitas e intensas. A conversa com Clemente poderia render outros assuntos, confidencias e relatos. O ex-guerrilheiro afirma que se hoje ainda tivesse 20 anos de idade, faria as mesmas coisas, sem arrependimento. Segundo ele, lutava por uma \u201cdemocracia\u201d \u2013 hoje \u00e9 dif\u00edcil atribuir um significado a essa conceito, que pode gerar m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es. <i>\u201cMarcas de guerra todos temos. Marcas de arrependimento n\u00e3o\u201d<\/i>. Justamente por isso, ele se prop\u00f4s a contar um pouco do per\u00edodo em que viveu e lutou pelos ideais que acreditava \u2013 e ainda acredita.<\/div>\n<div><i>PS &#8211; em janeiro est\u00e1  programado o lan\u00e7amento do document\u00e1rio &#8220;Codinome Clemente&#8221;, em DVD, da diretora La\u00eds Albuquerque.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-YBYawtLyFWQ\/UJqnuJ9z8-I\/AAAAAAAAGvo\/9qpxSeD39lQ\/s1600\/digitalizar0046.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"482\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/digitalizar0046.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excepcionalmente nesta quinta, a edi\u00e7\u00e3o extra da coluna \u201cHist\u00f3ria e Outros Assuntos\u201d, assinada pelo Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes, traz revela\u00e7\u00f5es surpreendentes e exclusivas sobreTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[35,24],"class_list":["post-10852","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cacique-de-ramos","tag-historia","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}