{"id":10839,"date":"2012-11-17T09:55:00","date_gmt":"2012-11-17T11:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/buraco-da-fechadura-proxima-estacao\/"},"modified":"2012-11-17T09:55:00","modified_gmt":"2012-11-17T11:55:00","slug":"buraco-da-fechadura-proxima-estacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/buraco-da-fechadura-proxima-estacao\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura &#8211; &quot;Pr\u00f3xima Esta\u00e7\u00e3o&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-or0w0AXEIjM\/UKPPA2_v30I\/AAAAAAAAG1I\/RsmDPsCYF_I\/s1600\/Metr%C3%B41.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"480\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Metr%C3%B41.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]-->Neste s\u00e1bado, mais uma edi\u00e7\u00e3o da <b>coluna de contos do compositor Alo\u00edsio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d<\/b>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><u><i><b>Pr\u00f3xima Esta\u00e7\u00e3o<\/b><\/i><\/u><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Metr\u00f4 (muito) cheio. Seis e meia da tarde em um Rio de Janeiro chuvoso. Paula correu at\u00e9 a Cinel\u00e2ndia para que pudesse pegar o metr\u00f4 com destino \u00e0 esta\u00e7\u00e3o Afonso Pe\u00f1a, na Tijuca, onde morava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mulher bonita, loira, 28 anos, boca carnuda, seios volumosos. Paula era o tipo de mulher que chamava aten\u00e7\u00e3o, ainda mais toda molhada e com a blusa branca encharcada que transparecia seu suti\u00e3 negro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E era uma chuva daquelas&#8230; Daquelas que o carioca olha para o c\u00e9u antes mesmo de come\u00e7ar a pingar ao notar as amea\u00e7adoras nuvens negras e diz \u201cl\u00e1 vem desgra\u00e7a\u201d. Os pancad\u00f5es de chuva que marcam o m\u00eas de janeiro no Rio de Janeiro, que deixam pessoas ilhadas, enchem ruas e desabam casas. Uma chuva dessas se apresentava ao povo carioca naquele dia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula entrou na esta\u00e7\u00e3o cheia, normalmente \u00e9 cheia, mas em dia de chuva muito mais. Comprou sua passagem e se encaminhou para esperar o metr\u00f4. Irritava-se em ver os marmanjos olharem com vol\u00fapia sua blusa transparente e colocou os bra\u00e7os na frente dos seios.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Plataforma lotada &#8211; e o metr\u00f4 veio mais cheio ainda. Empurra empurra tanto para entrar quanto para sair e Paula se espremendo, tenta e de tanto empurrar e ser empurrada consegue entrar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o teve jeito: teve que viajar em p\u00e9 mesmo e apesar de ser um vag\u00e3o exclusivo de mulheres, muitos homens se acotovelavam no espa\u00e7o mostrando a total falta de respeito com leis. Vag\u00e3o t\u00e3o cheio que existia at\u00e9 dificuldade para respirar. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula pensava como estaria a Afonso Pe\u00f1a quando descesse, torcendo para n\u00e3o estar alagada, quando sentiu um homem se encostando nela. Irritada, olhou feio para ele e empurrando aqui e ali conseguiu mudar de lugar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por sorte na Central do Brasil o vag\u00e3o esvaziou, com as pessoas saindo e pegando trens para v\u00e1rios pontos da cidade. Paula ent\u00e3o p\u00f4de sentar e relaxar um pouco.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Encostou-se na janela e aos poucos o sono foi lhe vencendo. Dormiu e chegou at\u00e9 a sonhar com sua caminha aconchegante quando abriu os olhos assustada pensando estar em sua esta\u00e7\u00e3o, mas ainda faltavam duas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 que percebeu que um homem n\u00e3o tirava os olhos dela.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O homem estava sentado no banco a sua frente. Negro, bonito, corpo atl\u00e9tico, bem vestido, usava \u00f3culos escuros e n\u00e3o parava de olhar Paula, era nem disfar\u00e7adamente, olhava mesmo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A menina se constrangeu, tampou a blusa por causa da transpar\u00eancia, mas percebeu que ele n\u00e3o olhava seu corpo e sim seu rosto. Paula ficou bem incomodada, olhava para os lados, para o ch\u00e3o, o teto com o homem lhe olhando, pensou em reclamar, mas n\u00e3o teve coragem.<\/div>\n<div>Sentia-se mal, violentada com aquele olhar, a impress\u00e3o que tinha era que se ele pudesse lhe agarrava ali mesmo e a possu\u00eda na frente de todos. Deu gra\u00e7as a Deus quando chegou a sua esta\u00e7\u00e3o e desceu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Correu em disparada sem olhar para tr\u00e1s, n\u00e3o quis ver se o homem lhe acompanhava no olhar. Subiu a escadaria em velocidade e respirou fundo quando viu que a chuva continuava forte. N\u00e3o tinha outro jeito: encarou a chuva.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Correu por tr\u00eas quarteir\u00f5es com \u00e1guas nas canelas at\u00e9 que entrou em casa. Toda molhada, foi recebida pelos pais, que se diziam preocupados com ela. Paula respondeu que estava tudo bem e Breno, seu noivo, apareceu da cozinha comendo um sandu\u00edche de pernil e perguntando se estava tudo bem. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula irritada respondeu que n\u00e3o: n\u00e3o estava nada bem. Pegou uma chuva violenta, foi amassada dentro do metr\u00f4, teve que aturar tarados e ainda estava arriscada a pegar uma gripe. Breno perguntou que hist\u00f3ria era aquela de tarados quando a m\u00e3e de Paula pediu que ela trocasse de roupa para evitar a gripe e que lhe prepararia uma sopa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depois da sopa ficaram Paula, seus pais e Breno na sala vendo televis\u00e3o at\u00e9 que o pai come\u00e7ou a roncar e a m\u00e3e pediu licen\u00e7a que eles iriam dormir. Subiram e Breno e Paula continuaram vendo tv. Paula pediu que o noivo se aproximasse e ficasse abra\u00e7ado com ela e o rapaz negou-se argumentando que o filme estava \u00f3timo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula se irritou e reclamou que era sempre assim com ela em segundo plano. Perguntou por que ele n\u00e3o atendeu ao telefone quando ela ligou ao sair do trabalho e Breno respondeu que s\u00f3 vira depois e perguntou o que ela queria. Paula respondeu que era para ele busc\u00e1-la no metr\u00f4 e assim n\u00e3o pegasse chuva.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Breno sem olhar a noiva totalmente concentrado no filme disse que n\u00e3o teria como ir. Emprestara o carro pro irm\u00e3o e tinha ido at\u00e9 l\u00e1 a p\u00e9. Paula preferiu falar mais nada e tentou assistir o filme na tv.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Trinta segundos depois ela desistiu e contou que estava com sono e iria dormir. Breno respondeu que tudo bem ela podia ir &#8211; que quando o filme acabasse desligaria tudo e iria embora pra casa. Paula ent\u00e3o se levantou, deu um beijinho na boca de Breno (que nem olhou para a noiva, n\u00e3o tirando os olhos da TV) e foi dormir.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tirou a roupa, colocou o pijama e foi at\u00e9 o banheiro escovar os dentes. Olhando o espelho se lembrou do homem do metr\u00f4 e se perguntou o quanto era o desejo dele por ela. Paula h\u00e1 muito n\u00e3o se sentia desejada, o noivado com Breno ca\u00edra na rotina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Olhando-se no espelho desabotoou um bot\u00e3o do pijama e se via no espelho. Desabotoou mais um, dois e deixou os seios quase a mostra. Colocou a m\u00e3o por dentro e imaginou a m\u00e3o do homem lhe tocando. Com toda a vontade e vol\u00fapia lhe possuindo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula parecia em transe tocando seu corpo e sentindo a m\u00e3o do homem do metr\u00f4 quando Breno embaixo bateu a porta indo embora e ela despertou. Olhou-se no espelho e abotoou novamente o pijama, indo deitar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O rel\u00f3gio tocou seis da manh\u00e3, lhe convidando para acordar. Era sexta-feira e Paula acordou com mais sono que o normal. Desceu e o caf\u00e9 j\u00e1 estava servido por sua m\u00e3e. Tomou o caf\u00e9 com leite e comeu o p\u00e3o com manteiga com rapidez por estar atrasada. Despediu-se da m\u00e3e e saiu correndo, com a senhora reclamando que a vida n\u00e3o podia ser corrida assim.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pegou o metr\u00f4, chegou no trabalho e n\u00e3o parou praticamente o dia todo. Comeu um lanche no almo\u00e7o, ligou para o noivo perguntando se fariam algo de noite e Breno respondeu que n\u00e3o, pois ensaiaria com sua banda, mas poderiam ir ao cinema no dia seguinte. Irritou-se, desligou o telefone com viol\u00eancia e voltou ao trabalho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os amigos do trabalho convidaram para um chopp depois do expediente e ela aceitou. Paula deu risada com os colegas e at\u00e9 contou por alto a hist\u00f3ria do homem do metr\u00f4, sua amiga mais pr\u00f3xima, Fabiana, respondeu que dar \u201cumazinha\u201d com o desconhecido era at\u00e9 uma boa para esquentar sua rela\u00e7\u00e3o e Paula apenas riu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pegou o metr\u00f4 e como era mais tarde e todos iam para a farra sentou-se logo e abriu uma revista. Ficou lendo e quando abaixou para ver as horas percebeu o homem negro de \u00f3culos escuros novamente olhando para ela.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De novo ficou desconcertada, constrangida, mas dessa vez n\u00e3o se sentiu violentada, gostava do jeito daquele homem. Aos poucos ela parou de desviar o olhar e tamb\u00e9m come\u00e7ou a olhar para ele fixamente. Ficaram os dois se olhando sem dizer uma palavra, apenas o tes\u00e3o exalava no ar e Paula em pensamento torcia para que ele falasse algo. <\/div>\n<div>Mas o homem nada disse e ela conformada desceu na sua esta\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Deitou-se mais cedo e n\u00e3o conseguiu dormir pensando no homem e na forma que conseguia possu\u00ed-la apenas com o olhar. Virou-se na cama diversas vezes e nada do sono vir. Colocou a m\u00e3o por dentro da calcinha e come\u00e7ou a imaginar o homem lhe pegando com vontade no vag\u00e3o do metr\u00f4, encostando \u00e0 parede, afastando sua calcinha e tomando seu corpo para ele. Os dois ali transando como dois pervertidos no balan\u00e7ar do trem do metr\u00f4 que percorria os trilhos at\u00e9 a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando viu sua m\u00e3o estava molhada de prazer ent\u00e3o Paula sentiu-se a vontade para dormir.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No dia seguinte foi ao cinema com Breno ver um filme de guerra, g\u00eanero que odiava. Enquanto o rapaz entusiasmado via o filme e comia pipoca Paula enfurnada na cadeira s\u00f3 rezava para o tempo passar logo e ir embora. Depois do filme comeram uma pizza e Paula de bate pronto prop\u00f4s ao noivo irem a um motel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Breno respondeu que estava duro. Paula suspirou de raiva e disse que pagava, ent\u00e3o ele topou. No quarto do motel Breno subiu sobre a noiva para transar e Paula deitada na cama n\u00e3o sentia nada apenas pensando no homem do metr\u00f4. Uns dois minutos depois que come\u00e7ou o ato Breno chegou ao orgasmo deitando ao lado de uma noiva frustrada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No dia seguinte Breno foi ver o jogo do Vasco com seu irm\u00e3o e Paula ficou em casa sozinha. Passou o dia na sala vendo tv com os pais e imaginando se veria seu \u201camante\u201d no metr\u00f4.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Trabalhou na segunda ansiosa e entrou no vag\u00e3o procurando por ele. At\u00e9 que o encontrou sentado. Conseguiu depois de um tempo sentar-se a sua frente e ele n\u00e3o parou de olhar a ela, fixamente atr\u00e1s daqueles \u00f3culos escuros que deixavam tudo mais sensual. O jogo de sedu\u00e7\u00e3o estava estabelecido, sem nenhuma troca de palavras &#8211; apenas o desejo falando por eles.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E foi assim durante os dias. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula terminava de trabalhar e corria para o metr\u00f4 na esperan\u00e7a de encontr\u00e1-lo e sempre conseguia. Por uma grande sorte pegavam sempre o mesmo trem e o mesmo vag\u00e3o. N\u00e3o trocavam uma palavra e Paula sempre descia na Afonso Pena sem olhar para tr\u00e1s, imaginando que o homem lhe seguia com os olhos como se quisesse devor\u00e1-la.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Duas semanas nesse jogo de sedu\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que ela resolveu ousar. Foi ao trabalho com decote para chamar sua aten\u00e7\u00e3o. Sentou-se \u00e0 frente dele na volta para casa e sentiu que mexera com o homem. N\u00e3o em seu semblante ou na forma de agir que era a mesma, mas mulher tem sexto sentido, entende dessas coisas e Paula tinha certeza que alcan\u00e7ara seu objetivo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Resolveu abrir-se com a amiga Fabiana. Contou em todos os detalhes o que ocorria e perguntou o que fazer. Fabiana respondeu que a amiga n\u00e3o podia perder aquele homem e tinha que investir nele. Paula argumentou que era noiva e Fabiana revidou dizendo que Breno era um babac\u00e3o e merecia ter a testa ornamentada. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fabiana disse \u201cvai l\u00e1, sai com ele que as coisas v\u00e3o melhorar para voc\u00ea e dependendo do quanto ele for gostoso, se livre do Breno\u201d. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula respondeu que a amiga estava certa e Fabiana mandou que ela se vestisse lindamente no dia seguinte e tomasse a iniciativa, fosse at\u00e9 ele. Paula respondeu que nunca fizera isso e Fabiana olhando s\u00e9rio para a mo\u00e7a falou \u201cchegou a hora de fazer ent\u00e3o, faz parte desse jogo\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula concordou e no dia seguinte estava linda como nunca. Vestiu-se provocante, botou o melhor perfume e avisou em casa que talvez chegasse mais tarde. Aquele homem seria dela.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Trabalhou ansiosa e, mais ansiosa ainda, pegou o metr\u00f4 a fim de voltar para casa. Sentou-se como de costume \u00e0 sua frente, tentando tomar coragem de falar com ele. A esta\u00e7\u00e3o Afonso Pe\u00f1a chegou e ela n\u00e3o desceu, desceria junto com ele e ali falaria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chegaram \u00e0 \u00faltima esta\u00e7\u00e3o, Saens Pe\u00f1a &#8211; onde todos teriam que descer. O metr\u00f4 parou e Paula ansiosa levantou e se encaminhou at\u00e9 a ele, at\u00e9 sua frente, s\u00f3 esperando que ele tamb\u00e9m levantasse para falar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 que o homem sentado ao lado dele levantou-se, pegou uma bengala branca e disse \u201cvem Nelson\u201d. <span>\u00a0<\/span>O \u201camante\u201d de Paula levantou-se com dificuldade apoiado pelo amigo, pegou a bengala e dando o bra\u00e7o para ele, saiu do vag\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O negro de \u00f3culos escuros era cego, n\u00e3o via absolutamente nada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os dois foram embora e Paula ficou ali parada sem ter o que fazer e como agir.<\/div>\n<div>Arrumou coragem e foi pra casa. Abrindo a porta encontrou Breno no sof\u00e1 vendo filme.<\/div>\n<div>Andou at\u00e9 ele que se assustou com o semblante que a noiva apresentava. Breno levantou-se e perguntou qual era o problema.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Paula chorando come\u00e7ou a socar o peito de Breno gritando \u201cele \u00e9 cego!! Ele \u00e9 cego!!\u201d.<span>\u00a0 <\/span>O que os olhos n\u00e3o v\u00eaem o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o sente.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna de contos do compositor Alo\u00edsio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d. Pr\u00f3xima Esta\u00e7\u00e3o Metr\u00f4 (muito) cheio. 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