{"id":10836,"date":"2012-11-20T09:06:00","date_gmt":"2012-11-20T11:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/templo-negro-em-tempo-de-consciencia-negra\/"},"modified":"2012-11-20T09:06:00","modified_gmt":"2012-11-20T11:06:00","slug":"templo-negro-em-tempo-de-consciencia-negra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/11\/templo-negro-em-tempo-de-consciencia-negra\/","title":{"rendered":"Templo Negro em Tempo de Consci\u00eancia Negra"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-FLjNrNimwEA\/UKaOimOrUOI\/AAAAAAAAG5Q\/hksr9J3h_LI\/s1600\/candeia-e-martinho-da-vila.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"428\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/candeia-e-martinho-da-vila.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]-->Antes de passarmos ao assunto do dia, pe\u00e7o desculpas aos leitores pela aus\u00eancia de textos de minha autoria nos \u00faltimos dias. Venho enfrentando uma s\u00e9rie de problemas pessoais, especialmente de ordem profissional, e com diversos afazeres concorrendo por tempo. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas este Ouro de Tolo \u00e9 plural, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva e os colunistas mant\u00eam o pique com textos de alta qualidade. Certamente os leitores n\u00e3o sentiram a menor falta dos posts de minha lavra.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esclarecimento efetuado, vamos ao nosso tema de hoje, feriado aqui no estado do Rio de Janeiro<\/div>\n<div><\/div>\n<div>20 de novembro, Dia Estadual da Consci\u00eancia Negra.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Este feriado \u00e9 comemorado marcando o anivers\u00e1rio de morte de Zumbi dos Palmares, tido pela historiografia oficial como um dos grandes m\u00e1rtires da luta pela liberdade negra. Pesquisas mais recentes indicam que o Quilombo dos Palmares era mais semelhante \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o social africana que propriamente um lugar igualit\u00e1rio, como transcrito e divulgado atrav\u00e9s dos s\u00e9culos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Estas pesquisas mais recentes indicariam at\u00e9 que havia escravos no Quilombo. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 este o ponto central de hoje.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 porque l\u00e1 se v\u00e3o mais de quatro s\u00e9culos&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Este texto de hoje, mais do que comemorar ou dissertar, pretende refletir. Escrevi post sobre o assunto em julho a partir da observa\u00e7\u00e3o de que no col\u00e9gio onde minhas filhas estudam praticamente n\u00e3o h\u00e1 negros em posi\u00e7\u00e3o de aluno ou pais de alunos \u2013 somente em posi\u00e7\u00f5es empregat\u00edcias subalternas. Contudo n\u00e3o pretendo retomar o mote daquele artigo, <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com.br\/2012\/07\/o-racismo-nao-visto.html\" target=\"_blank\">que pode ser visto neste link<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Oficialmente, os escravos foram libertados em 13 de maio de 1888. Mas as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, em especial aos mais pobres, \u00e0 \u00e9poca pouco se diferenciavam apesar da &#8216;liberdade&#8217; conquistada. Na pr\u00e1tica, houve altera\u00e7\u00e3o na forma de organiza\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o. Alguma liberdade, verdade, mas restrita.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A escravid\u00e3o formal passou a ser a servid\u00e3o pelo trabalho \u2013 ou a falta de. Os baixos sal\u00e1rios substitu\u00edram o documento de posse formal, tornando tudo um mundo de \u201cfaz de conta\u201d: o direito de ir e vir por parte dos ent\u00e3o escravos passou a ser limitado pela falta de recursos financeiros, grosso modo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Brasil, o trabalhador s\u00f3 passou a ter alguma liberdade ap\u00f3s a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), aprovada no governo de Get\u00falio Vargas. Neste momento havia uma movimenta\u00e7\u00e3o mais livre por parte dos empregados no sentido de transitar entre empregos diferentes, at\u00e9 porque os Anos 50 e 60 foram as d\u00e9cadas do grande salto de industrializa\u00e7\u00e3o brasileiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A evolu\u00e7\u00e3o salarial e de emprego \u2013 a primeira particularmente \u2013 foram bem afetadas no per\u00edodo da ditadura militar, com pol\u00edticas compressoras de sal\u00e1rio e que aumentaram a concentra\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds, Isso apesar do per\u00edodo conhecido como \u201cMilagre Econ\u00f4mico\u201d, onde o pa\u00eds cresceu mas a renda n\u00e3o foi dividida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Par\u00eantese: chega a ser curioso ver o ent\u00e3o Czar da Economia Delfim Netto, que dizia \u201cprimeiro crescer o bolo da economia para depois dividi-lo\u201d hoje defendendo posi\u00e7\u00f5es keynesianas no campo econ\u00f4mico e social-democratas na pol\u00edtica. Nos dois momentos hist\u00f3ricos, com bastante compet\u00eancia &#8211; sejamos justos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para o negro, em especial, o conceito de liberdade ainda pode ser considerado bastante relativo. Quando vemos a sociedade e percebemos que ainda hoje h\u00e1 extrema dificuldade de inser\u00e7\u00e3o nas camadas mais altas da sociedade, notamos como ainda h\u00e1 muita coisa a ser feita, em que pese progressos vis\u00edveis ocorridos na \u00faltima d\u00e9cada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vale dizer que material da revista inglesa \u201cThe Economist\u201d, reproduzido na revista Carta Capital h\u00e1 tr\u00eas semanas, aponta o Brasil como um dos pa\u00edses que mais diminuiu a concentra\u00e7\u00e3o de renda na \u00faltima d\u00e9cada. Esta concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 medida por um indicador denominado \u201cCoeficiente de Gini\u201d ou \u201c\u00cdndice de Gini\u201d que, embora ainda tenha bastante a avan\u00e7ar, teve no caso brasileiro evolu\u00e7\u00e3o significativa na \u00faltima d\u00e9cada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O sacrif\u00edcio \u2013 ainda que simb\u00f3lico &#8211; de Zumbi e outros m\u00e1rtires da causa negra valeu a pena ?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sem d\u00favida alguma, a cultura negra hoje \u00e9 mais aceita que no in\u00edcio do s\u00e9culo passado. Contudo houve a necessidade de um processo de acultura\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o de seus costumes, sua cultura e suas cren\u00e7as.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como bons exemplos deste fen\u00f4meno, podemos citar a religi\u00e3o e o samba. Ambos passaram por um processo de acultura\u00e7\u00e3o &#8211; e, em certos casos, de domina\u00e7\u00e3o e perda de controle sobre o fen\u00f4meno.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por outro lado, lastima vermos, em pleno S\u00e9culo XXI, manifesta\u00e7\u00f5es de racismo latentes e expl\u00edcitas. O preconceito \u00e9 praga que n\u00e3o se findou. A pr\u00f3pria est\u00e1tua de Zumbi aqui no Rio, volta e meia, \u00e9 v\u00edtima deste estigma com picha\u00e7\u00f5es e vandalismo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m escrevi no artigo anterior que o racismo no Brasil \u00e9 disfar\u00e7ado, n\u00e3o expl\u00edcito. E por isso mais dif\u00edcil de combater, at\u00e9 porque a fronteira entre o politicamente correto \u2013 que \u00e9 outra praga \u2013 e o racismo \u00e9 muito, muito t\u00eanue.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A &#8220;consci\u00eancia negra&#8221; deve ser empregada na luta por oportunidades iguais, por empregos iguais, pela n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 uma luta de todos n\u00f3s, brasileiros. Por outro lado o racioc\u00ednio de que a discrimina\u00e7\u00e3o social no Brasil \u00e9 social, n\u00e3o de cor, \u00e9 apenas parcialmente v\u00e1lido. Explico.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sem d\u00favida alguma existe um preconceito de classe muito forte, com uma parcela da sociedade adotando posi\u00e7\u00f5es conservadoras, quase fascistas, como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 ascens\u00e3o social da denominada \u201cnova Classe C\u201d \u2013 basta ver alguns coment\u00e1rios que vem surgindo aqui mesmo em posts sobre pol\u00edtica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Contudo, quando observamos a composi\u00e7\u00e3o das classes, o percentual de negros nas Classes A e B \u00e9 muito, muito menor que a observada nas Classes D e E. Obviamente, como se percebe no in\u00edcio deste post, s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es que ainda remontam aos tempos da escravid\u00e3o e \u00e0 heran\u00e7a advinda desta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 curioso se perceber que junto \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social ocorrida nos \u00faltimos anos percebe-se uma guinada conservadora por parte da sociedade. Acredito que seja uma esp\u00e9cie de autodefesa daqueles que ascenderam a fim de n\u00e3o perder o que conquistaram a duras penas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Este racioc\u00ednio explica duas coisas: primeiro, o voto no PT \u2013 existe a percep\u00e7\u00e3o de que a oposi\u00e7\u00e3o defende os interesses econ\u00f4micos dos ricos e da elite, somente. Segundo, a guinada reacion\u00e1ria em temas como aborto, homossexuais, direitos civis, liberaliza\u00e7\u00e3o do consumo de maconha e que tais \u2013 \u201cturbinada\u201d, talvez, pela crescente mistura entre pol\u00edtica e religi\u00e3o a que assistimos hoje.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Acabei saindo um pouco do tema, mas a data de hoje \u00e9 importante para refletirmos se realmente nossa sociedade possui um m\u00ednimo de igualdade entre negros e brancos e se realmente estamos combatendo esta praga odiosa chamada racismo. Tamb\u00e9m \u00e9 dia de celebrar a cultura negra, enaltec\u00ea-la e divulg\u00e1-la em tudo de rico que tem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como fazia Candeia (1935-1978), grande compositor portelense e \u00e1rduo defensor da cultura negra \u2013 na foto, com Martinho da Vila em algum momento da d\u00e9cada de 70. Infelizmente Candeia partiu muito precocemente, v\u00edtima de complica\u00e7\u00f5es causadas pelos tiros levados em uma briga de tr\u00e2nsito e que o deixaram parapl\u00e9gico anos antes. Mas sua luta e sua genial obra ficaram. Viva Candeia e viva a cultura negra!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E j\u00e1 dizia o Salgueiro em 1989: &#8220;o Centen\u00e1rio n\u00e3o se apagar\u00e1&#8221;.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de passarmos ao assunto do dia, pe\u00e7o desculpas aos leitores pela aus\u00eancia de textos de minha autoria nos \u00faltimos dias. 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