{"id":10823,"date":"2012-12-01T09:37:00","date_gmt":"2012-12-01T11:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/buraco-da-fechadura-todo-amor-que-houver-nessa-vida\/"},"modified":"2012-12-01T09:37:00","modified_gmt":"2012-12-01T11:37:00","slug":"buraco-da-fechadura-todo-amor-que-houver-nessa-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/buraco-da-fechadura-todo-amor-que-houver-nessa-vida\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura &#8211; &quot;Todo amor que houver nessa vida&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-hIQQoWxqKpU\/ULfL5C8CckI\/AAAAAAAAHDs\/X3ElRFc51nU\/s1600\/flores.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"406\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/flores.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![end-->Neste s\u00e1bado, mais um conto da <b>coluna liter\u00e1ria do compositor Alo\u00edsio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d<\/b>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><u><i><b>Todo amor que houver nessa vida <\/b><\/i><\/u><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O amor pode ser uma coisa muito boa, o perfume que exala de nossa alma uma doce ess\u00eancia; como pode ser uma casca de ferida que, arrancada, pode trazer toda nossa dor \u00e0 tona. \u00c9 o bem, o mal e poder ser de todas as formas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Serginho desde pequeno sabia que era diferente. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Filho ca\u00e7ula entre quatro irm\u00e3os (tr\u00eas mulheres e ele), Serginho nunca curtiu muito jogar bola ou praticar brincadeiras de menino. Preferia sair para brincar com suas irm\u00e3s e invariavelmente brincava de bonecas com elas. Era sempre o pai da fam\u00edlia, o m\u00e9dico&#8230; Era o bendito fruto entre as mulheres.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cresceu assim e o pai, Seu Arlindo, n\u00e3o gostava. Serginho n\u00e3o se interessava por nenhuma atividade masculina. Pegou o filho e o levou \u00e0 zona escolhendo a menina mais bonita para lhe tirar a virgindade. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Algum tempo depois Serginho saiu do quarto sorrindo, e o pai tinha a certeza que o rapaz cumprira sua miss\u00e3o. Mas nada: depois Arlindo ficou sabendo que Serginho apenas bateu papo com a mo\u00e7a no quarto e trocou receitas de maquiagem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Arlindo deu uma surra em Serginho e exigiu que ele arrumasse uma namorada. O menino que n\u00e3o sabia o que acontecia com ele e porque era diferente acabou sucumbindo \u00e0s exig\u00eancias do pai e engatando namoro com uma amiga do col\u00e9gio, Ludmila.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Arlindo finalmente suspirava aliviado por ver o filho \u201cbem encaminhado\u201d enquanto Serginho come\u00e7ava a descobrir quem realmente era. Freq\u00fcentando a casa de Ludmila, sentia-se atra\u00eddo por seu irm\u00e3o. Ele n\u00e3o sabia o porqu\u00ea: aquilo o atormentava, deixava confuso, n\u00e3o queria ter aqueles sentimentos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas n\u00e3o havia d\u00favidas: era gay e n\u00e3o poderia \u2018fugir\u2019 disso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com o irm\u00e3o de Ludmila teve sua primeira experi\u00eancia sexual, mas o rapaz depois amea\u00e7ou Serginho contando que se ele falasse para algu\u00e9m o que aconteceu lhe matava. Dessa forma o menino sufocou seus sentimentos e vontades, ficando noivo de Ludmila.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As fam\u00edlias comemoraram, Arlindo estourou champanhe e nem se lembrava mais do passado de Serginho. Todos felizes, menos um: menos Serginho. Que depois foi afogar as m\u00e1goas em um bar gay da zona Sul do Rio de Janeiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Arrumou um emprego tradicional e seguiu os tr\u00e2mites de homem heterossexual.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Casamento marcado com Ludmila, n\u00e3o lhe restou mais nada al\u00e9m que subir ao altar. Arrumando-se para ir \u00e0 igreja na casa dos pais, Serginho era a imagem da desola\u00e7\u00e3o quando sua m\u00e3e apareceu e perguntou se estava tudo bem. Serginho suspirou respondendo que sim e a m\u00e3e, frente a frente com o filho, pegou em seu rosto e disse:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201c- N\u00e3o minta para mim\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Serginho desviou o olhar e respondeu que n\u00e3o mentia. Sua m\u00e3e contou que ele n\u00e3o precisava esconder nada, que n\u00e3o era boba e sabia que o filho n\u00e3o queria aquele casamento nem aquela vida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Serginho n\u00e3o sabia o que dizer. Sua m\u00e3e se encaminhou para a porta e disse \u201cN\u00e3o me importa se voc\u00ea gosta de homem ou de mulher, apenas que seja feliz\u201d. Saiu e deixou o filho sozinho para refletir.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Arrumado para o casamento saiu e foi caminhar pela praia. Seu celular tocava desesperadamente, enquanto ele sentado na cal\u00e7ada olhava o mar e as ondas batendo nas pedras. Teria que decidir o que fazer: sua vida e seu destino.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Muito pensou e decidiu se encaminhar \u00e0 igreja. Chegando ao local encontrou todo mundo desesperado com sua demora, o carro da noiva dando voltas no entorno da igreja esperando sua chegada e seu Arlindo vermelho de raiva.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas casou, seguiu o protocolo e no fim quase todos estavam felizes na festa, menos ele. Casou-se jovem, com apenas vinte anos e assim seguiu sua vida de casado. Ludmila trabalhando como professora, ele em um escrit\u00f3rio de contabilidade. N\u00e3o tiveram filhos nesse per\u00edodo, mesmo tendo cobran\u00e7a de seu pai. N\u00e3o era feliz, mas levava sua vida como dava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com dois anos de casado Serginho estava em seu escrit\u00f3rio quando o celular tocou. Atendeu e era sua m\u00e3e desesperada porque o pai tinha enfartado. Correu para o hospital e encontrou a todos chorando na sala de espera. Ficou l\u00e1 abra\u00e7ado com a m\u00e3e at\u00e9 receber a not\u00edcia que ningu\u00e9m queria&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Seu Arlindo morrera.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No cemit\u00e9rio, vendo o caix\u00e3o do pai descer \u00e0 sepultura sua irm\u00e3 mais velha colocou a m\u00e3o em seu ombro e disse do \u00faltimo desejo de seu Arlindo: que ele fosse pai. Serginho ouviu a tudo calado, sem esbo\u00e7ar nenhuma rea\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depois do enterro foi andar pelo cal\u00e7ad\u00e3o pensando em sua vida, no pai, nos seus desejos reprimidos e tudo que deixara pra tr\u00e1s. Tinha apenas vinte e dois anos, muito para viver e n\u00e3o queria mais ser infeliz. Queria seguir suas vontades, anseios, mas n\u00e3o sabia como, o que fazer.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Andando viu uma boate gay que freq\u00fcentava antes de se casar. L\u00e1 ele conhecia rapazes como ele e via show de transformistas. Ele gostava de ver aqueles homens vestidos como mulheres apresentando show: verdadeiros artistas que n\u00e3o tinham vergonha de se expor como realmente eram.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A vergonha que ele tinha, que o seu pai imp\u00f4s.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi ali que Serginho se tocou que n\u00e3o precisava mais ter uma vida falsa, n\u00e3o tinha mais que agradar a seu pai. Lembrou-se das palavras da irm\u00e3 no enterro, olhou para o alto e disse: \u201csinto muito pai, mas agora eu vou atender aos meus desejos\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Voltou para sua casa e chamou Ludmila para conversar. Contou a esposa que n\u00e3o ag\u00fcentava mais aquela vida de mentira, n\u00e3o era feliz e queria se separar. Ludmila se desesperou, tentou de todas as formas convencer o marido do contr\u00e1rio, mas em v\u00e3o. Na hora dele sair ela gritou perguntando se tinha outra mulher no meio. Serginho com a m\u00e3o na porta virou para a esposa e respondeu \u201cn\u00e3o tem mulher, tem eu\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi para a casa da m\u00e3e e contou que estava se separando pra come\u00e7ar nova vida. Recebeu apoio e desejo de boa sorte. Alugou um apartamento na Lapa e decidiu come\u00e7ar sua vida do zero.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com o tempo a vida de Serginho mudou completamente. Largou o emprego tradicional e colocou sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o para fora. Era um artista e foi trabalhar em uma casa de shows voltada para turistas, imitando a Madonna.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sim, show de transformismo como ele sempre admirara. Rapidamente se tornou a principal atra\u00e7\u00e3o da casa: sua Madonna era considerada perfeita e Serginho conhecia o que era felicidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas faltava uma coisa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Queria ter um diploma. Como casara cedo e teve que ir trabalhar largou os estudos, mas queria terminar a faculdade. Com voca\u00e7\u00e3o para artes tentou o vestibular para cinema e passou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pronto agora estava tudo completo. Livre das amarras do pai. conseguia ser como queria. De dia estudava, de noite fazia shows: assim era a nova vida de Serginho, que fez amizades na faculdade. Bem articulado, simp\u00e1tico, bonito, Serginho era o centro das aten\u00e7\u00f5es no curso &#8211; onde tamb\u00e9m tinha gente que lhe chamava a aten\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Logo no primeiro dia de aula Serginho fazia anota\u00e7\u00f5es no caderno quando um rapaz se aproximou e perguntou se a cadeira ao lado estava vazia. Serginho levantou o rosto pra dizer que sim &#8211; e na hora seu cora\u00e7\u00e3o gelou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Viu um rapaz bonito e sorridente olhando para ele. Em pensamento Serginho disse \u201c\u00e9 ele\u201d. Seu cora\u00e7\u00e3o sabia, nunca sentira nada assim. O rapaz sentou-se e cumprimentou Serginho dizendo que se chamava Jofre.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fizeram amizade imediata, fazendo parte da mesma turma. Viraram os melhores amigos, dupla em v\u00f4lei de praia, saindo sempre pra tomar um chopinho e Jofre fez de Serginho seu confidente: contando sua vida e suas confus\u00f5es com as mulheres.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Jofre era mulherengo, uma mulher por dia e contava ao amigo suas aventuras. Serginho n\u00e3o contara sobre sua homossexualidade nem como ganhava a vida e sofria com aquela situa\u00e7\u00e3o. Sentia-se amarrado como era junto a seu pai.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma noite Serginho estava de folga quando a campainha tocou. Era Jofre com duas mulheres, uma pizza e uma garrafa de u\u00edsque perguntando se podia entrar. Serginho engoliu em seco e respondeu que sim. Entraram e ficaram batendo papo, bebendo e se divertindo. Em determinado momento as meninas foram ao banheiro e Jofre quis conversar com o amigo.<\/div>\n<div>Perguntou o que Serginho achara da morena e ele respondeu que era bonita. Jofre sorriu e deu um tapinha no ombro do amigo dizendo que era sua.<\/div>\n<div><span>\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/div>\n<div>Serginho fingiu alegria, levou o copo de u\u00edsque \u00e0 boca e Jofre perguntou se podia ir para o quarto de h\u00f3spedes com a loira. Serginho gelou e n\u00e3o conseguia dizer nada. Jofre botou a m\u00e3o no rosto de Serginho e implorou que o amigo deixasse. Serginho com a m\u00e3o de seu amado no rosto parecia flutuar, mas se conteve e respondeu que sim. Jofre deu um beijo no rosto do amigo e disse que lhe devia uma.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As meninas voltaram do banheiro e Jofre chamou a loira para ir ao quarto. A morena sentou ao lado de Serginho e comentou que nem sabia seu nome. Ele respondeu e ela disse que se chamava Dayse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Serginho respondeu continuou bebendo. Dayse olhava para o rapaz e comentou \u201cvoc\u00ea \u00e9 afim dele n\u00e9?\u201d Serginho assustado virou para a mo\u00e7a, que continuou: \u201cs\u00f3 ele n\u00e3o percebe\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Conversaram a noite toda e no fim Jofre e a loira sa\u00edram do quarto e sentaram no sof\u00e1 com Serginho e Dayse. Jofre perguntou ao amigo como fora a noite e ele respondeu: \u201cmaravilhosa\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Assim prosseguia a vida e a amizade entre os dois rapazes. Jofre perguntava o que Serginho fazia de noite que estava com quase todas ocupadas e ele respondia \u201ctrabalho\u201d. Jofre queria saber que trabalho era e Serginho desconversava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Serginho vivia como ele queria, mas as coisas j\u00e1 n\u00e3o estavam t\u00e3o legais como no in\u00edcio. Estava completamente apaixonado, louco por Jofre e n\u00e3o sabia o que fazer. Jofre era um daqueles heterossexuais cl\u00e1ssicos, mulherengo, mach\u00e3o, era capaz de encerrar a amizade com Serginho se soubesse que era gay. Serginho sofria aquele amor imposs\u00edvel, queria esquecer Jofre.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas n\u00e3o conseguia. Um dia na faculdade Jofre contava entusiasmado que conhecera uma mulher maravilhosa e sairia com ela de noite, perguntando ao amigo se ele tinha alguma dica de local para irem. Serginho, desolado e aborrecido com aquela hist\u00f3ria respondeu que n\u00e3o, Jofre ignorou e continuou falando da beleza e gostosura da mulher com a qual sairia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De noite Serginho foi para a casa de show. Triste, se maquiava e pensava em Jofre quando avisaram que era hora dele ir ao palco. Subiu ao palco como Madonna come\u00e7ando a dublar \u201cLike a Virgin\u201d quando ouviu um grito: \u201cSerginho!!\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando olhou para a plat\u00e9ia era Ludmila, sua ex mulher. Pior: acompanhada de Jofre. Era Ludmila a mulher que ele tanto falara.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Serginho desesperado desceu do palco para falar com Jofre e Ludmila se meteu na frente. A mulher socava o ex perguntando se era para aquilo que ele tinha lhe deixado enquanto Serginho via Jofre ir embora sem poder fazer nada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No dia seguinte Serginho tentou falar com Jofre em v\u00e3o: o rapaz o ignorou. Foi assim durante toda a semana, at\u00e9 que Serginho n\u00e3o ag\u00fcentando mais de tristeza parou de freq\u00fcentar a faculdade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Trancou a matr\u00edcula, largou os shows e se entregou \u00e0 depress\u00e3o. N\u00e3o sa\u00eda mais de casa. Nunca fora t\u00e3o infeliz na vida, nem nos tempos que era mandado pelo pai.<\/div>\n<div><span>\u00a0 <\/span><\/div>\n<div>Um dia estava deitado e ouviu baterem na porta. Botou o travesseiro sobre a cabe\u00e7a, n\u00e3o queria atender, mas a batida era insistente e, resignado, ele levantou pra ver o que era.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Abriu a porta e deu de cara com Jofre. Olharam-se um tempo e Jofre entrou, bateu a porta e deu um beijo apaixonado em Serginho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A ess\u00eancia do perfume, a casca de ferida, o que vale a pena \u00e9 amar. Todo amor que houver nessa vida.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, mais um conto da coluna liter\u00e1ria do compositor Alo\u00edsio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d. 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