{"id":10808,"date":"2012-12-15T09:36:00","date_gmt":"2012-12-15T11:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/buraco-da-fechadura-a-dengue\/"},"modified":"2012-12-15T09:36:00","modified_gmt":"2012-12-15T11:36:00","slug":"buraco-da-fechadura-a-dengue","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/buraco-da-fechadura-a-dengue\/","title":{"rendered":"Buraco da Fechadura &#8211; &quot;A Dengue&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-NhOFwWZkpJA\/UMc2knaxZvI\/AAAAAAAAHOw\/X5KQMXXPkCg\/s1600\/02_MHG_EUREP_PNEU3.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"408\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/02_MHG_EUREP_PNEU3.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument>  <w:View>Normal<\/w:View>  <w:Zoom>0<\/w:Zoom>  <w:HyphenationZone>21<\/w:HyphenationZone>  <w:PunctuationKerning\/>  <w:ValidateAgainstSchemas\/>  <w:SaveIfXMLInvalid>false<\/w:SaveIfXMLInvalid>  <w:IgnoreMixedContent>false<\/w:IgnoreMixedContent>  <w:AlwaysShowPlaceholderText>false<\/w:AlwaysShowPlaceholderText>  <w:Compatibility>   <w:BreakWrappedTables\/>   <w:SnapToGridInCell\/>   <w:WrapTextWithPunct\/>   <w:UseAsianBreakRules\/>   <w:DontGrowAutofit\/>  <\/w:Compatibility>  <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4<\/w:BrowserLevel> <\/w:WordDocument><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState=\"false\" LatentStyleCount=\"156\"> <\/w:LatentStyles><\/xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]>\n\n<style> \/* Style Definitions *\/  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:\"Tabela normal\";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:\"\";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:\"Times New Roman\";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} <\/style>\n\n<![endif]--> <\/p>\n<div>Neste s\u00e1bado, mais um texto da c<b>oluna de contos do compositor Alo\u00edsio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d<\/b>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><u><i><b>A Dengue<\/b><\/i><\/u><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais uma vez o Rio de Janeiro passava por uma grande epidemia de dengue. Cada ano um novo tipo de dengue era descoberto e pelos \u00faltimos c\u00e1lculos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade havia 7.365.647.579.458 varia\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A dengue j\u00e1 era um produto tradicional do Rio de Janeiro como o carnaval, o futebol, a praia com mulheres bonitas e o tr\u00e1fico de drogas; a dengue sempre vinha passar o ver\u00e3o em terras cariocas e deixava sua marca em muitos dos nativos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio era um cara que tinha certa conviv\u00eancia com o mosquito da dengue. Ele era agente da prefeitura e ia de casa em casa verificar e acabar com os focos. Mostrava a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o, acabar com a \u00e1gua parada, tampar garrafas, limpar pneus e todas aquelas coisas que ouvimos sempre no ver\u00e3o, poucos d\u00e3o import\u00e2ncia &#8211; e o mosquito faz a festa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele trabalhava muito, corria toda a cidade para combater o mosquito maldito e s\u00f3 pensava em voltar pra casa e dar uns beijos em Matilde, a mulata espetacular, ex rainha de bateria que o homem conseguiu fisgar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio conheceu Matilde numa tarde no Cacique de Ramos, famoso bloco de carnaval do Rio de Janeiro. Debaixo da tamarineira, enquanto o samba rolava, encheu-se de coragem, levou uma cerveja e dois copos at\u00e9 a mulata e lan\u00e7ou a isca. O agente sanit\u00e1rio sempre foi bom de papo e naquele dia mesmo j\u00e1 deu uns beijinhos na mulher.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Namoraram um tempo e alguns meses depois a mulata j\u00e1 foi de mala e cuia pra casa de Desid\u00e9rio. Tiveram dois filhos e viviam uma rela\u00e7\u00e3o harmoniosa e feliz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O homem gostava nas horas vagas de soltar pipa com os filhos, assar uma carne e chamar os amigos. Tudo regado a muita cerveja, jogar bola, sinuca no bar do seu Ab\u00edlio e assistir a jogos do Botafogo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio era botafoguense fan\u00e1tico, do tipo que ia a todos os jogos que podia. Tinha camisas, bon\u00e9s, cal\u00e7\u00f5es, chaveiros: tudo sobre o clube. Ficava doente por causa do Botafogo, chorava e n\u00e3o queria comer quando ele perdia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>[N.do.E: a piada \u00e9 irresist\u00edvel: o personagem do nosso conto deve ser bem magro&#8230;]<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Naquele domingo, especialmente, Desid\u00e9rio estava tenso. Era dia de jogo contra o Flamengo e ele odiava o rubro-negro. Acordou cedo e preparou o manto alvinegro para ir ao est\u00e1dio. Como bom botafoguense, era supersticioso e preparou todas as mandingas poss\u00edveis para o time vencer.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quis comida leve naquele dia e pediu a Matilde que preparasse uma rabada. Comeu, deu um beijo na patroa e dirigiu-se a casa de Silas, seu melhor amigo, para irem ao Maracan\u00e3.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Devidamente uniformizado para a \u201cguerra\u201d Desid\u00e9rio bateu palmas no port\u00e3o do amigo e ele apareceu na janela. Abriu a porta tocando uma corneta e Desid\u00e9rio gritava \u201cFogooo\u201d do lado de fora. Um desavisado pensaria que se tratava de um inc\u00eandio.<span>\u00a0\u00a0 <\/span><\/div>\n<div>Cumprimentaram-se e Silas gritou que era dia de depenar o urubu, Desid\u00e9rio devolveu com um \u201cpau na mulambada\u201d &#8211; e com aquelas palavras carinhosas os dois foram ao est\u00e1dio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chegaram, o jogo come\u00e7ou e foi tenso. Jogo l\u00e1 e c\u00e1 como toda grande partida, mas no fim o Botafogo venceu por 2&#215;0, para alegria dos dois amigos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Voltaram pra casa felizes, mas antes de regressarem ao lar decidiram passar no bar de seu Ab\u00edlio, jogar uma sinuca e tirar uma onda com os flamenguistas. Silas e Desid\u00e9rio jogavam sinuca, riam, bebiam e gozavam os rubro-negros se divertindo imensamente; mas Rubens, um amigo rubro-negro deles, se aborreceu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Silas tentava fazer o amigo se acalmar, mas Rubens irritado com as goza\u00e7\u00f5es semeou a disc\u00f3rdia dizendo que tinha cara se preocupando muito com futebol e tomando bola nas costas da esposa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O \u00fanico casado no ambiente era Desid\u00e9rio e um clima estranho pairou no bar. Desid\u00e9rio &#8211; que na hora que Rubens fez esse coment\u00e1rio errou a tacada que faria na sinuca &#8211; olhou para o homem e pediu que ele repetisse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Rubens perguntou se al\u00e9m de corno o agente tinha ficado surdo e Desid\u00e9rio riu, come\u00e7ou a gargalhar com essa situa\u00e7\u00e3o e depois partiu pra cima de Rubens. A turma do deixa disso interveio e Ab\u00edlio gritou que n\u00e3o queria confus\u00e3o em seu estabelecimento.<\/div>\n<div>Desid\u00e9rio perguntou que papo era aquele e Rubens respondeu que ele se informasse com sua esposa: j\u00e1 tinha dado o toque, o resto era com ele.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Silas conseguiu convencer um Desid\u00e9rio furioso a sair do bar e o agente inconformado reclamava com o amigo sobre a insinua\u00e7\u00e3o maldosa de Rubens. Silas mandou que o amigo n\u00e3o levasse em considera\u00e7\u00e3o, pois, era flamenguista e flamenguista n\u00e3o devia ser levado a s\u00e9rio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na frente do port\u00e3o de casa Desid\u00e9rio respirou fundo e Silas mandou que ele entrasse e se acalmasse que Matilde era uma santa. Desid\u00e9rio deu raz\u00e3o ao amigo, agradeceu e entrou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No lado de dentro encontrou Matilde na sala que perguntou quando fora o jogo. Desid\u00e9rio co\u00e7ou a testa e respondeu que o Botafogo vencera por 2&#215;0. Matilde correu para abra\u00e7ar o marido e na imagina\u00e7\u00e3o de Desid\u00e9rio outro homem abra\u00e7ava sua mulher por tr\u00e1s fazendo dela um sandu\u00edche.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Assustado, Desid\u00e9rio se afastou de Matilde, que perguntou se ele estava bem. O pobre homem respondeu que sim. Matilde ent\u00e3o mandou que ele sentasse \u00e0 mesa que esquentaria a janta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio sentou e ficou observando a esposa preparando o jantar. Em sua imagina\u00e7\u00e3o ela estava com um homem na cozinha, ele jogava as panelas no ch\u00e3o e colocava Matilde sentada no fog\u00e3o para transar com a mulher.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Co\u00e7ou os olhos assustado e quando parou viu sua esposa sem homem nenhum do lado colocando seu prato na mesa. Matilde sentou-se a seu lado fazendo carinho em sua m\u00e3o dizendo que preparou um feij\u00e3o pra ele comer com a rabada e esperava que ele gostasse. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio deu as primeiras garfadas olhando desconfiado para sua mulher, que por sua vez olhava para ele com muito carinho. A imagina\u00e7\u00e3o do homem voltava a trabalhar e nela o \u201camante\u201d de Matilde sentava a seu lado e beijava seu pesco\u00e7o passando as m\u00e3os por seu corpo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em um surto, ele gritou \u201cchega\u201d e Matilde perguntou o que ele tinha. O agente respondeu que apenas estava estressado e que iria deitar. A mulher deu um beijo nele e desejou que tivesse bons sonhos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas estava complicado para que Desid\u00e9rio tivesse bons sonhos. Mal pregou os olhos e quando dormia tinha pesadelos, como sua esposa participando de um filme porn\u00f4 numa cena de gang bang &#8211; que vem a ser uma mulher com muitos homens. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi para o trabalho e mal conseguia se concentrar pensando na mulher e no que ela vinha aprontando. Ia de casa em casa pra falar do mosquito da dengue e se referia a ele como o mosquito safado que pegava a mulher dos outros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi para o bar depois com Silas e comentou o drama que passava. O amigo mandou que Desid\u00e9rio parasse de besteiras que Matilde era uma mulher decente. Desid\u00e9rio co\u00e7ava a cabe\u00e7a e respondia \u201csei n\u00e3o, sei n\u00e3o\u201d. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Silas irritado perguntou como o agente podia desconfiar assim da m\u00e3e de seus filhos e que em vez dele estar l\u00e1 no bar bebendo devia estar com ela em casa, dando lhe chamego e aten\u00e7\u00e3o, assim ela nunca iria querer de outro homem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio concordou com o amigo, levantou-se e disse que a conta naquele dia era dele. Saindo do bar deu de cara com Rubens. Um olhou para o outro e Desid\u00e9rio. com cara de poucos amigos. saiu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chegou em casa gritando por Matilde e que ela se preparasse que naquela noite teria, mas ela n\u00e3o atendeu. Percorreu toda a casa e nada. Sentou-se no sof\u00e1 se perguntando onde a mulher estaria \u00e0quela hora e imaginando que estivesse com algum macho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apenas duas horas depois ela chegou com os filhos e Desid\u00e9rio irritado perguntou onde Matilde estava. A mulher sem entender a rea\u00e7\u00e3o do marido respondeu que estava na casa de sua m\u00e3e e nunca vira o marido daquela forma. Desid\u00e9rio caiu na real e para n\u00e3o assumir o ci\u00fame, nem que estava desconfiado, pediu desculpas e comentou que estava preocupado porque a cidade andava violenta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Matilde deu um beijo no marido e se encaminhou para a cozinha. Rapidamente Desid\u00e9rio pegou o telefone e ligou para a sogra perguntando se Matilde esteve l\u00e1. A senhora respondeu que sim e para n\u00e3o haver desconfian\u00e7as o agente disse \u00e0 sogra que Matilde perdera um brinco e pediu que a senhora procurasse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desligou e sem ser visto observava Matilde pegando uma ma\u00e7\u00e3 na geladeira. O homem estava desconfiado demais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A paran\u00f3ia aumentava e Desid\u00e9rio come\u00e7ou a seguir a mulher na rua, mas n\u00e3o conseguia descobrir nada, n\u00e3o via nada de errado com ela. Comentou com Silas que nem conseguia dormir mais direito e notou que o amigo estava estranho. Perguntou o que Silas tinha e ele respondeu que realmente estavam rolando uns coment\u00e1rios que Matilde lhe tra\u00eda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio ficou verde, amarelo, azul e branco, queria matar a esposa e Silas pediu que o agente se acalmasse, que talvez fossem somente boatos. Mas o homem estava transtornado: repetia que n\u00e3o era boato, ela realmente o traia e s\u00f3 n\u00e3o conseguira descobrir como ainda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O agente planejava o que faria se encontrasse a mulher com outro na cama. Disse que a mataria e mataria o homem tamb\u00e9m: mataria os dois. Silas falou que viol\u00eancia n\u00e3o levava a nada e Desid\u00e9rio respondeu que chifre levava a tudo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma noite, muito desconfiado, Desid\u00e9rio estava em casa com os filhos porque a esposa alegou que iria ver uma amiga doente quando o telefone tocou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio atendeu e de forma an\u00f4nima do outro lado da linha um homem falou \u201cquer saber onde sua mulher est\u00e1? Ela est\u00e1 no Motel Carinhus, quarto 203, corre l\u00e1 ot\u00e1rio\u201d desligando.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O ch\u00e3o sumira dos p\u00e9s de Desid\u00e9rio. O homem sentou-se e o filho mais velho perguntou se o pai estava bem. Desid\u00e9rio respondeu que sim e pediu que ele tomasse conta do irm\u00e3ozinho, pois, teria que sair.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desid\u00e9rio pegou um \u00f4nibus e foi direto ao Motel Carinhus. Muito nervoso chegou ao sagu\u00e3o quebrando tudo e subindo direto com o atendente n\u00e3o conseguindo lhe segurar. Na frente da porta do 203 respirou fundo e arrombou a porta com um pontap\u00e9 tomando um susto com o que viu dentro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Encontrou seu amigo Silas deitado na cama com uma mulher, na verdade um travesti, n\u00e3o era Matilde.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Constrangido Desid\u00e9rio pediu desculpas ao amigo e se retirou, decidiu voltar e da porta falou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; Poxa Silas, viado?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Do lado de fora foi algemado por policiais chamados pela ger\u00eancia do motel e feliz falava: <i>\u201cN\u00e3o era Matilde, minha mulher \u00e9 uma santa\u201d<\/i>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m reclamou de dores no corpo e se sentia quente, febril.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Da cela foi transferido para um hospital: estava com dengue. Matilde foi visit\u00e1-lo e enquanto lhe dava sopa Desid\u00e9rio contou tudo que ocorrera e pediu desculpas \u00e0 esposa contando que nunca mais desconfiaria dela.<span>\u00a0 <\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Matilde olhou com carinho Desid\u00e9rio, disse que amava o marido e lhe beijou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Saiu do hospital e entrou em um carro beijando na boca o homem que lhe esperava: era Rubens. Matilde riu e disse que o \u201cot\u00e1rio\u201d ficaria uns dias internado, estavam livres.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Rubens gargalhou e respondeu que agora podiam ir de verdade ao Carinhus. Acelerou o carro e partiram.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Onde h\u00e1 fuma\u00e7a, h\u00e1 \u201cfogo\u201d&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>(Foto: O Globo)<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste s\u00e1bado, mais um texto da coluna de contos do compositor Alo\u00edsio Villar, a \u201cBuraco da Fechadura\u201d. 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