{"id":10795,"date":"2012-12-28T07:42:00","date_gmt":"2012-12-28T09:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/bissexta-o-amor-ah-o-amor\/"},"modified":"2012-12-28T07:42:00","modified_gmt":"2012-12-28T09:42:00","slug":"bissexta-o-amor-ah-o-amor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/bissexta-o-amor-ah-o-amor\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; &quot;O Amor, ah o Amor!&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-rQ6qv6h89bo\/UNS6HfynsVI\/AAAAAAAAHfA\/J43F56btRUs\/s1600\/Beijo+Hotel+de+Ville.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"506\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Beijo+Hotel+de+Ville.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Neste \u00faltimo dia \u00fatil de 2012, a <b>coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do advogado Walter Monteiro<\/b>, traz uma verdadeira mensagem de Ano Novo aos leitores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Lembro novamente que a partir do pr\u00f3ximo dia 01\/01, ter\u00e7a feira, o Ouro de Tolo estar\u00e1 em endere\u00e7o novo: www.pedromigao.com.br. Caro leitor, atualiza seu arquivo de marcadores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><u><i><b>O Amor, ah o Amor!<\/b><\/i><\/u><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fim de ano \u00e9 aquela coisa: tem panetone, especial do Roberto Carlos &#8211; e gente amaldi\u00e7oando os aeroportos e as companhias a\u00e9reas.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Brasileiro tem uma rela\u00e7\u00e3o curiosa com o transporte a\u00e9reo. A gente \u00e9 maltratado por uma extensa gama de servi\u00e7os, pois passamos horas engarrafados no tr\u00e2nsito, sofremos com a falta de energia em casos de temporal, a telefonia e a rede de dados por celular \u00e9 ca\u00f3tica. Mas as exig\u00eancias mais severas caem na conta dos v\u00f4os. Talvez por ser algo relativamente novo nas nossas vidas, todo mundo demanda um atendimento de excel\u00eancia e mimos. <\/p>\n<p>Eu voltava do Rio para Porto Alegre, semana passada, depois de um dia de comemora\u00e7\u00f5es, festas, cervejas e piscinas, no ponto exato para dormir as quase duas horas de v\u00f4o e me esquivar do mau humor que contamina os passageiros. Estava confortavelmente instalado na segunda fileira de poltronas, mas o atraso inclemente come\u00e7ou a dar vaz\u00e3o ao tilintar de liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas de gente se justificando. <\/p>\n<p>Logo quando embarquei notei que na primeira fileira, reservada \u00e0s pessoas com necessidades especiais, na minha frente iriam dois jovens portadores de S\u00edndrome de Down: um rapaz e uma mo\u00e7a. Quer dizer, ela parecia ter um outro dist\u00farbio assemelhado, ele tinha uma apar\u00eancia mais t\u00edpica da s\u00edndrome.<\/p>\n<p>Fui despertado do estado de sonol\u00eancia pela mo\u00e7a falando ao telefone. Se expressando com clareza, mas com alguma dificuldade, ela dizia ao interlocutor que ainda estava no Rio de Janeiro, mas fazia quest\u00e3o de ressaltar a felicidade de estar ali. O avi\u00e3o inteiro xingando a TAM pelo atraso injustificado e a mo\u00e7a na contram\u00e3o do \u00e2nimo geral: alegre. <\/p>\n<p>Ela desligou e disse ao comiss\u00e1rio: era minha sogra.<\/p>\n<p>Tomei um susto imenso. Eu jamais poderia imaginar que aqueles dois jovens ali sentados com toda a paci\u00eancia do mundo eram casados. Dei um jeito de conferir e notei a alian\u00e7a na m\u00e3o esquerda do rapaz. Sim, eles eram casados.<\/p>\n<p>E de repente, um novo mundo se apresentou ali, separado de mim por um encosto de cabe\u00e7a.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Eu via casais amargurados pela longa espera, eu via pais de mau humor pela inquieta\u00e7\u00e3o dos filhos irritadi\u00e7os, eu via gente de todo tipo amaldi\u00e7oando a m\u00e1 sorte de ter que lidar com o atraso de uma hora do v\u00f4o. Entretanto n\u00e3o conseguia parar de pensar na alegria daqueles dois jovens da minha frente.<\/p>\n<p>O que eles vieram fazer no Rio, afinal? Estariam em lua-de mel? Foram a algum evento? Estariam de f\u00e9rias, passeando pela cidade? Foram visitar parentes? Ou ser\u00e1 que moravam sozinhos no Rio e estavam voltando ao Sul para passar o Natal com a fam\u00edlia?<\/p>\n<p>E eu pensei o quanto tempo da minha vida e da vida dos meus leitores eu desperdicei, sendo amargurado, tecendo cr\u00edticas e descendo o malho no alheio. Digo isso porque quase sempre escrevi aqui falando de temas diversos, mas sempre com um olhar pretensiosamente superior, confrontando algu\u00e9m ou alguma corrente de pensamento.<\/p>\n<p>Como eu posso ter passado esse ano inteiro de 2012 sem falar do amor? H\u00e1 algo mais belo que o amor? Mais reconfortante que o amor? Mais rejuvenescedor que o amor?<\/p>\n<p>Tanta coisa aconteceu em 2012, mas a cena final foi particularmente recompensadora: aquele jovem casal e suas necessidades especiais, caminhando \u00e0 minha frente na sala de desembarque, acompanhado pelos comiss\u00e1rios de bordo (sim, eles n\u00e3o tinham autoriza\u00e7\u00e3o para andarem sozinhos), com tantos motivos para reclamarem da vida&#8230; Contudo celebravam o privil\u00e9gio de estarem juntos: de repartirem um amor profundo.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o muitas hist\u00f3rias de amor, claro. Mas as pessoas quase sempre amam o outro porque o parceiro \u00e9 belo, \u00e9 bem sucedido, \u00e9 inteligente, \u00e9 sexy, \u00e9 poderoso. Os meus colegas de viagem n\u00e3o tinham nada disso. Tinham apenas o infort\u00fanio de suas necessidades especiais, que os reuniu. E, unidos, fizeram do amor a senha para serem felizes, juntos. \u00a0A gente, que muito tem, brigando por t\u00e3o pouco e eles, que t\u00e3o pouco tem, se amando&#8230;<\/p>\n<p>Como \u00e9 belo o amor. Que em 2013, eu possa falar mais do amor, porque, se ainda me faltavam d\u00favidas, agora j\u00e1 tenho absoluta certeza: em nossas vidas, all you need is love.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O resto, se ajeita.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste \u00faltimo dia \u00fatil de 2012, a coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do advogado Walter Monteiro, traz uma verdadeira mensagem de Ano Novo aos leitores. 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