A grande confusão do futebol no momento, o caso “Arrascaeta”, chegou ao fim.

Todo mundo já sabe a confusão que se instalou na relação Flamengo e Cruzeiro. O jogador uruguaio, estrela cruzeirense, com a qual o Flamengo acertou salários antes de acertar com o time de Minas causando todo esse problema. O uruguaio sumiu, voltou para sua terra deixando o Cruzeiro na mão e acusando o Flamengo de aliciamento.

Aliciamento é a famosa “pernada de anão”, termo bem mais popular como outros famosos que foram deixados de lado com o tempo como “retranca” que virou “futebol reativo”. Muitos são os casos parecidos no futebol brasileiro e em 2019 faz 30 anos daquele que considero mais famoso e o primeiro que eu vivi. A ida de Bebeto para o Vasco.

Em 1980 o Flamengo tentou tirar o ídolo vascaíno Roberto do Barcelona, chegou a acertar tudo, mas o craque acabou voltando para o Vasco. Em 1989, com Zico em final de carreira, Bebeto era o grande nome do Flamengo, Artilheiro, titular da seleção brasileira, para muitos Bebeto era o sucessor do galinho. Até que não acertou renovação de contrato com o time da Gávea e o passe foi estipulado e fixado na Federação do Rio. Na época os clubes eram donos dos passes e quando não havia acordo de renovação não ficava liberado, tinha seu passe fixado.

Aí veio a pernada de anão.

Bebeto estava na seleção brasileira para a disputa da Copa América e Eurico Miranda era vice de futebol da CBF. Eurico, que também era dirigente do Vasco, aproveitou a situação e fez uma proposta irrecusável para Bebeto, proposta que o próprio Flamengo não levou a sério achando ser apenas uma vingança da tentativa de 1980. O empresário de Bebeto José Moraes aceitou a proposta e dificultou ainda mais a renovação com o Flamengo obrigando assim o passe a ser fixado. Com o passe fixado o Vasco foi lá e pagou. Sem consentimento do Flamengo Bebeto foi para o Vasco ser campeão brasileiro.

Ali pela primeira vez ouvi a palavra “aliciamento”, Eurico teria se aproveitado por ser dirigente da CBF e dado a pernada de anão no Flamengo. Uma pernada de anão perfeita que arruinou a administração do presidente rubro-negro Gilberto Cardoso Filho. O Flamengo até deu pequenos trocos depois quando no mesmo ano contratou o zagueiro André Cruz, que estava acertado com o Vasco, e em 2000 Alex e Edilson, também encaminhados com o clube. Mas essa para mim foi emblemática.

Como vocês podem ver a “pernada de anão” sempre existiu. A diferença é que os tempos românticos acabaram. Não temos mais Fernando Macaé e Carlos Alberto Dias vestindo a camisa do Flamengo e parando no Botafogo horas depois, agora são os tempos de Gustavo Scarpa e Arrascaeta se recusando a treinar e forçando seus clubes a negociarem. O que continua igual é que quem manda nas negociações são os jogadores, na palavra exata os empresários dos jogadores.

As pernadas viram lendas e ganham a história do futebol.

Não importando o nome que dão a ela.

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One Reply to “Pernada de anão”

  1. Essa do Bebeto foi histórica mesmo. Nos últimos anos, acredito que as mais famosas foram a pernada do Flamengo no Grêmio pelo Ronaldinho Gaúcho, quando já tinha até festa sendo organizada em Porto Alegre (o que serviu para o nosso mago dos dribles e noitadas ser ainda mais odiado pela metade azul dos pampas), e a do Palmeiras em Corinthians e São Paulo na contratação do Dudu. Muitos desprezaram a época, mas hoje, depois de ser fundamental na conquista de dois títulos brasileiros, fica evidente que essa pernada foi um “golaço” da diretoria palmeirense.

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