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O leitor mais atento deste Ouro de Tolo sabe que já escrevi posts sobre o Bar Brejas e, na semana passada, do Clube do Malte e do Taco del Pancho. O primeiro em Campinas, os outros dois em Curitiba. Sabe também que estou prometendo uma visita ao Delirium Café, primeira franquia nas Américas do famoso bar belga.
Pois finalmente consegui fazer a tão prometida visita ao bar, que fica no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. Aqui é um pouco mais complicado por vários motivos: primeiro porque fica do outro lado da cidade, segundo porque a logística envolvida é um pouco complicada e terceiro porque com esta história de “Lei Seca” acabava comprando para beber em casa.
Mas no último sábado estive na casa com a família, não sem antes ir a uma peça infantil. Detalhe: a tal tinha ingressos de inteira a R$ 60 para um espetáculo de exatos 45 minutos. Coloque aí dois adultos e duas crianças e o leitor tem idéia de como esta brincadeira saiu cara.
Fiz a reserva no dia anterior, mas no horário em que cheguei, um pouco depois das 18 horas, ainda haviam mesas disponíveis. A casa tem cerca de 60 lugares e sua decoração remete à cerveja Delirium Tremens, que é do mesmo grupo do bar original. São cerca de 300 rótulos e tal e qual o Clube do Malte há cervejas para se levar à residência com um custo 20% menor que se consumidas geladas no bar. Abaixo o leitor pode ter uma idéia geral da casa e observar a “parede” de rótulos à direita.
Infelizmente, o chope Delirium não estava disponível. São cerca de dez opções de chope além dos rótulos em garrafa. O Delirium Café tem também opções de petiscos, alguns belgas (que acabei não experimentando) e coisas bastante interessantes como os pastéis de gorgonzola e o delicioso bolinho de aipim com camarão.
Dito isso, vamos aos rótulos experimentados. 
1 – Chope Old Speckled Hen: uma legítima bitter ale inglesa, amarga mas com boa “drinkability”. O curioso é que na forma em que foi servida o copo forma um grande creme, que vai diminuindo aos poucos. Bastante interessante.
2 – Anderson Valley Pale Ale – americana, cerveja bem difícil de ser encontrada aqui no Rio. Havia bebido dela em Campinas e não tive dúvidas em escolhê-la ao encontrá-la. Interpretação americana do estilo inglês, é mais lupulada e deliciosa.
3 – Lúcifer – a cerveja belga, do estilo “Belgian Strong Golden Ale”, rendeu algumas brincadeiras no Twitter quando postei a foto, por causa de seu nome. Apesar de um pouco menos gelada que o ideal – a foto deixa isso claro – é sem dúvida alguma uma “cerveja do capeta”: o alto teor de álcool se esconde sorrateiro por trás de suas muitas qualidades.
4 – Hoegaarden Grand Cru – para quem só conhecia a “witbier” da marca belga, esta aqui (que, confesso, também não sabia de sua existência) foi uma excelente surpresa. Seu estilo é meio difícil de se definir, por ser alcóolica e encorpada demais para uma witbier e ao memso tempo estar um pouco fora de outros estilos. Por aproximação pode-se dizer que também é uma Golden Strong Ale. 
A cerveja é meio “seca” em seu paladar, mas é deliciosa. É outra que pretendo degustar com mais calma em outra oportunidade.
5 – Anderson Valley Boont Amber Ale – outra cerveja da marca californiana, esta no estilo amber ale. Bastante lupulada, traz todos os toques florais típicos desta forte presença de lúpulo.
6 – St. Feuillien Trippel – cerveja tripel, aos moldes de várias trapistas famosas – embora não o seja – foi uma saideira digna do nome. Encorpada e com alto teor de álcool, é uma cerveja bastante equilibrada. Um clássico.
Note o leitor que não bebi nenhuma cerveja lager, a mais consumida aqui no Brasil. Isto é uma mostra do quão diverso pode ser o mundo e a diversidade da cerveja. Também foi bastante interessante conversar um pouco sobre a cultura cervejeira com os integrantes da mesa ao lado, trocando impressões e classificações. Curioso é que um dos integrantes trabalha apenas um andar acima do meu – mundo pequeno esse. Com certeza, novas amizades proporcionadas pelas trapistas e ales.
Ainda levei algumas cervas para casa, logicamente um exemplar da Delirium Tremens entre elas. Foi uma noite bastante interessante e pretendo voltar ao bar com mais calma para explorar menlhor as marcas da casa. Agradeço ainda ao Tom – na foto comigo abaixo – gerente da casa, que providenciou a minha reserva e que se esforçou para que minha visita e da minha família fosse a mais agradável possível.
O Delirium Café carioca fica na Rua Barão da Torre 183, Ipanema. O telefone para reservas é o 2502-0029 e o bar funciona todos os dias da semana. O site pode ser visto aqui.
Sem dúvida alguma, é altamente recomendável. Legítimo representante do fantástico mundo da cerveja.